O filho do embaixador israelense nos EUA foi ferido com gravidade durante um ataque na Cisjordânia, onde atuava como reservista em um posto de controle militar. De acordo com o governo de Israel, o homem acusado pela ação foi morto no local, e não há indícios de que esteja associado a organizações extremistas. O incidente ocorre em meio à crescente pressão internacional sobre a presença israelense na Cisjordânia, e na véspera de um já polêmico discurso do premier Benjamin Netanyahu na Assembleia Geral da ONU.
Apoio americano: Trump aprova venda de R$ 14,4 bilhões em armas a Israel, incluindo 40 mil bombas de uma tonelada
O GLOBO no Mundo: Receba as notícias internacionais direto no seu celular
Quer morar fora? Ferramenta do GLOBO reúne informações sobre custo e qualidade de vida, salários, vistos, oportunidades e características de 36 países
Neriya Leiter, um reservista do Exército, estava a bordo de um veículo em um posto de controle em via próxima ao assentamento judaico de Beit Horon, quando, de acordo com o serviço de emergência israelense, foi atingido por um carro em alta velocidade. O motorista, identificado como Mahmoud Mohammad Suleiman, um morador da região, foi morto por soldados que patrulhavam a área.
Em publicação na rede social X, Yechiel Leiter afirmou que seu filho “precisa de um milagre”, afirmando que ele serviu “serviu centenas de dias nas reservas em múltiplas frentes” desde os ataques do Hamas, de outubro de 2023, e após a morte de seu irmão, Moshe, naquele mesmo ano. Médicos dizem que Neriya sofreu ferimentos na cabeça, está inconsciente e em estado grave.
“Yechiel, eu te fortaleço, assim como a tua família, e rezo junto com todo o povo de Israel pela cura do teu filho. Eu louvo os bravos soldados que eliminaram o terrorista”, escreveu no X o ministro da Defesa, Israel Katz, acrescentando que “não permitiremos que o terrorismo levante sua cabeça”.
Pressão sobre civis: Palestinos são orientados a deixar casas em vilas sitiadas por colonos na Cisjordânia; embaixador dos EUA critica cerco
Representantes da Autoridade Nacional Palestina afirmaram ao jornal Haaretz que o corpo de Suleiman foi levado pelos militares, e que não havia indícios de afiliação com grupos extremistas. Sem assumir a autoria, o Hamas elogiou o que chamou de “operação heróica”, instando os palestinos a “intensificar a resistência em todas as suas formas e por todos os meios, confrontando a ocupação e seus colonos em cada centímetro de nossa terra ocupada”.
Desde os ataques do Hamas de 2023 e o estouro da guerra em Gaza, a Cisjordânia entrou em uma espiral sem fim de violência envolvendo a população palestina e os colonos israelenses, que muitas vezes contam com a proteção do Exército. Números oficiais apontam que mais de 1,1 mil civis palestinos foram mortos nos últimos três anos, enquanto 75 civis e militares israelenses perderam a vida no mesmo período. Os incidentes incluem invasões de áreas urbanas palestinas, ataques contra residências e mesquitas em vilarejos árabes e ações contra colonos e forças de segurança.
Análise: Com pressão sobre Israel por colonos na Cisjordânia, Europa marca nova divergência com os EUA
Em outra face da crise, o ritmo do avanço dos assentamentos judaicos, considerados ilegais pelas leis internacionais, acelerou sob o governo de Benjamin Netanyahu, que tem aliados dos colonos em seu Gabinete de governo, incluindo o mais notório deles, Bezalel Smotrich, ministro das Finanças e defensor da anexação total da Cisjordânia, movimento rejeitado até pelos EUA. Em resposta, vários países anunciaram sanções contra líderes dos assentamentos e o boicote de produtos vindos de colônias judaicas, como o implementado no início do mês pelo governo do Reino Unido.
O ataque ocorreu na véspera de um já polêmico discurso de Netanyahu na sessão de Debates Gerais da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Em mensagem de vídeo, divulgada na terça-feira, o premier disse que “vai contar a verdade” sobre as ações dos militares israelenses em Gaza e na Cisjordânia, e deve reservar ataques pessoais ao prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. O democrata já defendeu a execução da ordem internacional de prisão contra Netanyahu, emitida pelo Tribunal Penal Internacional, e na segunda-feira o acusou de ser “um criminoso de guerra e o arquiteto de um genocídio horrendo do povo palestino”.
Filho de embaixador israelense nos EUA é ferido com gravidade em ataque na Cisjordânia
