Quando se fala nos sintomas da menopausa, os calorões costumam ocupar o centro da conversa. Nas redes sociais, porém, mulheres acima dos 40 anos têm chamado atenção para outras mudanças que podem surgir durante a transição hormonal, entre elas a queda de cabelo e a perda de volume dos fios. Flávia Alessandra, de 52 anos, entrou nesse debate recentemente ao compartilhar com as seguidoras algumas das transformações que percebeu nessa fase.
Menopausa: o que acontece com a pele quando os hormônios mudam?
Menopausa, hormônios e longevidade: por que o tema ganhou novo espaço entre mulheres
Ao comentar relatos recebidos nas redes, a atriz contou ter notado “um pouco de queda de cabelo”, além de mudanças na pele. Em outras ocasiões, ela também já havia mencionado insônia, cansaço e dores articulares, sintomas que inicialmente não relacionava à transição hormonal. A experiência ajuda a trazer para a conversa uma questão menos lembrada quando o assunto é menopausa: as alterações dessa fase também podem aparecer nos cabelos.
Flávia Alessandra fala sobre mudança nos cabelos durante a menopausa; entenda
Divulgação TV Globo
A ginecologista Giovana Brunet, especialista em saúde integral da mulher e menopausa pela Harvard Medical School, explica que as oscilações hormonais podem repercutir em diferentes tecidos, incluindo pele e cabelos. Isso, no entanto, não significa que toda mulher terá alterações capilares ou que qualquer queda nessa faixa etária esteja necessariamente ligada à menopausa.
“Quando falamos em menopausa, ainda existe uma tendência de resumir tudo aos fogachos e à interrupção da menstruação, mas a transição hormonal é muito mais ampla. Alterações nos níveis hormonais podem repercutir na pele e nos cabelos e algumas mulheres começam a perceber fios mais finos, mudança de textura ou redução de volume. Isso não significa que toda mulher terá queda de cabelo na menopausa, nem que qualquer queda depois dos 40 seja hormonal. É justamente por isso que precisamos olhar para a paciente de forma integral”, ressalta.
Queda e afinamento não são a mesma coisa
Diante do espelho, é fácil colocar diferentes alterações capilares na mesma categoria. Mas perceber mais fios no banho ou na escova é diferente de notar que o cabelo está ficando progressivamente mais fino ou menos denso.
Em alguns casos, a mudança aparece no volume geral. Em outros, a risca central fica mais larga e o couro cabeludo passa a ficar mais visível, mesmo sem um aumento significativo na quantidade de fios perdidos.
A dermatologista e tricologista Angélica Pimenta, fundadora e CEO da Clínica Caiena, destaca que identificar o padrão da alteração é um dos primeiros passos para entender sua origem.
“Quando uma mulher chega dizendo que o cabelo está caindo, precisamos entender o que realmente está acontecendo. Existe queda aumentada? Os fios estão ficando progressivamente mais finos? Houve perda de densidade? A risca do cabelo aumentou? São situações que podem ter causas diferentes. A transição hormonal pode participar desse processo, mas também precisamos investigar fatores nutricionais, metabólicos, doenças do couro cabeludo, medicamentos, estresse, emagrecimento acelerado e predisposição genética. Colocar tudo na conta da menopausa pode atrasar o diagnóstico de uma condição que precisa de tratamento específico”, alerta.
Nem toda queda depois dos 40 está ligada aos hormônios
A faixa etária em que muitas mulheres passam pela perimenopausa também coincide com o período em que outras condições podem surgir ou se tornar mais perceptíveis. Por isso, associar automaticamente uma alteração capilar à mudança hormonal pode levar a uma conclusão precipitada.
A ginecologista e obstetra Núbia Fontes recomenda considerar os demais sinais apresentados pela paciente antes de estabelecer uma relação entre os sintomas.
“Se uma paciente percebe queda de cabelo justamente nessa fase, não devemos concluir automaticamente que a causa é a menopausa. Precisamos entender se existem alterações menstruais, sintomas associados, mudanças recentes de peso, alimentação, sono, estresse, uso de medicamentos e outras condições clínicas. O cabelo pode funcionar como uma pista de que alguma coisa mudou no organismo, mas essa pista precisa ser interpretada dentro do contexto de cada mulher”, afirma.
Entre os fatores que podem entrar nessa avaliação estão alterações da tireoide, deficiências nutricionais e mudanças metabólicas. O histórico dos meses anteriores também importa, já que o ciclo dos fios responde a acontecimentos que podem ter ocorrido algum tempo antes.
“O fio que vemos hoje reflete processos que começaram meses antes. Quando existe uma mudança importante no ciclo capilar, precisamos olhar para o que aconteceu com aquela paciente nesse período. Perda rápida de peso, restrição alimentar, deficiência de nutrientes, alterações metabólicas e hormonais podem interferir na saúde dos fios. Por isso, simplesmente comprar um suplemento porque outra mulher de 40 ou 50 anos disse nas redes que funcionou para ela não resolve a causa e ainda pode mascarar a necessidade de uma investigação adequada”, alerta o médico Vagner Chiapetti.
Quando o transplante capilar entra em discussão?
A redução de densidade também pode levar a outra dúvida: seria possível recuperar o volume por meio de um transplante capilar?
A resposta depende da causa. Antes de considerar uma cirurgia, é necessário identificar o motivo da perda e avaliar a evolução do quadro. Uma queda temporária não tem a mesma abordagem de condições em que os fios passam por um processo progressivo de afinamento.
Em casos selecionados, quando há uma alopecia estabelecida e indicação adequada, o transplante pode fazer parte das opções de tratamento. Não é, porém, uma solução automática para toda mulher que percebe mudanças no cabelo durante ou após os 40 anos.
Quando procurar avaliação
Uma alteração pontual não significa necessariamente que exista um problema de saúde. O sinal de alerta está na persistência da queda, no afinamento progressivo, no alargamento da risca ou na maior exposição do couro cabeludo. A presença de outros sintomas também pode ajudar a identificar o que está por trás da mudança.
Nesse cenário, o relato de Flávia Alessandra ajuda a ampliar a conversa sobre a menopausa para além dos calorões e das alterações menstruais. O cabelo também pode passar por transformações durante essa fase, mas cada caso precisa ser avaliado individualmente. Nem toda mudança nos fios tem origem hormonal, e entender a causa é o primeiro passo para definir o cuidado adequado.
Flávia Alessandra chama atenção para queda de cabelo; entenda o que muda nos fios na menopausa
Quando se fala nos sintomas da menopausa, os calorões costumam ocupar o centro da conversa. Nas redes sociais, porém, mulheres acima dos 40 anos têm chamado atenção para outras mudanças que podem surgir durante a transição hormonal, entre elas a queda de cabelo e a perda de volume dos fios. Flávia Alessandra, de 52 anos, […]