Alvo de uma ação de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF), nesta quinta-feira (10), por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, a empresária Karina Ferreira da Gama, dona do Instituto Conhecer Brasil, é investigada em outro inquérito, pela Polícia Civil de São Paulo, pelo contrato de sua ONG com a prefeitura, no valor de R$ 157 milhões, para a instalação de 5 mil pontos de wi-fi públicos na cidade.
A suspeita é que parte do valor tenha sido direcionada para outra empresa de Karina, a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, que conta a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A obra foi patrocinada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Iniciado em março, o inquérito paulista teve sua prorrogação de 90 dias autorizada pela Justiça. A decisão, de 31 de agosto, também versa sobre um pedido da Polícia Civil para que possa ter acesso aos dados financeiros de Karina e suas empresas, mas a medida não foi autorizada. O motivo foi a ausência de indícios que apontem a necessidade da quebra do sigilo, pois o delegado do caso não individualizou seus elementos de prova no processo.
“O requerimento final limita subjetivamente a providência ao Instituto Conhecer Brasil – ICB e a Karina Ferreira da Gama e estabelece como marco temporal inicial o dia 20 de junho de 2024. Entretanto, postula genericamente o fornecimento de relatórios detalhados sobre as movimentações atípicas e comunicações de operações suspeitas, sem indicar suficientemente quais operações, pessoas jurídicas, relações negociais ou fluxos financeiros relacionados ao objeto específico do inquérito deverão orientar a pesquisa perante o COAF”, afirma a Justiça, em decisão obtida pelo GLOBO. O caso está em sigilo.
Na decisão, o juiz afirma que a polícia solicitou à prefeitura mais informações sobre o contrato, mas que ainda não havia anexado os dados ao processo quando pediu acesso às informaçõdo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Moradora da Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, Karina é ligada ao deputado federal Mario Frias (PL-SP), que assina o roteiro do filme e também alvo da operação da PF desta quinta. Ela possui em seu nome cinco empresas — além da ONG e da produtora, tem a Conhecer Brasil Assessoria, a Upcon Serviços Especializados Ltda. (com filial em Goiás) e a Academia Nacional de Cultura.
O contrato com a prefeitura de Ricardo Nunes (MDB) começou a ser executado em 2024 e deveria atingir os 5 mil pontos de wi-fi em 2025, mas no momento tem 3,2 mil instalações na capital paulista. Na ocasião da abertura do inquérito, a prefeitura afirmou, em nota, “que a produção do filme citado não recebeu recursos municipais e qualquer relação entre a contratação do Instituto Conhecer Brasil e a produção cinematográfica é descabida. O contrato do ICB foi fechado em junho de 2024, pelo menos um ano antes do início da produção do filme”, disse a gestão Nunes, em nota.
Entenda as investigações sobre Dark Horse
Além da investigação em São Paulo, há no STF duas apurações distintas sobre o financiamento ao filme. A operação desta quinta tem relação com emendas parlamentares e está sob a relatoria de Dino.
Esse inquérito foi aberto após parlamentares relatarem ao ministro que deputados aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro destinaram, ao todo, R$ 2,6 milhões em emendas Pix em 2024 à ONG de Karina da Gama. São investigados, entre outros, repasses indicados por Mário Frias, que nega irregularidades.
Assim, a investigação apura o possível desvio de recursos públicos para empresas ligadas à produção do filme. Dino autorizou que a PF tenha acesso a dados apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo, que já havia realizado uma operação de busca e apreensão nos mesmos endereços das ações desta quinta.
Outra investigação, cujo relator é o ministro André Mendonça, é um desdobramento do caso Master e começou após a revelação de conversas em que Flávio cobra repasses do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Mensagens mostraram que o presidenciável do PL pediu R$ 130 milhões a Vorcaro para o filme, dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos.
Foi, então, aberta uma investigação para apurar se o dinheiro do banco Master, envolvido em fraudes milionárias, teria sido encaminhado para a produtora do filme, via um fundo sediado nos Estados Unidos. O inquérito também se debruça sobre a natureza da relação entre o banqueiro e Flávio. Há ainda a suspeita de que as verbas tenham bancado gastos no exterior do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos.
Nesta semana, Mendonça homologou a delação premiada do operador do mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro. O empresário é dono da Entre Investimentos e Participações, usada para repasses de dinheiro entre o banqueiro Daniel Vorcaro e a produção de “Dark Horse”.
Investigação em SP sobre produtora de 'Dark Horse' teve negativa da Justiça para quebra de sigilo de empresária Karina da Gama
Alvo de uma ação de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF), nesta quinta-feira (10), por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, a empresária Karina Ferreira da Gama, dona do Instituto Conhecer Brasil, é investigada em outro inquérito, pela Polícia Civil de São Paulo, pelo contrato de sua ONG com a prefeitura, […]