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Festival na UFF reúne shows, exposições, cortejos e encontros com mestres da cultura popular

Por uma semana, a Universidade Federal Fluminense (UFF) vai se transformar em ponto de encontro de diferentes territórios, saberes e manifestações culturais. De quarta-feira ao dia 22, o Centro de Artes UFF recebe a 15ª edição do Interculturalidades, que este ano tem como tema “A roda do mundo: mestres, encantados e cazumbás”. Com entrada gratuita, […]

Festival na UFF reúne shows, exposições, cortejos e encontros com mestres da cultura popular


Por uma semana, a Universidade Federal Fluminense (UFF) vai se transformar em ponto de encontro de diferentes territórios, saberes e manifestações culturais. De quarta-feira ao dia 22, o Centro de Artes UFF recebe a 15ª edição do Interculturalidades, que este ano tem como tema “A roda do mundo: mestres, encantados e cazumbás”. Com entrada gratuita, o festival reúne shows, espetáculos teatrais, exposições, oficinas, rodas de conversa, performances, cortejos e encontros com mestres e mestras da cultura popular.
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Entre os destaques estão os shows de Tiganá Santana, Juliana Linhares, Anastácia e Slipmami, além de nomes como o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, o Teatro Oficina Uzina Uzona e artistas indígenas da mostra “Jaguaretê — Reantropofagias da cena”. A programação se divide em dois eixos: o encontro de mestres e mestras de diferentes regiões e tradições do estado do Rio, com saberes transmitidos entre gerações, e a mostra dedicada ao teatro indígena, que utiliza a cena como espaço de retomada, memória e afirmação de narrativas próprias.
— Essa edição procura criar ressonâncias entre dois núcleos de ancestralidades, a roda dos mestres nos coloca diante de uma multiplicidade viva da cultura e a mostra Jaguaretê de teatro indígena ativa outras percepções, que reorientam o sentido da vida contemporânea. É para essas experiências, marcadas por resistências, memórias e possibilidades de transformação, que queremos trazer o público — afirma Leonardo Guelman, superintendente do Centro de Artes UFF, que fica na Rua Miguel de Frias, 9, em Icaraí.
A abertura, na quarta, terá o espetáculo “Boi das águas escondidas”, da Companhia Mãos Calejadas, criado a partir de uma residência artística no Centro de Artes UFF e baseado no auto do bumba-meu-boi. Na sequência, apresentam-se as Caixeiras do Divino, grupo de percussionistas e cantoras que conduzem os rituais da Festa do Divino Espírito Santo no Maranhão. O primeiro dia termina com o Mestre Cidel e um set de reggae maranhense da Casa Roots.
Na quinta, a mesa “Metamorfoses urbanas: corpos, batalhas e brincadeiras” discute hip-hop, bate-bolas, macacos e outras formas de ocupar e transformar a cidade. À noite, Slipmami divide o palco com Helena Peres, Ian Travassos, Mari Torquato e Pendrivor.
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Na sexta-feira, a mesa “Políticas públicas — Arte do saber-fazer e territórios” reúne os secretários de Cultura de Santo Antônio de Pádua, Niterói, Nova Friburgo, Angra dos Reis e Volta Redonda para discutir o acesso de mestres e coletivos às políticas culturais e a preservação de saberes tradicionais. A conversa será mediada por Guelman e pelo advogado, professor e pesquisador de direitos culturais Mário Pragmácio.
Ainda na sexta, o Mestre Ogã Kotoquinho participa da aula aberta “A mestria na universidade: O tambor que fala”, ao lado de professores, pesquisadores e outros mestres. À noite, Denilson Baniwa e Zahy Tentehar participam da mesa “Artes indígenas: outros mundos em cena”, sobre o protagonismo indígena nos processos de criação, produção, curadoria e circulação artística.
A roda dos mestres
No sábado, mestres e mestras de diferentes tradições compartilham histórias e saberes na universidade. A roda reúne representantes do jongo, caxambu, cultura caiçara, terreiro, boi, samba e reisado, entre outras manifestações. Cada participante leva um objeto de memória relacionado ao próprio saber-fazer, usado como ponto de partida para falar de origens, territórios, aprendizagens e transmissão de conhecimentos.
