O Ministério das Relações Exteriores do Irã anunciou que se reunirá com autoridades de outros países do Golfo na segunda (14), em Omã, para discutir a situação no Estreito de Ormuz.
Em um comunicado nesta sexta (11), o ministério descreveu que o objetivo da reunião era o de “promover melhor entendimento entre os países da região e ajudar a fortalecer a segurança regional compartilhada”.
Devem participar do encontro o Iraque, além de outras nações costeiras do Golfo, como é o caso de Omã. O porta-voz do ministério, o diplomata Esmail Baghaei, adiantou que o “Irã permanece comprometido a garantir a segurança de navegação do estreito”, segundo a rede Al-Jazeera e a agência AFP.
Rotas de navegação no Estreito de Ormuz
Arte/ O GLOBO
Desde que EUA e Israel começaram a atacar o Irã, em fevereiro, o Estreito de Ormuz – corredor marítimo estratégico para o escoamento de um quinto de toda a produção mundial de petróleo – foi fechado por Teerã.
Há semanas, Irã e Omã – as duas nações banhadas pelo Estreito – discutem uma possível reabertura do corredor. No mês passado, os dois países concordaram em uma rota estabelecida para o gerenciamento provisório da região.
Há cerca de 20 dias, um novo progresso foi feito: o Iraque, que negociava há tempos o escoamento de sua produção de petróleo, conseguiu autorização iraniana para a passagem de seus navios. Em troca, Bagdá ofereceu sua lealdade ao vizinho.
O presidente iraquiano, Nizar Amidi, deixou claro durante a conferência Baghdad Dialogue que seu governo não aceitará que o território iraquiano seja usado para lançar ataques “a qualquer outro país”.
Para Amidi, ataques estrangeiros partindo do Iraque contra países da região “não têm nenhuma justificativa” e “todos têm interesse em evitar que o Iraque seja arrastado para a guerra em andamento na região”.
O preço do petróleo subiu em um pregão de verão com poucos negócios, enquanto os investidores avaliavam as novas tensões no Oriente Médio em relação aos sinais de que os embarques continuavam a ocorrer pelo disputado Estreito de Ormuz
Kaylee Greenlee/Bloomberg
Ele ainda queixou-se que as repercussões do conflito de EUA e Israel de um lado e Irã do outro “foram difíceis” para seu país, já que o fechamento de Ormuz afeta ao mundo todo, e disse que as negociações com o Irã seguem em andamento devido aos “problemas complexos no estreito”. Os preços do petróleo dispararam globalmente por causa do conflito.
Os EUA, por sua vez, prometeram sanções a todos os seus aliados que não se juntarem ao seu bloqueio econômico contra o Irã. Esta guerra prolongada coloca o Irã sob pressão não apenas militar, mas econômica – e aumenta potencialmente suas tensões com vizinhos, o que este encontro visa minimizar.
O correspondente da Al-Jazeera em Teerã, Sinem Koseoglu, sinalizou que autoridades iranianas já discutiam no início da semana um roteiro para a rota temporária de petróleo, que prometeram que anunciariam em breve. A reunião seria o próximo passo para viabilizá-la.
Em retaliação pelo bloqueio imposto pelo Irã no corredor marítimo, os EUA realizam também bloqueios de portos iranianos. A medida foi aplaudida recentemente por Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, e aliado americano no conflito.
Irã anuncia reunião na segunda com países do Golfo para discutir possível reabertura do Estreito de Ormuz
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