A música sempre esteve presente nos quintais da família Pagodinho. Entre encontros em Xerém e Irajá, cavaquinhos, rodas de samba e canções que atravessaram gerações, filhos, sobrinhos e neto de Zeca Pagodinho cresceram cercados pelo ambiente musical que ajudou a formar o sambista. Agora, essa história ganha um palco próprio. Na próxima quinta-feira, às 21h, Dudu Pagodinho e Eliza Piquet, filhos do artista, seu neto Noah e os sobrinhos Renato Milagres e Juninho Thybau formalizam a situação com o grupo Família Pagodinho, que fará sua estreia no Bar do Zeca Pagodinho, no Vogue Square.
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Idealizado por Dudu, o projeto reúne integrantes que já desenvolvem trajetórias individuais na música e, no caso de Eliza, também em outra área criativa, como estilista. A ideia, porém, é também resgatar a história da família e referências que vieram antes do sucesso de Zeca.
— Nossa família, por si só, já é musical. A gente já cresceu nesse ambiente. Fazer isso é mais uma questão de homenagem mesmo, para trazer à tona a nossa história, como foi a nossa infância — diz Eliza.
Juninho Thybau (sobrinho, à esquerda), Eliza Piquet (filha), Dudu Pagodinho (filho), Noah (neto) e Renato Milagres (sobrinho)
Gabriel de Paiva
Os encontros eram marcados pela presença de outros músicos da família, conta a cantora. Entre as lembranças estão os quintais de Xerém e Irajá, onde os primos conviviam e ouviam parentes tocar e cantar. A influência alcançou a geração mais nova. Noah, neto de Zeca, que costuma ser visto em canjas nas apresentações do avô no bar e em vídeos na internet, passou a acompanhá-lo em gravações de discos e DVDs antes de integrar o novo projeto.
A ideia de reunir a família em um grupo já vinha sendo discutida, explica Dudu. A entrada de Noah no universo artístico acabou funcionando como um incentivo para concretizar o projeto.
— O Noah foi a cerejinha do bolo. A gente já vinha conversando, e agora chegou a hora de botar o bloco na rua — conta Dudu.
O repertório da estreia do grupo será formado majoritariamente por sucessos e composições de Zeca Pagodinho. A seleção, no entanto, foge do óbvio: o grupo resgatou canções que o sambista não interpreta há bastante tempo e outras que nunca fizeram parte de seus shows.
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A divisão das músicas foi concebida ao longo dos ensaios. A ideia inicial era que cada integrante tivesse momentos individuais no palco. Mas, ao ouvir todos os integrantes cantando juntos, ficou decidido dar mais espaço ao coro da família. Além dos momentos em que cada um assume o microfone, o encontro entre as vozes é uma das apostas da apresentação.
Noah, de 16 anos, é o mais jovem da Família Pagodinho. O neto mais velho de Zeca decidiu seguir a carreira musical em 2025 e, em julho deste ano, lançou “Amor de vô”, seu segundo trabalho. A faixa “Fé e esperança” foi o primeiro.
Zeca Pagodinho e sua família passeando na Disney
Arquivo pessoal/Priscila Trummer
Produzida por Zeca Pagodinho, “Amor de vô” ganhou arranjo de Mauro Diniz e participação de músicos como Rildo Hora, Pretinho da Serrinha e Carlinhos 7 Cordas, além do Coral Viva Xerém, ligado ao Instituto Zeca Pagodinho. A música trata da relação entre avô e neto.
Para Noah, dividir o palco com os parentes também representa uma maneira de celebrar o avô:
— É bom homenagear as pessoas enquanto elas estão vivas, porque aí elas veem que são realmente amadas.
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Juninho Thybau diz que se sente realizado por dividir o palco com os parentes em um projeto que parte exatamente da história familiar:
— É uma coisa maravilhosa, porque ele (o Zeca) é uma referência também para todos nós. Não só como ser humano, mas como artista. E dar continuidade ao legado que ele criou é importante. Porque, já dizia Nelson Cavaquinho, “me dê as flores em vida” .
Zeca Pagodinho em viagem com a família
Arquivo pessoal/Priscila Trummer
Se o lançamento do grupo faz pensar nos Gilsons, formado por filhos e neto de Gilberto Gil, os integrantes da Família Pagodinho dizem beber na fonte de dinastias ligadas ao samba, como os Diniz, os Cruz e os Nogueiras.
— Lógico que uma família como a do Gil inspira. Mas a gente tem as nossas inspirações também dentro do samba — diz Dudu.
Embora o repertório da estreia esteja concentrado nas músicas de Zeca, os integrantes também compõem e pretendem, mais adiante, apresentar material próprio. A ideia é produzir peças audiovisuais com músicas inéditas e abrir espaço tanto para compositores da nova geração quanto para nomes que já escreveram para Zeca.
O sambista estará presente à estreia do grupo, claro, e deve participar do show. Ele conhece parte do repertório, mas o grupo tenta manter em segredo quem cantará cada música, para lhe reservar algumas surpresas. O artista se diz orgulhoso da iniciativa.
— Estou muito feliz de vê-los juntos fazendo música. Acho que vai dar muito certo, porque eles têm a minha levada — diz Zeca.
A noite, com couvert artístico a R$ 60, terá ainda a participação de Moacyr Luz. O grupo tem planos de circular por outras casas de samba depois desta apresentação na Barra.
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Essa família é muito unida: parentes de Zeca Pagodinho formam grupo musical; 'vai dar muito certo, eles têm a minha levada'
A música sempre esteve presente nos quintais da família Pagodinho. Entre encontros em Xerém e Irajá, cavaquinhos, rodas de samba e canções que atravessaram gerações, filhos, sobrinhos e neto de Zeca Pagodinho cresceram cercados pelo ambiente musical que ajudou a formar o sambista. Agora, essa história ganha um palco próprio. Na próxima quinta-feira, às 21h, […]