Ruas alagadas, carros parcialmente submersos e vias interditadas marcaram a madrugada desta terça-feira em Lunel, no sul da França. As fortes chuvas que atingiram Hérault, na França, levaram a prefeitura a ativar uma “célula de crise” e acolher 23 pessoas em um ginásio municipal. O episódio ocorre em um momento de tensão no país, que tenta conter os distúrbios registrados durante manifestações contra o custo de vida e a deterioração dos serviços públicos.
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A prefeita de Lunel, Paulette Gougeon, acionou a estrutura de emergência à 1h para coordenar as operações e garantir a segurança dos moradores. Segundo um balanço divulgado pela prefeitura às 8h, diversas vias continuavam fechadas à circulação. Apesar de uma trégua temporária na chuva, havia previsão de novas precipitações.
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O episódio meteorológico foi previsto pela agência francesa Météo-France, que colocou Hérault e Gard sob alerta laranja para chuva e inundações e para tempestades. A previsão indicava acumulados de 200 a 250 milímetros de chuva no leste de Hérault e em áreas de Gard, com possibilidade de atingir localmente 300 milímetros ao longo do episódio.
No departamento vizinho de Gard, as chuvas também provocaram transtornos. Mais de 30 estradas e pontes chegaram a ser interditadas, segundo informações divulgadas pela imprensa regional. A rodovia A9, importante ligação entre o sul da França e a Espanha, teve o tráfego interrompido nos dois sentidos entre Nîmes e Gallargues antes da liberação posterior de parte do trecho.
Enquanto equipes de emergência atuavam nas áreas inundadas, o governo francês tentava conter os efeitos de uma onda de protestos que reuniu centenas de milhares de pessoas no sábado, 17 de outubro. As manifestações começaram com reivindicações de estudantes por melhores condições de ensino e se ampliaram para críticas ao aumento do custo de vida e à deterioração dos serviços públicos.
Segundo o Ministério do Interior francês, cerca de 550 mil pessoas participaram dos atos. Os organizadores estimaram o público em 800 mil. Embora grande parte das manifestações tenha transcorrido pacificamente, grupos protagonizaram confrontos com policiais, saques a lojas e ataques a edifícios públicos em cidades como Paris, Lyon, Marselha e Limoges.
Diante da violência, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu pediu às autoridades locais que adotassem toques de recolher parciais em áreas consideradas vulneráveis. As medidas foram aplicadas em diferentes cidades na noite de segunda-feira para terça-feira, enquanto o governo se preparava para novas manifestações previstas para o próximo sábado.
Enchentes alagam cidade no sul da França em meio a onda de protestos que levou a toques de recolher; vídeo
