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novembro 4, 2026
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Falta d’água leva bares e restaurantes de Botafogo a comprar galões para manter funcionamento

Por · novembro 4, 2026
Falta d’água leva bares e restaurantes de Botafogo a comprar galões para manter funcionamento


Bares e restaurantes da Rua Nelson Mandela, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, enfrentam dificuldades para manter o funcionamento nesta quarta-feira devido à falta d’água provocada pela manutenção do Sistema Guandu — responsável pelo abastecimento de cerca de 9 milhões de pessoas na capital e na Baixada Fluminense. Para não fechar as portas, os estabelecimentos estão recorrendo à compra de galões de água e tentam manter o atendimento até o fim do dia.
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Gerente do Formato Vino & Forneria há dez anos, Elizabeth Noguti conta que, na noite de terça-feira, um funcionário já havia alertado sobre a possibilidade de interrupção no abastecimento em decorrência da operação. Na manhã desta quarta, o restaurante amanheceu com pouca água na caixa-d’água. Diante do cenário, a equipe avalia comprar galões para conseguir manter o funcionamento durante a noite.
— O movimento foi mais fraco hoje. A gente deu graças a Deus, porque ainda está com um pouquinho de água na caixa para poder encerrar a tarde. Estamos vendo de comprar galões para a noite — afirma.
A falta d’água também afetou a rotina de funcionários e moradores de outras regiões da cidade. Soraya Rodrigues, de 32 anos, assistente de Elizabeth, conta que o pai de seu filho, Miguel, de dois anos, precisou buscá-lo na creche porque a unidade ficou sem água. Com isso, ele teve que faltar ao trabalho para ficar com a criança. Moradora de Rio das Pedras, na Zona Sudoeste, Soraya relata ainda que diversos estabelecimentos da região não abriram ou encerraram o expediente mais cedo por causa da interrupção no abastecimento.
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No Quintal do Cafofo, também na Rua Nelson Mandela, o impacto já aparece nas despesas. O gerente Rodrigo Melo comprou 25 galões de água de 20 litros, a R$ 17 cada, o que representa um gasto inicial de R$ 425. Para manter o atendimento durante a noite, ele estima que precisará adquirir pelo menos outros 20 galões. Se a previsão se confirmar, a conta chegará a R$ 765.
— Num dia você vai gastar quarenta e cinco galões de água. Galão de 20 litros, só para quebrar um galho, é só para você conseguir funcionar — conta.
Aos 36 anos, o gerente afirma que soube da manutenção do Sistema Guandu por meio de portais de notícias. Mesmo diante da possibilidade de ficar sem água, decidiu abrir o estabelecimento durante o almoço, período que concentra o maior movimento e representa a principal fonte de lucro da casa.
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No mesmo estabelecimento, funcionários foram vistos, por uma equipe do GLOBO, carregando baldes com água para dentro do comércio, em uma tentativa de contornar os efeitos da interrupção no abastecimento.
Funcionário carrega balde com água para contornar falta d’água em restaurante na Rua Nelson Mandela, em Botafogo
Julia Fernandes/Agência O Globo
O Sindicatos dos Bares e Restaurantes do Rio (SindRio), recebeu, até às 14h, relatos de estabelecimentos ainda sem água, especialmente no Leblon e em Copacabana, assim como na Zona Norte.
“A falta de abastecimento pode comprometer rotinas essenciais e exigir ajustes no atendimento, na preparação dos alimentos e nos procedimentos de higiene”, diz a entidade, que acompanha os relatos do setor e espera que o abastecimento seja restabelecido o quanto antes.
Prédios e casas também estão sem água
A interrupção no abastecimento não afeta apenas os estabelecimentos comerciais. No início da tarde desta quarta-feira, moradores de prédios e casas também enfrentavam dificuldades para ter água. Na Rua São Clemente, em Botafogo, porteiros de edifícios, que preferiram não se identificar, relataram que as caixas-d’água deixaram de receber abastecimento ainda na noite de terça-feira. Em um dos prédios, os moradores foram orientados a economizar água nas atividades domésticas.
Na Zona Norte, o cenário é semelhante. Moradora de Irajá, Giulia Martinez conta que está sem água desde a manhã desta quarta-feira. A estudante de Publicidade e Propaganda relata que a região já havia enfrentado o rompimento de uma tubulação na segunda-feira. Desde o feriado, ela e os pais vinham economizando água para evitar problemas com o abastecimento. Com a manutenção do Sistema Guandu, no entanto, a interrupção acabou sendo inevitável.
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— Espero que [a água] volte logo, pois com essa onda de calor a situação fica ainda mais difícil — conta a jovem de 22 anos.
No Lins de Vasconcelos, também na Zona Norte, a podóloga Alcelane Trocado ainda não enfrenta a falta d’água diretamente, mas já percebe a redução no nível da caixa-d’água de casa. Caso o abastecimento não seja normalizado, ela considera comprar galões, ao menos para garantir água para consumo.
— A água já está voltando nos bairros próximos daqui, mas, se eu continuar sem água, vou ter que comprar galão, pelo menos para ter água para beber — relata.
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A Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) informou que às 17h desta quarta-feira que o Sistema Guandu voltou a operar com 100% da capacidade. Apesar da retomada total da produção, 51 bairros da Zona Norte do Rio, dois da Zona Sudoeste e um de Duque de Caxias seguirão com o abastecimento paralisado até pelo menos o fim da tarde, por conta de um serviço da Águas do Rio na Praça Seca, Zona Sudoeste.
*Estagiária sob supervisão de Giampaolo Morgado Braga.
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