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novembro 3, 2026
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EUA atacam ilha iraniana após Trump elogiar avanços diplomáticos com Teerã

Por · novembro 3, 2026


Os Estados Unidos realizaram nesta terça-feira ataques limitados contra a ilha iraniana Qeshm, no sul do Estreito de Ormuz. Segundo a imprensa iraniana, os bombardeios provocaram cinco explosões e aconteceram poucas horas depois do presidente americano, Donald Trump, afirmar avanços diplomáticos nas negociações com Teerã e poucas horas antes da votação nas eleições de meio de mandato nos EUA. De acordo com autoridades americanas, que não quiseram se identificar, os ataques foram de natureza defensiva.
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De acordo com o Wall Street Journal, trata-se do ataque mais recente de uma série de ofensivas não declaradas realizadas por Washington contra alvos iranianos nos últimos meses. Segundo o jornal, a decisão de não anunciar previamente os ataques teve como objetivo evitar a percepção de que os Estados Unidos estariam retomando uma campanha militar em larga escala contra o Irã. Até o momento, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), responsável pelas operações americanas no Oriente Médio, não se pronunciou sobre o caso.
Os ataques dos Estados Unidos, com o apoio de Israel, ao Irã começou no fim de fevereiro, com uma série de ataques surpresas. O conflito, entretanto, ainda não atingiu os objetivos desejados por Washington e permanece em um impasse há cerca de oito meses.
Na segunda-feira, um dia antes das eleições de meio de mandato, nas quais, segundo pesquisas, os eleitores devem provocar uma derrota ao Partido Republicano, em parte diante do descontentamento com a guerra e com a inflação causada por ela, Trump afirmou em uma rede social que um acordo com o Irã é possível:
— O Irã quer um acordo o mais rápido possível — escreveu o presidente na rede Truth Social.
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As declarações ocorreram em um momento de maior otimismo em relação às negociações. Na segunda-feira, os preços internacionais do petróleo caíram mais de 7% diante das expectativas de um possível fim do conflito.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou contatos indiretos para encerrar o conflito:
— Levando em consideração a sensibilidade e a gravidade da situação atual, as consultas e deliberações são muito intensas — declarou à imprensa estatal.
Também nesta terça-feira, o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador nas conversações com os Estados Unidos, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que Teerã está preparada para uma guerra, e que deu a Washington uma “uma resposta nacional”.
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O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que ele e Trump estão otimistas quanto à possibilidade de um acordo. Segundo o portal americano Axios, fontes dos governos americanos e israelenses afirmaram que o presidente Trump deseja manter as negociações em aberto, apesar de já ter conversado com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, partidário de uma ofensiva.
O porta-voz do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que Teerã está disposto a reabrir o Estreito de Ormuz, via de exportação crucial dos hidrocarbonetos do Golfo, por dois dias, desde que Washington aceitasse sua lista de exigências.
— A possibilidade de implementar este plano em dois dias é mais uma demonstração da postura de boa-fé do Irã — afirmou o porta-voz.
Em setembro, Teerã propôs um plano de sete dias para reabrir a rota, desde que os EUA atendessem a uma série de exigências que incluíam o fim da guerra em todas as frentes de batalha, o descongelamento dos ativos iranianos, o fim das sanções petrolíferas e o fim do bloqueio americano aos portos iranianos. Trump não aceitou as exigências do Irã.
Ameaças em meio as negociações
Apesar das negociações, os Estados Unidos e Israel intensificaram as ameaças ao Irã nos últimos dias. No sábado, Trump afirmou que ainda precisa “se ocupar de uma ou duas” instalações nucleares no Irã. Questionado sobre o possível envolvimento de Israel nos ataques desta terça-feira, um porta-voz das Forças Armadas israelenses respondeu à agência AFP: “Não”.
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Teerã, por sua vez, voltou a alertar sobre possíveis represálias caso os Estados Unidos retomem uma campanha militar de maior escala.
Também nos últimos dias, autoridades iranianas instalaram em Teerã um grande painel com a imagem do presidente americano acompanhado da frase: “Nós vamos matar Trump”. Estreito de Ormuz
China amplia apoio diplomático
Em mais um sinal de movimentação diplomática, a China promoveu nesta semana reuniões com representantes iranianos e sauditas em Pequim. Segundo comunicado oficial, o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, reafirmou que o país asiático apoia Teerã na “defesa de sua própria soberania e segurança”.
Em uma entrevista ao canal Al Jazeera no domingo, Araghchi disse que Washington deve aceitar “uma nova rota acordada entre Irã e Omã para o trânsito pelo Estreito de Ormuz”.

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