Após uma sequência de acidentes envolvendo helicópteros no Rio, a Força Aérea Brasileira (FAB) anunciou mudanças na circulação visual dessas aeronaves na cidade. A partir de novembro, duas Rotas Especiais de Helicópteros (REH) serão canceladas, enquanto uma terceira será deslocada para mais longe do continente. As alterações atingem áreas do Alto da Boa Vista, nas proximidades do Cristo Redentor e da Floresta da Tijuca, além da orla da Zona Sul.
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Segundo o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), serão canceladas a REH Boa Vista e a REH Cristo, até a posição Caiçara. A REH Praia, por sua vez, será afastada do continente e terá suas dimensões laterais ampliadas. Na prática, a mudança fará com que os helicópteros que utilizam esse corredor sobre o mar mantenham uma distância maior da costa.
As rotas canceladas passam por áreas próximas ao Cristo Redentor e pela Floresta da Tijuca, no Alto da Boa Vista, região que inclui as proximidades da Vista Chinesa, onde caiu, em 8 de agosto, um helicóptero que fazia um voo panorâmico. O acidente matou o piloto e três turistas colombianas.
A mudança ocorre após outros episódios recentes envolvendo helicópteros na cidade. Em 14 de junho, dois helicópteros colidiram no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste, deixando seis mortos. Relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apontou que as duas aeronaves tinham planos de voo que previam as mesmas Rotas Especiais de Helicópteros e altitudes coincidentes. A colisão ocorreu na REH Grota, entre os pontos Tachas e Piabas. As investigações ainda estão em andamento.
No caso do acidente da Vista Chinesa, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) intensificou a fiscalização das empresas que realizam voos panorâmicos na cidade. Das 12 autorizadas para esse tipo de operação, nove haviam sido fiscalizadas até agosto, e quatro foram suspensas. Entre as irregularidades encontradas estavam empresas que falsificavam relatórios de voo para reduzir custos de manutenção.
Médico, piloto e coordenador da pós-graduação em Medicina Aeroespacial da Escola Superior do Ar Rolland de Souza explica que as Rotas Especiais de Helicópteros funcionam como corredores definidos para organizar o tráfego dessas aeronaves em voo visual. Segundo ele, as rotas estabelecem trajetos e referências que permitem aos pilotos e controladores saber onde as aeronaves estão e ajudam a manter a separação entre elas.
— Essas rotas e posições são referências no voo visual criadas para formar um corredor de voo virtual, uma espécie de estrada no ar. Dessa forma, todos os helicópteros seguem o mesmo caminho e respeitam altitudes pré-determinadas para evitar colisões em voo — explica.
Na avaliação do especialista, a decisão de rever as rotas é prudente diante da sequência de ocorrências. Ele destaca que, como as Regras de Voo Visual preveem procedimentos de comunicação e autocoordenação entre os pilotos, há necessidade de avaliar se elas estão sendo cumpridas e se os procedimentos existentes continuam adequados.
— Tivemos números inaceitáveis de acidentes aéreos com helicópteros no município em um intervalo muito curto de tempo. Isso não é normal. Acredito que a Anac e a FAB tomaram a decisão correta. Na dúvida, o correto é suspender tudo preventivamente até que se tenha uma resposta confiável sobre as causas desses acidentes. Se as regras aplicadas aos voos panorâmicos no espaço aéreo do Rio de Janeiro deixaram de ser eficazes, precisamos entender o motivo: os pilotos não estão cumprindo as normas, as regras estão desatualizadas ou há outro fator envolvido?
Em nota, o Decea afirmou que, dentro de suas competências, mantém o compromisso com a segurança e a fluidez da navegação aérea.
FAB altera rotas de helicópteros no Rio após série de acidentes
