Flávio Bolsonaro (PL) recebeu nesta terça-feira o apoio do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) em um ato de campanha em Goiânia, mas evitou confirmar a possibilidade de levar o aliado para um ministério em um eventual governo. Durante o discurso, apoiadores começaram a gritar “Caiado ministro”, e o candidato respondeu destacando a convergência entre os dois na área de segurança pública, sem fazer qualquer promessa sobre a composição de sua eventual equipe.
— Vocês começaram a gritar ministro, né? Esse apoio que eu estou recebendo do Caiado é muito mais do que política, é sentimental. Vocês gritam pedindo que ele seja ministro porque nós temos muitos pontos convergentes. A gente concorda em 115% — afirmou Flávio.
Na sequência, o candidato disse que pretende se inspirar nas políticas de segurança adotadas por Caiado em Goiás e pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que também participou do ato.
— Vou me inspirar muito na segurança pública de Goiás e de São Paulo, porque, se tem uma coisa que a gente vai fazer como presidente, é uma coisa que você fez aqui: a gente vai arregaçar com vagabundo — disse.
Flávio também prometeu construir 500 mil novas vagas no sistema prisional, aumentar as penas para chefes de facções criminosas e classificar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas.
O ato reuniu, além de Caiado e Tarcísio, o governador eleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), a senadora eleita por Goiás Gracinha Caiado (União), o deputado Gustavo Gayer (PL-GO), o senador Rogério Marinho (PL-RN), o senador Wilder Morais (PL-GO), prefeitos do estado e outros políticos da região.
O apoio de Caiado foi formalizado dois dias depois do primeiro turno, quando Flávio terminou a votação em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Caiado ficou em quinto lugar, com 2,18%.
A manifestação de Caiado ocorre depois de o PSD, partido presidido nacionalmente por Gilberto Kassab, que foi vice na chapa do ex-governador, decidir manter neutralidade no segundo turno e liberar seus filiados para apoiar qualquer um dos candidatos.
A decisão de Caiado também marca uma mudança em relação à postura adotada durante boa parte da campanha. O ex-governador fez críticas públicas a Flávio e, em setembro, afirmou que o candidato era um “mentiroso” e que “não tem compromisso com a verdade”.
Durante o ato desta terça-feira, Caiado comentou as críticas anteriores e afirmou que elas ficaram para trás.
— Ah, mas o Caiado foi duro com o Flávio. Eu sou duro com todos. Mas acabou. Eu vou estar com você de corpo inteiro e com convicção — afirmou.
Os ataques a Flávio foram tema de discussões nos bastidores da campanha de Caiado. No início da corrida presidencial, o ex-governador adotou uma estratégia de evitar ataques diretos ao candidato do PL, apesar de os dois disputarem espaço no campo da direita.
Com a entrada de Marcos Carvalho na campanha, Caiado passou a fazer críticas mais duras ao candidato do PL. Carvalho havia trabalhado anteriormente na campanha de Flávio.
Agora, dois dias depois do primeiro turno, Caiado passou a apoiar o candidato que havia escolhido como um dos alvos de sua campanha. Apesar do aceno público e da presença do ex-governador no ato, Flávio não confirmou se ele ocupará um ministério ou qualquer outro cargo em um eventual governo.
Flávio recebe coro por Caiado ministro, mas evita confirmar ex-governador em eventual governo
