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outubro 2, 2026
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Ex-secretária de Educação montou esquema com parentes e até vizinhos, segundo MPRJ; veja quem é quem

Por · outubro 2, 2026
Ex-secretária de Educação montou esquema com parentes e até vizinhos, segundo MPRJ; veja quem é quem


A investigação do Ministério Público do Rio (MPRJ) e da Polícia Civil que levou à Operação Escola de Papel, nesta quinta-feira, revelou um esquema de desvio de verbas públicas destinadas a reformas em escolas da rede estadual. Entre os investigados estão integrantes da cúpula da Secretaria estadual de Educação (Seeduc) no governo Cláudio Castro, inclusive a ex-secretária da pasta, Roberta Oliveira; o genro dela, Yurie Lopes Fonseca Ormonde André; e o ex-subsecretário de administração, David de Andrade Marinho Filho.
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Segundo o MPRJ e a Polícia Civil, uma das empresas envolvidas no esquema, a MCK Reformas e Construções Ltda., tinha a presença de pessoas ligadas a Roberta. A ex-secretária, de acordo com as investigações, colocou pessoas de confiança em cargos-chave da secretaria.
Veja quem é quem no esquema, segundo o MPRJ e a Polícia Civil.
ROBERTA BARRETO DE OLIVEIRA — O NÚCLEO DE COMANDO
A investigação coloca a ex-secretária estadual de Educação Roberta Barreto de Oliveira no chamado núcleo político ou de comando do suposto esquema. À frente da Seeduc no período das contratações investigadas, ela tinha poder para indicar e nomear pessoas para cargos estratégicos da estrutura administrativa da pasta.
Segundo o MPRJ, essa prerrogativa teria permitido a Roberta colocar pessoas de sua confiança em posições consideradas fundamentais para o funcionamento do esquema. O documento também destaca que as notas de empenho relativas aos contratos investigados da MCK Reformas e aos repasses financeiros feitos pela Seeduc às Associações de Apoio às Escolas (AAEs) foram subscritas pela então secretária.
Da esquerda para a direita: Yurie Lopes Fonseca, Yan Lopes Fonseca, Fábio Martins Pereira e André Luiz Silva Fernandes
Montagem sobre fotos de Reprodução
YURIE — O GENRO E ‘BRAÇO DIREITO’ DA EX-SECRETÁRIA
Capitão do Corpo de Bombeiros e companheiro de Rhaizza Barreto Oliveira de Brito, filha de Roberta, Yurie Lopes Fonseca Ormonde André é apontado pela investigação como uma das figuras mais próximas da ex-secretária. Embora não ocupasse cargo no governo durante o período investigado, ele já trabalhava diretamente com Roberta desde pelo menos 2021, sendo descrito como “braço direito” da ex-secretária. Na estrutura traçada pela investigação, Yurie seria o pivô do núcleo financeiro e de ocultação de valores. Entre 2023 e 2025, justamente durante a gestão de Roberta na Educação, os investigadores identificaram uma expressiva evolução patrimonial de Yurie e a constituição de uma rede de empresas. Segundo a investigação, essas sociedades teriam sido utilizadas para ocultar e dissimular recursos desviados da Seeduc.
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Diligências realizadas durante as investigações apontaram que a maioria das empresas do núcleo investigado não funcionava nos endereços declarados à Junta Comercial. De acordo com o relatório, grande parte das sedes vistoriadas de empresas relacionadas a Yurie e seus sócios não apresentava estrutura física, funcionários, maquinário ou outros sinais de atividade compatível com os valores movimentados. Para os investigadores, esses elementos reforçam a suspeita de que parte dessas sociedades funcionaria como estrutura de fachada para ocultação patrimonial e lavagem de recursos da Educação.
O levantamento patrimonial consolidou em R$ 32,2 milhões o patrimônio atribuído a Yurie. O documento ressalta que todos os bens de maior valor identificados pela investigação foram adquiridos depois do início da gestão de Roberta na Seeduc, em março de 2023.
DAVID — O AMIGO DO GENRO QUE ASSUMIU POSTOS ESTRATÉGICOS
Também capitão do Corpo de Bombeiros, David de Andrade Marinho Filho é apontado pelo MPRJ como uma peça central do núcleo administrativo. Ele e Yurie ingressaram no CBMERJ pelo mesmo concurso e foram colegas de formação na corporação. David foi cedido à Seeduc em 12 de abril de 2023, cerca de um mês depois do início da gestão de Roberta. Dois dias depois, foi nomeado pela então secretária para comandar a Superintendência de Infraestrutura Escolar (SUPIE), setor que, segundo a investigação, exercia papel central na orientação e no acompanhamento das contratações realizadas pelas AAEs.
