Pular para o conteúdo
outubro 5, 2026
BRcom
Dólar PTAXR$ 5,2232
News

Entre a frustração e acenos: terceira via avalia derrota e se posiciona para o segundo turno

Por · outubro 5, 2026
Augusto Cury é de direita ou de esquerda? Veja o que ele já falou sobre o tema e quantos votos teve


Fora do segundo turno da eleição presidencial, os candidatos da chamada terceira via adotaram posições distintas sobre a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Enquanto Romeu Zema (Novo) anunciou que estará contra o PT, Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que discutirá seu posicionamento com o partido. Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão), por sua vez, descartaram declarar apoio a qualquer um dos dois.
Apuração: confira aqui todos os resultados pelo Brasil
Disputa pelo Planalto: Flávio Bolsonaro e Lula vão para o segundo turno da eleição presidencial
As manifestações ocorreram na noite deste domingo, após a apuração confirmar a manutenção da polarização entre petistas e bolsonaristas. Os candidatos também fizeram balanços de suas campanhas, com avaliações que foram da comemoração pelo avanço da direita ao reconhecimento de um resultado distante das expectativas.
Zema comemora avanço da direita e anuncia oposição ao PT
Após votar pela manhã em Araxá e acompanhar a apuração em Belo Horizonte, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema afirmou estar satisfeito com o desempenho da direita. Com 99,99% das urnas apuradas, o candidato do Novo tinha 0,27% dos votos.
Jair x Flávio Bolsonaro: compare a votação de pai e filho em 2022 e 2026
Embora não tenha citado diretamente Flávio Bolsonaro, Zema anunciou que se posicionará contra o PT no segundo turno.
— Muito satisfeito com os resultados da eleição. Deu para perceber claramente um avanço da direita muito maior do que as pesquisas apontavam. Com este avanço da direita, os intocáveis devem estar tremendo. Onde tivermos PT no segundo turno, estarei contra o PT — declarou.
‘Valem as regras’: TRE-MG diz que vai apurar uso de celular por Romeu Zema dentro da cabine de votação
Zema também comemorou o desempenho do Novo, afirmando que o partido atingiu os requisitos da cláusula de barreira com a eleição de “três senadores e de oito ou mais deputados federais”.
“Missão concluída. Partido Novo atingindo cláusula de barreira e direita fortalecida. Seguiremos. Sempre contra o PT. Meu muito obrigado a todos. Que Deus abençoe o Brasil”, escreveu nas redes sociais.
O dia de votação do candidato também foi marcado por uma controvérsia: Zema entrou com um celular na cabine, episódio que o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais informou que irá apurar. Questionado, o ex-governador disse que levou o aparelho “por hábito”, negou tê-lo utilizado e afirmou que sua cola estava em papel.
Initial plugin text
Caiado aguarda conversa com Kassab
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado afirmou que discutirá com o PSD qual candidato apoiar no segundo turno. Antes de anunciar uma decisão, pretende se reunir com o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, a quem agradeceu pelo apoio à candidatura.
— Eu, neste momento, vocês sabem, vou guardar a minha coerência, mas jamais vou me pronunciar sem antes também estar reunido com o presidente do meu partido, Kassab — afirmou.
Ao avaliar sua participação, Caiado disse deixar a disputa com orgulho da campanha e das propostas apresentadas a partir de sua experiência no governo de Goiás.
Tempo real: Veja o mapa de apuração completo aqui
— Não venci, mas caí de pé. Caí com orgulho, com honra, com dignidade, com coragem e com responsabilidade daquilo que foi representar o meu povo goiano no cenário nacional — declarou.
Ronaldo Caiado diz que vai conversar com Kassab o segundo turno
Reprodução / TV Anhanguera
O ex-governador classificou a eleição como “atípica” e reclamou da falta de debates. Segundo ele, outros assuntos desviaram a atenção de temas como segurança pública, economia e a relação entre os Poderes. Também mencionou o endividamento da população e as taxas de juros.
Caiado disse que esta foi a 11ª candidatura de sua trajetória e afirmou que continuará na vida pública, trabalhando em favor do governador eleito Daniel Vilela (MDB), de Gracinha Caiado, eleita para o Senado, e dos demais integrantes da base governista em Goiás.
Alesp: PL sobe de 19 para 27 deputados e federação do PSDB conquista apenas uma vaga
— Jamais me acovardei, jamais fugi da luta. E continuarei aqui, ajudando, trabalhando, apoiando tudo aquilo que for possível — afirmou.
Questionado sobre uma eventual nova candidatura, não indicou planos para disputar outro cargo. Brincou que suas filhas e Gracinha decidiram que ele deveria descansar, mas ressaltou que continuará acompanhando a política estadual e nacional.
