As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) definiram as estratégias para o primeiro debate do segundo turno, marcado para domingo, na Band, a partir das 20h. Enquanto o petista pretende fazer o embate sobre os riscos de cortes em programas sociais e questionar as propostas econômicas do adversário, o candidato do PL planeja concentrar parte dos ataques na segurança pública, especialmente na redução da maioridade penal, após Lula passar a admitir a medida para crimes hediondos.
No entorno de Lula, a avaliação é que o debate oferece uma oportunidade de expor contradições entre o discurso de campanha de Flávio, como a mudança sobre a posição do senador a respeito do fim da escala 6×1, após meses de críticas à iniciativa. A campanha petista também pretende explorar declarações de aliados sobre a possibilidade de rever a medida em um eventual governo.
Do lado de Flávio, integrantes da cúpula do PL defendem uma postura mais ofensiva. A avaliação é que a campanha vinha priorizando a apresentação de propostas e a construção de uma imagem positiva do candidato, enquanto Lula intensificava os ataques na propaganda eleitoral. A orientação agora é que o senador evite ficar na defensiva diante de questionamentos sobre seu histórico político ou o governo do pai, Jair Bolsonaro, e procure devolver as cobranças ao presidente.
Uma das principais apostas é a segurança pública. Flávio pretende explorar a mudança de posição de Lula sobre a redução da maioridade penal e questionar por que a proposta não avançou durante os governos petistas. Aliados avaliam que a emenda apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) à PEC da Segurança alcançou seu objetivo político ao provocar divergências no PT e contribuir para o adiamento da votação no Senado.
A estratégia também inclui ataques envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, além de cobranças sobre o custo de vida e tentativas de associar o presidente a decisões de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) criticadas pelo bolsonarismo.
Flávio recebeu orientações do ex-presidente Jair Bolsonaro durante um encontro nesta semana. Segundo interlocutores, o pai alertou para a experiência de Lula em debates e recomendou cautela para evitar erros na reta final da campanha. Ao mesmo tempo, aconselhou o filho a explorar questões relacionadas à segurança pública, ao custo de vida e a Lulinha.
A preparação do senador inclui simulações de perguntas e respostas, com atenção especial à duração das falas, uma vez que cabe ao postulante administrar o seu próprio tempo. A orientação é que Flávio dê respostas curtas, objetivas e de fácil compreensão, evitando explicações longas que possam abrir espaço para novos ataques. A equipe trabalha com possíveis questionamentos sobre o governo Bolsonaro, o caso Master e a escala 6×1, além de treinar formas de devolver as cobranças a Lula sem comprometer o tempo disponível.
Nos bastidores, dirigentes do PL avaliam que o debate terá peso importante na última semana da eleição e consideram fundamental que Flávio evite erros. A campanha também pretende aproveitar os momentos de confronto para produzir trechos que possam ser reproduzidos nas redes sociais e na propaganda eleitoral nos dias seguintes.
O responsável pela preparação de Lula é o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, que tirou férias da pasta para se dedicar exclusivamente à campanha do petista. Em 2022, Sidônio já cumpriu esse papel. A estratégia do ministro é preparar Lula para discutir propostas e apresentar um presidente propositivo ao público. Interlocutores de Sidônio afirmam que Lula vai evitar ataques pessoais e centrar o embate nos riscos de cortes de programas sociais diante do “tesouraço” proposto por Flávio.
Também será feita a comparação com entregas do governo de Jair Bolsonaro. Lula deve falar de novas propostas, como o perdão de dívidas para MEIs e as promessas do programa Pé-de-Meia Universitários para estudantes de universidades públicas e de passe livre no transporte público aos finais de semana.
Lula contará mais uma vez no treinamento para os debates com o auxílio da jornalista Olga Curado, preparadora de candidatos que mistura princípios do aikido (arte marcial japonesa), psicologia, budismo e meditação.
A consultora já havia auxiliado o petista nas eleições de 2006 e 2022. Na disputa de 20 anos atrás, antes de um debate com Geraldo Alckmin, então candidato a presidente pelo PSDB, Olga deu uma chave de braço e tentou enforcar o então presidente da República no treino para o encontro. Em 2018, Olga Curado ajudou o então candidato do PT, Fernando Haddad, na preparação para debates, entrevistas e discursos.
Lula vai explorar risco de cortes em programas sociais, e Flávio prepara ofensiva sobre segurança pública em debate