Em 20 de fevereiro de 2024, David foi nomeado por Roberta para outro posto estratégico: o de subsecretário de Gestão Administrativa. Nessa função, passou a ocupar posição hierarquicamente superior na cadeia administrativa responsável pelas contratações das AAEs.
Segundo a investigação, David também passou a exercer, por resolução de Roberta, a função de ordenador de despesas da Seeduc e foi responsável por autorizar grande parte dos pagamentos da pasta destinados à MCK Reformas. Por isso, é apontado como a principal ligação entre o núcleo de comando atribuído a Roberta e a engrenagem administrativa das contratações investigadas.
FÁBIO — A CONEXÃO TORTUOSA DO ARTICULADOR DO ESQUEMA EMPRESARIAL
A conexão pessoal de Fábio Martins Pereira com Roberta é menos direta. Fábio é casado com Aline Cristina Tancredo de Castro Pereira, cujo irmão moraria em frente ao endereço cadastrado como residência de Roberta, em Duque de Caxias. A investigação chama atenção para a proximidade entre os imóveis e as famílias envolvidas.
A importância atribuída a Fábio, porém, está principalmente em sua atuação na estrutura empresarial. Segundo o depoimento de Marcos José Mendes Ferreira, dono da MCK Reformas, Fábio o procurou no fim de 2024 e perguntou se ele tinha interesse em participar de licitações. Depois da resposta positiva, teria solicitado toda a documentação da empresa. Cerca de um mês depois, informou a Marcos que a MCK havia vencido uma contratação para reformar uma escola estadual.
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Marcos afirmou à polícia que nem sequer havia elaborado a proposta ou visitado a unidade antes de ser informado de que sua empresa vencera o certame. Segundo seu relato, Fábio posteriormente determinou que a diferença entre o valor recebido e o custo efetivo das obras fosse repassada a ele. Marcos declarou que, de aproximadamente R$ 6 milhões recebidos em cerca de 15 obras, R$ 4 milhões teriam ficado com Fábio, cunhado do vizinho de Roberta em Duque de Caxias.
Fábio também controlava a Virtual Rio Construtora, que recebeu transferências milionárias da MCK Reformas e, segundo os relatórios financeiros, convertia grande parte dos recursos recebidos em saques em espécie.
YAN — O IRMÃO DE YURIE E DONO DO CARRO UTILIZADO PARA TRANSPORTAR DINHEIRO
Yan Lopes Fonseca Ormonde André, irmão de Yurie, aparece na investigação principalmente por causa da Toyota Hilux utilizada no episódio que desencadeou o aprofundamento das apurações. Em 16 de janeiro de 2026, policiais flagraram Marcos José Mendes Ferreira deixando uma agência do Bradesco, em Duque de Caxias, com R$ 500 mil em espécie. Marcos entrou na Hilux, que era conduzida pelo policial militar André Luiz Silva Fernandes. A investigação constatou posteriormente que o veículo estava registrado em nome de Yan.
ANDRÉ — O POLICIAL QUE FAZIA A SEGURANÇA DO DINHEIRO
O policial militar André Luiz Silva Fernandes dirigia a Hilux no momento em que Marcos transportava os R$ 500 mil retirados do banco. Durante a abordagem, os agentes encontraram com André uma pistola Glock, cinco carregadores, 83 munições, R$ 15.650 em espécie e aparelhos celulares. Em depoimento, André afirmou que havia recebido uma ligação de Fábio pedindo que acompanhasse Marcos — chamado de “Barba” — na saída do banco. Disse ainda que não era a primeira vez que realizava esse tipo de acompanhamento. A investigação identificou outra conexão com o círculo familiar de Roberta: André mantinha sociedade empresarial com Alberto Henrique Ormonde André, pai de Yurie e Yan.
LETÍCIA — DA SEEDUC À REDE DE EMPRESAS DE YURIE
Letícia de Oliveira Silva foi coordenadora da Seeduc durante o período em que a ex-secretária comandava a pasta. A investigação identificou posteriormente uma série de vínculos entre Letícia e as empresas relacionadas a Yurie. Ela aparece como sócia dele em diferentes sociedades, administradora de empresas e representante na estrutura da Bluewave USA, sediada em Miami. Segundo o MPRJ, Letícia ocupava uma posição de conexão entre diferentes camadas da rede empresarial atribuída a Yurie, participando de estruturas que permitiriam a circulação de ativos entre diferentes pessoas jurídicas. Por isso, é incluída no núcleo financeiro e de ocultação.
O levantamento patrimonial consolidou em R$ 1,29 milhão o patrimônio atribuído a Letícia. Segundo a investigação, esse patrimônio foi constituído integralmente durante o período em que Roberta esteve à frente da Secretaria estadual de Educação.

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