Veja a lista: Deputados estaduais eleitos no Brasil
Cury descarta apoio e diz que projeto continuará
Terceiro colocado, Augusto Cury agradeceu aos eleitores e afirmou que seu projeto político “não termina com a eleição”. Com 99,99% das urnas apuradas, o escritor e médico tinha 3.429.197 votos, equivalentes a 2,89% do total, com a terceira maior quantia de votos de 2,89%.
Cury cumprimentou os candidatos que avançaram ao segundo turno, mas descartou declarar apoio a qualquer um deles.
— Eu me silencio completamente em relação àqueles que estarão no segundo turno. Ninguém está autorizado a, em meu nome, pedir ou dizer que vai apoiar qualquer um dos candidatos — afirmou.
Sem trajetória anterior na política eleitoral, Cury tentou se apresentar como uma alternativa à polarização. Sua candidatura chegou a alcançar 10% das intenções de voto na pesquisa Quaest divulgada no início de setembro, mas terminou com uma votação abaixo desse patamar.
Augusto Cury vota em São Paulo
Reprodução
O candidato disse que sua frustração não estava relacionada ao percentual obtido, mas ao alcance das propostas apresentadas durante a campanha.
— A dor que eu sinto não é de ter tido 3%. Para quem é, talvez, novo na política, isso seria uma vitória. O que me entristece é que nós temos tantos projetos e que poderemos mudar para sempre esse país, mas eles estão disponíveis para aqueles que forem sábios.
Cury afirmou ainda que não pretende fazer carreira política e voltou a defender seu modelo de liderança, resumido no lema “mente capitalista e coração social”.
— Eu não quero fazer carreira política, eu quero apenas ser um plantador de sementes num país polarizado, que ama muito pouco, cujos políticos amam muito pouco a nação brasileira e amam demais um projeto partidário, um projeto familiar, um projeto de ego. Mas nós fizemos diferente — declarou.
O Globo eleições: participe da comunidade e saiba tudo sobre as campanhas, debates e sabatinas
Em nota, defendeu a continuidade de propostas como o fim da reeleição presidencial, mandatos fixos de oito anos para ministros do Supremo Tribunal Federal e a adoção do semipresidencialismo.
“Um sonho compartilhado por milhões não termina com uma eleição: ele passa a morar no coração de quem acreditou”, escreveu.
O candidato também atribuiu parte do desempenho à dificuldade de alcançar eleitores pelas redes sociais e disse querer uma auditoria internacional para avaliar o que ocorreu. Ressaltou, porém, que não questiona o resultado nem as urnas eletrônicas.
— Eu respeito completamente as urnas, eu não questiono nem as urnas eletrônicas e nem questiono aqueles que estão à frente. Eu só parabenizo, espero que eles tenham sucesso e espero que possam aproveitar nossas ideias — afirmou.
De Dirceu a Delúbio: uma década depois, petistas condenados na Lava Jato não conseguem se eleger
Renan classifica resultado como ruim e libera militância
Renan Santos, candidato do Missão, afirmou que o resultado foi pior do que esperava, tanto para sua campanha quanto para o partido. Com 99,99% dos votos apurados, aparecia em quarto lugar, com 2.656.451 votos, ou 2,24% do total.
Em fala a apoiadores transmitida pelas redes sociais, o político ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL) disse que a votação ficou muito distante de suas expectativas.
— O resultado é ruim. Não vamos passar de cláusula de barreira, vamos ter apenas um deputado estadual e um deputado federal no mesmo estado. O resultado não é bom, não é bom para o projeto, não é bom para aquilo que a gente desenhava — afirmou.
Renan Santos vota nas eleições 2026
Reprodução
Renan disse que não apoiará nenhum dos candidatos no segundo turno, mas liberou a militância para escolher como votar. Também avaliou que Flávio Bolsonaro deve vencer a próxima etapa.
— Faz diferença? Façam o que quiserem. Eu já avisei que não voto em bandido, não recomendo que ninguém vote em bandido. Flávio é bandido, Lula é bandido, mas não faz diferença nenhuma. Façam o que vocês quiserem. A eleição já é do Flávio Bolsonaro — disse.
Durante a campanha, Renan defendeu uma agenda de direita e buscou construir uma identidade própria em relação ao bolsonarismo. Após o resultado, porém, afirmou que “não há direita no Brasil sem Bolsonaro” e disse que integrantes do MBL que desejarem aderir ao grupo não enfrentarão oposição do movimento.
O candidato também afirmou que Flávio teve um desempenho melhor que o próprio pai, apesar de suas críticas ao carisma e à inteligência do senador, e avaliou que o PL construirá uma base “colossal” no país.
— Quem está no nosso grupo e quiser sair, poderá sair e virar bolsonarista. Vou repetir, não existe direita no Brasil para além de Bolsonaro — declarou.
Initial plugin text

Entre a frustração e acenos: terceira via avalia derrota e se posiciona para o segundo turno