Quatro pessoas morreram durante o combate a incêndios florestais na Indonésia, que provocaram uma onda de fumaça e elevaram os níveis de poluição do ar no Sudeste Asiático. As chamas atingiram o Parque Nacional Bromo Tengger Semeru, na ilha de Java, na quinta-feira (15), segundo o Ministério das Florestas indonésio. Outras duas pessoas sofreram queimaduras graves. A fumaça também levou ao fechamento de escolas e instalações esportivas em países vizinhos.
Veja também: Seca severa atinge regiões do sul da Inglaterra após período considerado ‘o mais seco em mais de um século’
Leia mais: Com ‘intensidade excepcional’, El Niño é ameaça ‘aterradora’ para corais, diz especialista
A crise levou o governo de Singapura a ameaçar adotar medidas judiciais contra empresas suspeitas de contribuir para a poluição transfronteiriça. Na sexta-feira (16), a cidade-Estado apareceu no topo do ranking em tempo real das cidades mais poluídas do mundo elaborado pela empresa suíça IQAir. Kuala Lumpur, capital da Malásia, ocupava a segunda posição, enquanto Jacarta, capital indonésia, estava em sexto lugar.
— Quando for justificado, tomaremos medidas com base na Lei sobre Poluição Transfronteiriça por Névoa de Singapura e também exploraremos ações conjuntas com outros países — afirmou o primeiro-ministro singapuriano, Lawrence Wong.
O índice de qualidade do ar em Singapura chegou a 251 durante a madrugada de sexta-feira, nível classificado como muito insalubre pela IQAir. A escala considera insalubres os valores entre 151 e 200, muito insalubres os de 201 a 300 e perigosos os superiores a 300.
— Não podemos controlar o clima nem os ventos, tampouco o que acontece diretamente além das nossas fronteiras. Mas faremos todo o possível para proteger os moradores de Singapura, enquanto trabalhamos com nossos vizinhos para enfrentar as causas profundas da névoa — disse Wong.
Pressão sobre empresas
Embora Singapura não tenha plantações nem grandes áreas florestais, diversas empresas que operam na Indonésia têm sede na cidade-Estado. O governo singapuriano aprovou, em 2014, uma lei que permite responsabilizar companhias cujas atividades no exterior provoquem ou contribuam para níveis insalubres de poluição por fumaça no território nacional.
A legislação foi criada após uma grave crise de poluição em 2013. Um novo episódio, em 2015, também provocou tensões diplomáticas entre Singapura e a Indonésia. As investigações sobre quatro empresas indonésias suspeitas de envolvimento naquela crise continuam abertas.
A responsabilização, no entanto, enfrenta obstáculos. As apurações dependem da cooperação de autoridades estrangeiras e do compartilhamento de informações sobre a localização dos focos de incêndio. Disputas territoriais também dificultam a identificação das áreas responsáveis pela fumaça.
Escolas fechadas e distribuição de máscaras
Na Malásia, a poluição provocada pelos incêndios levou ao fechamento de escolas e instalações esportivas, além da distribuição de máscaras à população. Em Timor-Leste, centros de ensino também precisaram suspender as atividades.
Em Kuala Lumpur, a fumaça reduziu a visibilidade em pontos turísticos. Nas grutas de Batu, um santuário hindu situado a cerca de 15 quilômetros da capital malaia, o guia turístico Diddy Hamidon descreveu o impacto da poluição.
— Não se vê nada — afirmou. Ele também cobrou providências do governo indonésio.
Os incêndios florestais representam um risco recorrente para a qualidade do ar na região, onde a fumaça pode atravessar fronteiras e afetar milhões de pessoas. Em comunicado, o Ministério das Florestas da Indonésia destacou os perigos enfrentados pelas equipes que atuam no combate às chamas.
— O incidente serve como um lembrete de que o combate aos incêndios florestais é uma operação de alto risco — afirmou a pasta.
Incêndios na Indonésia deixam quatro mortos e provocam névoa tóxica no Sudeste Asiático
