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EUA planejam enviar drones para comando militar responsável pela América do Sul, enquanto promete verba a aliados

As Forças Armadas dos EUA estão se preparando para transferir drones militares MQ-9 Reaper em operação na África para o comando responsável pela América do Sul, informou a rede de notícias CNN nesta sexta-feira, citando fontes ouvidas sob condição de anonimato. O envio dos equipamentos, caso se confirme, reforçaria as capacidades de monitoramento, coleta de […]

EUA planejam enviar drones para comando militar responsável pela América do Sul, enquanto promete verba a aliados


As Forças Armadas dos EUA estão se preparando para transferir drones militares MQ-9 Reaper em operação na África para o comando responsável pela América do Sul, informou a rede de notícias CNN nesta sexta-feira, citando fontes ouvidas sob condição de anonimato. O envio dos equipamentos, caso se confirme, reforçaria as capacidades de monitoramento, coleta de inteligência e realização de ataques de precisão na região, em um momento que Washington amplia o recrutamento de aliados entre governos locais com promessas e auxílio financeiro e cooperação — incluindo redirecionamento de recursos que seriam destinados a outras áreas do globo —, enquanto aumenta a pressão sobre países que esboçam preocupação com suas soberanias diante do avanço da presença americana na região, incluindo o Brasil.
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Os drones, que provavelmente vinham sendo utilizados em missões contra organizações terroristas como o Estado Islâmico e o al-Shabaab, sob autoridade do Comando Africano das Forças Armadas dos EUA, devem passar a ser empregados em missões contra facções ligadas ao tráfico de drogas, segundo as fontes ouvidas pela rede americana, ao serem enviados ao Comando Sul. A campanha antidrogas americana, batizada como “Operação Lança do Sul”, deixou mais de 200 mortos no Caribe e no Oceano Pacífico em ataques contra embarcações que supostamente carregavam drogas. As ações foram condenadas por organizações internacionais como execuções extrajudiciais.
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Em seu retorno à Casa Branca, o presidente americano, Donald Trump, elegeu o combate ao tráfico de drogas e a retomada da hegemonia dos EUA no Hemisfério Ocidental como prioridades. Nos primeiros dias de governo, o republicano classificou cartéis latino-americanos como terroristas, definição que foi estendida a outros grupos nos meses seguintes, incluindo PCC e Comando Vermelho. Além da “Lança do Sul” — que especialistas questionam se tem sido realmente efetiva em reduzir significantemente o fluxo de entorpecentes para os EUA —, o governo americano também aumentou a pressão sobre os países da região para aumentarem gastos militares para combater os grupos criminosos, e lançou a iniciativa “Escudo das Américas”, que já reúne cerca de 20 membros.
As fontes americanas não detalharam qual deveria ser o uso dos drones no contexto latino-americano, mas governos alinhados a Washington já realizaram ou expressaram interesse em realizar operações conjuntas com os militares americano. O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, citou em específico os MQ-9 Reaper em um pedido para auxiliar o monitoramento de rotas de tráfico.
Em viagem pela América do Sul no começo deste mês, o secretário de Estado Marco Rubio percorreu Colômbia, Equador e Peru espalhando promessas de colaboração no combate ao crime. Em Quito, ao lado do presidente equatoriano, Daniel Noboa, prometeu um pacote de US$ 45 milhões em recursos para a área da segurança. Em Lima, na última parada de sua turnê oficial, Rubio não falou em valores, mas citou o começo de uma ‘era de ouro’ com Peru, após a eleição da presidente de direita Keiko Fujimori.
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O Departamento de Estado ofereceu um vislumbre de onde ao menos parte do recurso deve sair. Em uma comunicação ao Congresso dos EUA, a pasta diplomática comunicou na terça-feira que US$ 52 milhões (cerca de R$ 267,5 milhões reservados à ajuda militar para aliados seria redirecionada de Oriente Médio, África e Europa para a América Latina. O comunicado mencionou diretamente cortes a Iraque, Tunísia, Eslováquia e Macedônia do Norte, e o beneficiamento dos três países visitados por Rubio e o Panamá.
Em sua estratégia de segurança nacional, divulgada em dezembro 2025, Trump havia prometido um desengajamento de algumas regiões do mundo, e foco no Hemisfério Ocidental — em uma retomada da doutrina de política externa regional que foi apelidada pela mídia americana de “Doutrina Donroe”. Desde então o presidente pressionou países da região a ampliarem seus gastos militares ao patamar de 3,5% de seus PIBs — o gasto atual do Brasil é de cerca de 1,05% do PIB, segundo pesquisa do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo — e sugeriu atacar com mísseis os grupos criminosos em países do continente. O secretário de Defesa Pete Hegseth, em viagem ao Panamá em agosto, afirmou que o país estaria disposto a realizar ações por terra.
O Brasil tem sido um dos países mais resistentes às medidas intrusivas do governo dos EUA na região. Em 2025, após o início das operações militares americanas no Caribe e no Pacífico, o chanceler Mauro Vieira afirmou que “a militarização da América do Sul” deveria ser rejeitada. Em meio à guerra tarifária de Trump, o governo brasileiro incorporou as ações americanas ao discurso de defesa à soberania.
A pressão sobre o Brasil voltou a aumentar nesta semana, quando um relatório anual assinado pelo presidente americano mencionou falhas nas tentativas do país em combater o crime organizado, incluindo as nomeadas como “organizações terroristas estrangeiras designadas”, alertando que o “governo brasileiro precisa urgentemente tomar medidas enérgicas para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”. Brasília defendeu publicamente que o combate às facções seja realizado por meio de cooperação em inteligência e investigação.

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BRCOM