Entidades chinesas forneceram ao Irã imagens de satélite de uma base americana na Jordânia antes e depois de um ataque que causou a morte de três soldados americanos. A informação foi revelada pelo Wall Street Journal, que ouviu autoridades de Washington sob anonimato, neste sábado. Elas não identificaram as entidades chinesas envolvidas nem sugeriram que Pequim fosse responsável pelo ataque, mas disseram que o episódio pode ser tema da reunião entre o presidente americano, Donald Trump, e seu homólogo chinês, Xi Jinping, em 24 de setembro, na Casa Branca.
‘Jamais esqueceremos’: Trump vincula guerra do Irã a resposta ao terrorismo do 11 de Setembro em cerimônia no Pentágono
Quer morar fora? Veja guia interativo com informações sobre 36 países
Quer mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp
O ataque remonta a 17 de julho, quando o Irã lançou mísseis contra a base aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia, onde estão posicionadas forças americanas. Os três soldados mortos — o primeiro-tenente Tyler James Feehan, de 25 anos; a soldado Isabella Gonzales, de 19; e o sargento Angel Rampersad, de 28 — serviam em unidades de defesa antimísseis na base.
Quatro das instalações, incluindo Muwaffaq Salti, já haviam sido atingidas nos primeiros meses da guerra, quando o Irã atacou 18 instalações militares utilizadas pelos EUA em sete países.
Initial plugin text
Procuradas pelo WSJ, autoridades chinesas disseram que solicitaram provas da transferência das imagens de satélite e se recusaram a reconhecer que empresas de seu país estivessem envolvidas no fornecimento das imagens a Teerã.
Em maio, Washington impôs sanções a três empresas chinesas de satélites por facilitarem operações militares iranianas, mesmo após Trump alertar Pequim para que não vendesse armas ao Irã. A China é um dos principais parceiros econômicos da República Islâmica, da qual compra grande parte da produção de petróleo, além de ser uma importante aliada diplomática.
Brics pede ‘máxima prudência’ no Oriente Médio
Também neste sábado, os 11 países-membros do Brics, entre eles China, Rússia, Irã, Brasil e Índia, pediram calma no Oriente Médio em uma declaração conjunta, no primeiro dia da cúpula do bloco de potências emergentes em Nova Délhi. Ao abrir a reunião, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, anfitrião do evento, afirmou que o grupo havia atingido a maturidade e que era hora de traduzir sua unidade e consenso em resultados concretos no cenário global.
“Expressamos nossa profunda preocupação com a escalada contínua das tensões no Oriente Médio/Ásia Ocidental e (…) pedimos a máxima prudência, além de evitar ações que possam agravar ainda mais a situação”, afirma o comunicado.
Veja: Brics pede ‘máxima prudência’ no Oriente Médio, e presidente do Irã diz que região ‘não precisa de um policial’ em referência aos EUA
Às margens do encontro, o presidente do Irã, Masud Pezeshkian, afirmou que a região “não precisa de um policial”, em referência aos Estados Unidos, país que entrou em guerra com Teerã no último dia de fevereiro. Em retaliação, a República Islâmica bloqueou o Estreito de Ormuz, por onde, em tempos de paz, transitava cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo. O controle da via tornou-se, desde então, um dos principais pontos de atrito do conflito.
— Não precisamos de um policial na região. A integridade territorial e a segurança regional só poderão ser garantidas por seus principais atores e pelos países que a integram — disse Pezeshkian, durante encontro com o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim. — Apesar de todas as injustiças sofridas por nosso povo, não desejamos a guerra nem seu prolongamento. A paz continua sendo nossa prioridade.
Na cúpula, o presidente da China, Xi Jinping, disse que a guerra no Oriente Médio não atende aos “interesses comuns” da comunidade internacional.
— À medida que a situação no Oriente Médio e no Golfo continua evoluindo, a guerra ali causou graves perdas aos povos da região.
Irã teve acesso a imagens de satélite chinesas antes de realizar ataque mortal a base dos EUA na Jordânia, revela jornal
Entidades chinesas forneceram ao Irã imagens de satélite de uma base americana na Jordânia antes e depois de um ataque que causou a morte de três soldados americanos. A informação foi revelada pelo Wall Street Journal, que ouviu autoridades de Washington sob anonimato, neste sábado. Elas não identificaram as entidades chinesas envolvidas nem sugeriram que […]