Sabe aquela pressão que muita gente sente ao tentar fazer uma viagem perfeita, incluindo no roteiro todas as atrações e atividades que não podem ficar de fora (ao menos na opinião dos outros)? No ano que vem, ela ocupará menos lugar na bagagem dos turistas, conforme indica o “Relatório de Tendências 2027”, que acaba de ser divulgado pelo grupo Hilton. A pesquisa, realizada anualmente para apontar comportamentos, desejos e preferências dos viajantes, revela outras tendências em alta, como a de viagens com propósito de crescimento pessoal, uma conexão maior com o destino visitado e a valorização de dicas de pessoas de confiança (inclusive das mães).
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Com o título de “O grande reequilíbrio: como os viajantes esperam reiniciar e recalibrar em 2027”, o relatório aponta para uma vontade mais ampla de encarar a viagem de uma maneira mais suave, como explica o presidente e CEO da Hilton, Chris Nassetta.
— Estamos observando que os viajantes estão menos interessados na definição de perfeição de outras pessoas e mais focados em planejar viagens nos seus próprios termos. O relatório deste ano reforça que as pessoas buscam por experiências que se encaixem em suas vidas, que as ajudem a recarregar as energias e que criem significado duradouro muito além do retorno para casa — afirma o executivo.
Para realizar o relatório, foram ouvidas 14.744 pessoas maiores de 18 anos que pretendem viajar nos próximos 12 meses. A pesquisa foi feita entre 18 de maio e 1º de junho em 14 países: Brasil, Estados Unidos, México, Colômbia, Reino Unido, Alemanha, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Austrália, China, Índia, Japão e Coreia do Sul. De acordo com a Morning Consult, empresa contratada pela Hilton para a fazer a pesquisa, a margem da amostra total é de aproximadamente 1%, ou cerca de 3%, se levarmos em conta cada mercado individualmente.
O resultado foi condensado em cinco grandes tendências, que receberam os seguintes nomes no documento: “A era do ‘perfeitamente Imperfeito’, “A equação da confiança”, “Jornadas de crescimento”, “Wellness reimaginado” e o “Mindset das micro viagens”. Veja, a seguir, mais detalhes de cada uma delas:
1. ‘A era do perfeitamente imperfeito’
Em tempos de saturação com as redes sociais, mais da metade dos entrevistados (54%) afirma sofrer algum tipo de pressão para fazer “a viagem perfeita”, e 24% procuram acomodar as expectativas dos companheiros de viagem. Por isso, o relatório aponta uma vontade crescente de flexibilizar os planos, levando em consideração mais as próprias vontades. Entre os entrevistados, a porção de quem prefere deixar espaço para a espontaneidade (28%) é maior que a de quem aposta num roteiro fixo (18%).
O relatório aponta ainda que viajantes têm se incomodado menos em viajar sozinhos. E, para muitas pessoas, isso não significa necessariamente solidão. Trinta e um por cento dos entrevistados disseram que viajaram desacompanhados para encontrar amigos e familiares no destino, e 20% já contrataram excursões ou passeios em viagens que fizeram sem companhia.
2. ‘A equação da confiança’
Quem pretende viajar em 2027 tende a valorizar mais informações dadas por pessoas de confiança, aponta o relatório, em mais uma aparente reação a dilemas contemporâneos, como o uso de ferramentas de inteligência artificial na elaboração de roteiros de viagem. Nesse sentido, dicas de pessoas de carne e osso têm valido mais, especialmente quando vem de familiares próximos. Um a cada cinco viajantes sem filho, por exemplo, apontou a mãe como a melhor fonte de aconselhamento.
Funcionários dos hotéis também estão entre as pessoas mais confiáveis para buscar informações, na opinião de 70% dos entrevistados (um número maior que os 63% que costumam recorrer à IA). Essa percepção já estava no radar de Gali Ben Shanan, gerente geral do Waldorf Astoria Helsinki, cinco estrelas na capital da Finlândia que passou a ser administrado pelo grupo Hilton em meados de 2025, após dois anos funcionando como Hotel Maria.
— Quando assumimos o hotel, há pouco mais de um ano, tivemos a preocupação de manter praticamente todos os funcionários que lidam com o público, como recepcionistas, garçons e concierges, justamente porque sabemos que eles são importantes fontes de conhecimento sobre o destino para os nossos hóspedes — disse.
Metade dos entrevistados também afirmou levar em consideração a opinião de viajantes que ostentam status em programas de fidelidade, seja de redes hoteleiras ou companhias aéreas. Aliás, 29% dos participantes afirmaram tem inveja de quem tem status superior aos seus nestes programas.
3. ‘Jornadas de crescimento’
Para que serve uma viagem? Para um número cada vez maior de pessoas, segundo o relatório, viajar pode ser um catalisador de mudanças, grandes ou pequenas. Entre os entrevistados, 60% acreditam ter mais probabilidade de tomar decisões importantes após viajar. E três em cada quatro (76%) afirmaram que ter uma viagem marcada no calendário melhora a produtividade no trabalho nos dias que a antecedem.
Já 42% das pessoas ouvidas disseram que descobriram novos interesses e paixões durante uma viagem. Essa tendência é mais forte entre os jovens. O relatório aponta que turistas da geração Z são duas vezes mais abertos a começar um novo hobbie após uma viagem do que os Baby Boomers, por exemplo.
4. ‘Wellness reimaginado’
Quase dois terços (65%) dos entrevistados afirmaram que enxergam uma viagem como maneira de “reconfigurar” seu sistema nervoso, ou seja, se desconectar dos problemas cotidianos. E 76% das pessoas dizem que viajar permite “recarregar” sua energia de maneiras que não conseguiriam em casa. Para 34%, as viagens focadas em descanso e bem-estar ajudaram em seu crescimento ou mudança pessoal.
Destinos de natureza também são importantes, já que o ar fresco e o contato com a natureza são essenciais para 79% das pessoas relaxarem durante as viagens. E 54% do público acredita que passa mais tempo imerso na natureza quando viaja do que quando está em sua residência.
5. Mindset das micro viagens
Entre os dados encontrados pela pesquisa neste sentido, está este: p67% gostam de planejar viagens que permitam vivenciar muitas experiências em pouco tempo, enquanto 63% preferem se hospedar em locais centrais, com muitas opções de atividades por perto. Esse é o plano para o ano que vem de pelo menos 24% das pessoas entrevistadas.
A pesquisa descobriu que 67% gostam de planejar viagens que permitam vivenciar muitas experiências em pouco tempo, enquanto 63% preferem se hospedar em locais centrais, com muitas opções de atividades por perto. Pouco mais da metade (55%) acha que está desperdiçando tempo de viagem se o roteiro não estiver muito bem planejado, e 57% gostam de visitar mais de uma cidade mesmo tendo pouco tempo.
O relatório também mostra que o conceito de “viagem curta” varia de acordo com a origem do turista. Nos Estados Unidos, 88% das pessoas consideram uma viagem curta quando ela tem menos de três a quatro dias. Já para 35% dos brasileiros e 86% dos japoneses, o termo é usado para períodos de até dois dias. Ou mesmo entre cinco e seis dias, no caso de 29% dos viajantes da Arábia Saudita e 26% dos entrevistados na Alemanha.
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