Participam Mestra Fatinha, do Jongo do Pinheiral; Mestre Nico, do Caxambu de Pádua; Mestra Noinha, do Jongo de Campos dos Goytacazes; Mestre Geraldinho; Mestre Biano; Mestras Maria Luiza e Marcela, de Nova Friburgo; Mãe Célia e Pai Cid, de Volta Redonda; Mestre Chico, pescador de Itaipu, em Niterói; Mestre Kotoquinho, da Baixada; Mestra Marilda, de Angra; Mestre Cidel Trindade, de Niterói; Juninho, Deodoro e Preta, de Pádua; Geisa Keti, do samba; Cacique Miro, de Angra; e Mestre Dedé, do Reisado de Juazeiro do Norte. A mediação será de Zé Nilton e Edmilson Santini.
O brasileiro Tiganá Santana fará show com canções em línguas africanas na noite de sábado (19)
Divulção/José de Holanda
À noite, Tiganá Santana, músico, diretor artístico e pesquisador, sobe ao palco. Ele foi o primeiro compositor brasileiro a lançar um álbum com canções em línguas africanas.
— Para mim é uma alegria imensa fazer parte do Festival Interculturalidades, sobretudo por se tratar de um acontecimento que homenageia mestras e mestres das culturas populares, dos diversos saberes e dimensões de encantamento, sejam elas assentadas nas vertentes ameríndias e indígenas ou construídas pelas presenças afro-brasileiras. É uma alegria também estar em Niterói, em uma universidade tão significativa e importante como a UFF. Já estive aqui para eventos acadêmicos, mas nunca como artista. Preparei canções que passeiam pelos meus álbuns e que penso terem a ver com o Estado do Rio de Janeiro atravessado pelas fundadoras presenças afro-brasileiras. Espero que nós todos dancemos, no sentido mais amplo da palavra, juntos, e nos conectemos com aquilo que é nosso — afirma Tiganá.
No domingo, a roda de mestres discute diferentes formas de cuidar da vida, de práticas relacionadas ao corpo e ao uso de plantas a rituais, cantos, danças, festas e outras formas de fortalecimento comunitário. À noite, Anastácia, conhecida como “rainha do forró” e ex-parceira musical e mulher de Dominguinhos, divide o palco com Juliana Linhares.
A cantora, que já se apresentou no Centro de Artes UFF com a banda Pietá e em seu trabalho anterior, destaca a relação com a universidade e com a cidade
— Tenho uma relação muito afetiva com a UFF e com Niterói. Já toquei aqui com a Pietá e mostrei meu disco anterior. Voltar agora, recebendo Anastácia, é especial. Venho da Unirio e gosto muito de estar no ambiente universitário, que é um espaço de formação, pensamento e encontro. Poder ainda fazer isso com shows gratuitos para a comunidade reforça para mim a importância da universidade pública como espaço de acesso à cultura — afirma a artista.
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Na segunda-feira, dia 21, Eduardo Viveiros de Castro e Solange Teia dos Povos participam da mesa “Quantos mundos cabem num mundo?”, com mediação de Ana Paula Morel, sobre diferentes formas de existência no mundo e outros modos de relação com ele. O dia também terá a performance “Transmutação”, de Olinda Tupinambá e Ziel Karapotó, que aborda a relação entre corpo e território, seres humanos e não humanos e o conceito de “Florestania”; e o espetáculo “Ser-humanos”, solo inspirado em cosmologias Baniwa que reúne memórias e narrativas ancestrais de mulheres indígenas e trata de ancestralidade, bem-viver e continuidade da vida.
Teatro Oficina encerra
Já na terça, dia 22, o Teatro Oficina Uzina Uzona, em parceria com artistas indígenas, encerra o festival com uma leitura encenada de trechos de “A queda do céu”. A dramaturgia é de Zé Celso e Fernando de Carvalho, com Felipe Botelho, Pedro Felizes e Roderick Himeros, a partir do livro de Davi Kopenawa e Bruce Albert. A encenação foi retomada após a morte de Zé Celso, em 2023.
A 15ª edição do Interculturalidades é realizada pela UFF, por meio do Centro de Artes UFF e da Fundação Euclides da Cunha, e pelo Ministério da Cultura, por meio da Política Nacional Aldir Blanc, com apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro e patrocínio da prefeitura de Niterói, por meio da Secretaria municipal das Culturas. A programação completa está disponível no perfil @centrodeartesuff.
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Autor

BRCOM