A construção de uma relação de confiança entre pais e filhos começa muito antes de a criança conseguir expressar seus pensamentos com clareza. Conversar, explicar decisões e demonstrar interesse pelo que os pequenos têm a dizer são atitudes que podem fazer parte da rotina familiar desde os primeiros anos de vida. Foi sobre essa experiência que Bianca Andrade falou com os seguidores ao compartilhar detalhes da convivência com Cris, seu filho com Fred Bruno.
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Em um vídeo publicado no Instagram, a empresária contou que sempre procurou conversar com o menino, inclusive quando ele ainda era bebê. A ideia era explicar situações do cotidiano e apresentar os motivos por trás das orientações, em vez de apenas determinar o que ele deveria fazer. Segundo Bianca, esse hábito contribuiu para estabelecer uma dinâmica de confiança entre os dois.
Um episódio relatado pela influenciadora ilustra essa relação. Ao pedir um brigadeiro, Cris não insistiu nem fez birra. Em vez disso, lembrou à mãe que ela havia prometido o doce antes de eles irem embora. A situação chamou atenção pela maneira como a criança apresentou seu argumento e trouxe à tona uma discussão sobre o papel da comunicação no desenvolvimento infantil.
Para a neurocientista e analista emocional Telma Abrahão, especialista em traumas, o diálogo na infância vai além da transmissão de informações. É também uma oportunidade para a criança aprender a expressar opiniões, reconhecer sentimentos e compreender as relações ao seu redor.
“Quando os pais conversam com os filhos desde pequenos, estão ensinando muito mais do que palavras. Estão mostrando que aquela criança tem espaço para se expressar, fazer perguntas, apresentar suas ideias e ser ouvida. Isso contribui para a construção de uma relação de confiança. A criança começa a perceber que não precisa recorrer ao grito ou à birra para conseguir a atenção dos pais, porque existe um canal de comunicação aberto entre eles”, explica.
Bianca Andrade fala sobre criação do filho e levanta debate sobre limites e diálogo
Reprodução Instagram
Conversar também significa estabelecer limites
Uma relação baseada no diálogo não elimina a necessidade de regras e orientações. Crianças também precisam aprender a lidar com negativas, respeitar combinados e compreender que nem todos os desejos podem ser atendidos. A diferença está na maneira como os adultos conduzem essas situações.
Segundo Telma, ouvir os filhos não significa permitir que façam tudo o que querem. É possível acolher uma frustração e, ao mesmo tempo, manter uma decisão. Quando os pais apresentam os motivos de determinada orientação, ajudam a criança a compreender os limites, em vez de associar a obediência exclusivamente ao medo de uma punição.
“Existe uma confusão muito grande entre educar com respeito e deixar a criança fazer tudo o que deseja. Não é a mesma coisa. Os limites continuam sendo necessários, mas podem ser estabelecidos sem humilhação, ameaças ou gritos. Quando explicamos o motivo de uma decisão, ajudamos a criança a desenvolver compreensão, e não apenas obediência pelo medo. Educar também é preparar essa criança para fazer escolhas e lidar com frustrações”, pontua.
Outro aspecto do relato de Bianca foi o reconhecimento de que nem sempre consegue manter a calma. A influenciadora admitiu que, em algumas ocasiões, perde a paciência e depois se arrepende da maneira como reagiu. A situação também ajuda a discutir uma dificuldade comum na parentalidade: como lidar com as próprias emoções enquanto se ensina uma criança a reconhecer as dela?
Para a especialista, reconhecer os próprios erros faz parte desse processo. Pais e mães não precisam acertar o tempo todo, mas podem mostrar aos filhos como assumir a responsabilidade por uma atitude e reparar situações em que ultrapassaram limites.
“Os pais não precisam ser perfeitos, e essa cobrança pode até aumentar o sentimento de culpa e o esgotamento. O que precisamos entender é que nossos filhos aprendem muito mais com aquilo que vivenciam do que com os discursos que fazemos. Se eu grito quando estou frustrada, por exemplo, estou ensinando uma maneira de lidar com a frustração. Mas, se consigo reconhecer que exagerei, pedir desculpas e tentar fazer diferente, também estou ensinando algo muito valioso. A criança precisa ter a oportunidade de aprender com adultos que também estão em processo de evolução”, afirma.
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Como a comunicação influencia o desenvolvimento emocional?
As experiências vividas durante a infância participam da construção da maneira como cada pessoa compreende os próprios sentimentos e estabelece vínculos. Por isso, a possibilidade de crescer em um ambiente no qual exista espaço para conversar, expressar desconfortos e buscar acolhimento pode contribuir para o desenvolvimento emocional.
Isso não significa evitar conflitos ou impedir que a criança passe por frustrações. Faz parte do crescimento aprender a lidar com situações desagradáveis, respeitar outras pessoas e compreender que existem limites. O papel dos adultos é oferecer orientação e segurança durante esse aprendizado.
“Não estamos falando de criar crianças que nunca vão se frustrar ou contrariar os pais. Estamos falando de crianças que possam crescer sabendo que suas emoções importam, que existem limites e que os conflitos podem ser resolvidos sem medo. A infância é uma fase muito importante para a construção da nossa maneira de nos relacionarmos com o mundo. O que oferecemos emocionalmente aos nossos filhos hoje pode fazer diferença na forma como eles vão se relacionar consigo mesmos e com outras pessoas no futuro”, conclui Telma.
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