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Equipe de Lula busca aproximação com Augusto Cury de olho em 'efeito Tebet' no segundo turno

De olho em um eventual segundo turno, a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta criar pontes com Augusto Cury (Avante). O cenário apontado pelas pesquisas indica que o psiquiatra pode ter, na disputa deste ano, um papel semelhante ao que Simone Tebet, na época no MDB, teve na eleição de […]

Equipe de Lula busca aproximação com Augusto Cury de olho em 'efeito Tebet' no segundo turno


De olho em um eventual segundo turno, a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta criar pontes com Augusto Cury (Avante). O cenário apontado pelas pesquisas indica que o psiquiatra pode ter, na disputa deste ano, um papel semelhante ao que Simone Tebet, na época no MDB, teve na eleição de 2022.
Diante das perspectivas mais difíceis para Lula agora do que quatro anos atrás, há uma avaliação de que o candidato do Avante pode ser ainda mais decisivo do que a ex-senadora. Na eleição de 2022, Tebet ficou em terceiro lugar, com 3,84 % dos votos válidos. Três dias depois do primeiro turno, a então candidata do MDB almoçou com Lula na casa da ex-prefeita Marta Suplicy e em seguida anunciou apoio ao petista.
O apoio foi considerado fundamental para a vitória do petista sobre Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno por 1,8 ponto de vantagem de votos válidos.
Segundo a pesquisa Datafolha mais recente, divulgada na sexta-feira, Cury teve uma leve oscilação para baixo, mas continua em um patamar considerado relevante: em uma semana, saiu de 8% das intenções de voto para 6%.
Em outros levantamentos recentes, a faixa de apoio é parecida — na última Quaest, ele teve 8% das intenções de voto. O candidato do Avante tem o seu melhor desempenho no grupo de eleitores que se declara independente.
A Quaest divide o eleitorado em cinco grupos: esquerda lulista, esquerda não lulista, bolsonarista, direita não bolsonarista e independentes. Os independentes são o maior grupo da amostra da pesquisa, representando 32% dos eleitores. Cury teve 17% ds intenção de votos nesse grupo na pesquisa do dia 7. Enquanto Lula teve 24% e Flávio, apenas 9%.

Petistas reconhecem que será mais difícil atrair o candidato do Avante, que tem dado declarações contra Lula, mas lembram que em 2022, o petista também foi atacado por Tebet, que se tornou ministra do Planejamento até abril, quando se lançou para o Senado em São Paulo pelo PSB.
Mas Tebet nunca chegou a dizer que jamais apoiaria o petista, como fez Cury na quinta-feira, em um encontro com operadores do mercado financeiro, em São Paulo, organizado pelo banco Genial.
— Não apoiaria em hipótese alguma Lula. Nem 0,01% — disse Cury, sob aplausos da plateia. — O Lula tem que se aposentar, o modelo do PT tem que aposentar. Com todo o respeito ao que fez em seu primeiro governo, quando estava o Meirelles (Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central) e o Palocci (Antônio Palocci, ex-ministro da Fazenda), com todos os seus problemas.
Ao mesmo tempo, o candidato do Avante deixou aberta uma possibilidade de se aliar a Flávio Bolsonaro se o candidato do PL der explicações sobre o seu envolvimento com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu R$ 134 milhões a Vorcaro para o filme “Dark horse”, dos quais cerca de R$ 69 milhões foram pagos a um fundo nos Estados Unidos, o que é investigado pela Polícia Federal.
— Não ficaria neutro. Mas ele teria que provar que não é corrupto, teria que explicar o “Dark horse”. Tem um longa-metragem meu sendo rodado agora com quase um décimo do valor do filme do pai dele, para se ter uma ideia.
Apesar das declarações do candidato, petistas lembram que o Avante apoiou Lula desde o primeiro turno em 2022 contra Jair Bolsonaro. Na ocasião, era o partido do deputado André Janones, que foi cabo eleitoral de Lula principalmente nas redes sociais.
Outro ponto de contato está na bancada da Câmara, que tem deputados como Duarte Jr. (Avante-MA) e Neto Carletto (Avante-BA), que pedem votos para Lula em seus estados. Petistas não descartam que as negociações para formalização de um apoio no segundo turno envolvam o compromisso de participação no governo com a indicação de nomes para algum ministério.

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Autor

BRCOM