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outubro 24, 2026
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Lula encerra campanha com ato na Paulista, diz que Brasil quer 'mudança estrutural' e associa Flávio ao 'retrocesso'

Por · outubro 24, 2026
Lula encerra campanha com ato na Paulista, diz que Brasil quer 'mudança estrutural' e associa Flávio ao 'retrocesso'


Neste sábado (24) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerra a campanha eleitoral em um ato que reuniu uma multidão na Avenida Paulista. Antes de subir no carro aberto no qual percorreria a avenida, Lula discursou brevemente. Disse que a sociedade brasileira quer “mudança estrutural” e que seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, representa o “retrocesso”.
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— A sociedade brasileira quer mudança, mas ela quer mudança estrutural, que faça o país continuar caminhando para frente. A sociedade brasileira não quer retrocesso. — afirmou.
Lula disse ainda que esta é sua campanha eleitoral “mais emocionante” desde 1989, sua estreia na corrida presidencial, quando perdeu para Fernando Collor, por conta da participação popular no segundo turno. Também fez elogios à mobilização na véspera da votação e afirmou estar “convencido” de que vai vencer as eleições deste domingo (25).
O presidente também voltou a chamar Flávio de “miliciano”, como fez no debate desta sexta-feira (23), na TV Globo, e na manhã deste sábado, em Copacabana. E lembrou que Flávio atuou na defesa de um policial militar acusado de matar a menina Ana Clara, de 5 anos, com um tiro de fuzil.
Ato de campanha do presidente Lula na Avenida Paulista
Maria Isabel Oliveira
— Uma pessoa dessas não tem condições políticas, morais e éticas para ganhar a Presidência da República. Depois de tantas campanhas que participei, com tanta gente importante, de conversar com tantos presidentes no mundo, nunca imaginei disputar com um mentiroso, um miliciano, um desqualificado como esse rapaz. Ele não tem nenhum compromisso com a verdade. Não tem nenhuma responsabilidade, não tem nenhum sentimento, diz uma coisa hoje e outra amanhã.
Lula vestiu uma camisa jeans azul e um boné vermelho escrito “Mais um Silva”, trocando o chapéu panamá branco que costumava escolher em eventos de rua para proteger a cabeça do sol. O pronunciamento à imprensa foi breve, com o público chamando-o de “guerreiro do povo brasileiro”.
‘Poesia da democracia’
O ato conta com a presença de aliados do petista, como o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o ex-ministro Fernando Haddad (PT), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência Guilherme Boulos (PSOL) e as ex-ministras Marina Silva e Simone Tebet (PSB). Em sua fala, Marina Silva celebrou a “poesia da democracia, da soberania, do respeito à diversidade”. Simone Tebet disse que todos estavam ali “pelo Brasil, pelos nossos filhos e pelos filhos dos nossos filhos”.
— Eu quero dizer uma coisa com muito orgulho: eu, aos 15 anos, levantei um cartaz dizendo “eu quero votar para presidente da República”. Quarenta anos depois, eu posso dizer: bendito é o país que tem a juventude, que tem o trabalhador, que tem os aposentados e que tem a sociedade dizendo “nós defendemos e amamos o Brasil”. Uma boa eleição para todos nós — afirmou a ex-ministra do Planejamento.
A carreta teve diversas músicas tratando de “virada”. Uma delas falava em “virar com fé no coração”. O refrão se referia ao petista como “a mudança”: “Bora, Lula/ Bola virar/ Nosso povo tá nas ruas/ A mudança continua”.
Segundo turno nas ruas
Antes mesmo das 14h, a Paulista já tinha quarteirões tomados pelo público. A cor predominante ainda é o vermelho, mas adereços nas cores da bandeira do Brasil e algumas camisetas da seleção também se destacam. A certa altura da via, grupos de torcedores de Palmeiras e Corinthians se reuniam a poucos metros de distância e, devidamente caracterizados, davam ares de torcida organizada ao ato político.
— É uma junção de coletivos com propósito antifascista. A gente juntou uma galera aqui e veio fazer essa festa — explicou o palmeirense Danilo Santana, de 29 anos, que é analista de RH e animava a turma com um megafone.
Os apoiadores de Lula recorrem à criatividade para pedir votos ao PT. Faixas estilizaram o “22”, número de Flávio, como se fosse uma suástica em faixas e panfletos. Um manifestante levou uma bandeira do SUS, que se somava a outras do movimento LGBTQIA+ e da Palestina.
A mobilização encerra uma sequência de atos de rua que ganhou força entre apoiadores de Lula depois do primeiro turno, quando o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente na votação. A estratégia petista combinou manifestações espontâneas organizadas por estudantes, movimentos sociais, artistas e atos programados por diretórios partidários em diferentes cidades.
O movimento começou a ganhar força na Marcha pela Democracia, no dia 11 de outubro, que ocupou boa parte da Paulista e contou com a presença de Lula, que aderiu à manifestação na véspera. O ato reuniu movimentos estudantis, sociais, torcidas organizadas e comunidades de fãs. Entre as pautas defendidas estavam a democracia e o fim da escala de trabalho 6×1.
Na semana seguinte, o PT passou a incentivar manifestações descentralizadas, em vez de concentrar toda a mobilização em um único ato. Em 18 de outubro, houve manifestações em diferentes capitais. Em São Paulo, artistas como Emicida, Rashid e Julia Costa participaram de uma mobilização na Zona Norte. No Rio de Janeiro, Caetano Veloso convocou um ato musical em Copacabana, que reuniu outros artistas. Gilberto Gil, BaianaSystem e Daniela Mercury também chamaram apoiadores para uma manifestação em Salvador.
Pedido do PT à PM
A dispersão deve acontecer na Praça do Ciclista, na esquina da Paulista com a Rua da Consolação. A previsão inicial era que a manifestação descesse a Consolação, mas o trajeto foi alterado para evitar problemas de trânsito e segurança.
A campanha também pediu à Polícia Militar que mantenha as câmeras corporais ligadas durante toda a manifestação e que os agentes estejam identificados. Representantes do PT relataram um impasse com o Metrô sobre a instalação de tapumes para proteger as entradas das estações contra pichações e vandalismo.
Segundo os organizadores, a equipe começou a instalar as estruturas na sexta-feira, mas recebeu, durante a madrugada, a orientação de retirá-las, sob a justificativa de que o próprio Metrô adotaria medidas de proteção. A companhia afirmou em nota que as estratégias operacionais são estritamente técnicas e que, para esta manifestação, colocaria gradis nas estações, como foi feito no ato da semana anterior.
A Polícia Militar informou que conta com efetivo “previamente dimensionado para atuar em eventos e manifestações”. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o policiamento contará com equipes que utilizarão câmeras operacionais conforme os protocolos adotados pela corporação.

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