O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, durante um encontro com pastores e lideranças evangélicas, que não pretende transformar igrejas em palanques durante a campanha eleitoral. A 19 dias da votação, o petista classificou a religião como “sagrada” e disse que prefere fazer atos políticos nas ruas.
— A religião, para mim, é uma coisa sagrada. Respeito as pessoas que acreditam na religião em que quiserem acreditar. Ninguém precisa prestar contas para mim nem para ninguém. Você e Deus são únicos — afirmou.
A fala ocorreu em uma reunião que contou com a presença de ao menos 15 pastores e pastoras, além da primeira-dama Janja Lula da Silva, do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, e da senadora Eliziane Gama (PT-MA). Também participaram o cantor e pastor Kleber Lucas, representantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e lideranças religiosas dos Estados Unidos e de Cuba. Entre os presentes estavam Ariovaldo Ramos, da Comunidade Cristã Reformada, e Nilza Valeria Oliveira, coordenadora-executiva da frente.
— Toda vez que alguém pede para eu ir a uma igreja falar de política, eu não vou. Eu não vou porque respeito muito a fé das pessoas e o compromisso individual que cada pessoa tem com Deus — declarou Lula. — Não me convidem para ir a uma assembleia fazer um comício, que eu não vou. Não vou nem na católica, nem na evangélica. Se eu quiser fazer política e comício, faço na rua. Mas, na igreja, eu não faço.
Lula também associou sua trajetória política à própria religiosidade. O presidente recordou que nasceu em uma família pobre no Nordeste, mudou-se ainda criança para São Paulo e chegou três vezes à Presidência da República. Segundo ele, esse percurso seria uma demonstração de “generosidade” de Deus em sua vida.
Apesar de defender que os templos não sejam usados para comícios, Lula disse que pretende contar com o apoio das igrejas em uma política de cuidados voltada à população idosa, que afirmou querer criar no próximo ano, caso seja reeleito. A proposta, segundo o presidente, teria como objetivo não apenas atender pessoas doentes, mas também combater o isolamento de homens e mulheres que vivem sozinhos.
— Nós vamos precisar muito das igrejas no ano que vem. Quero criar uma política de cuidado para tirar homens e mulheres do isolamento — disse.
O petista também elogiou o espaço ocupado pelas mulheres nas igrejas evangélicas e apontou esse fator como uma das razões para o crescimento dessas denominações no país. Lula afirmou que, diferentemente da Igreja Católica, as igrejas evangélicas permitem que mulheres exerçam diferentes funções religiosas “em igualdade de condições”.
O presidente ainda tratou diretamente da eleição e voltou a defender a segurança das urnas eletrônicas. Sem citar adversários nominalmente, afirmou que aqueles que contestaram o sistema eleitoral estavam no poder e acabaram presos por tentar promover um golpe de Estado. Também disse ter pedido ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não interferisse na disputa brasileira.
— Não se meta nas eleições brasileiras. As eleições brasileiras são um problema do povo brasileiro. E não duvide das urnas brasileiras — afirmou ter dito a Trump.
Lula reúne evangélicos em agenda no Planalto e critica uso político da religião: 'Se pedir para fazer campanha em igreja, não vou'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, durante um encontro com pastores e lideranças evangélicas, que não pretende transformar igrejas em palanques durante a campanha eleitoral. A 19 dias da votação, o petista classificou a religião como “sagrada” e disse que prefere fazer atos políticos nas ruas. — A religião, para mim, […]