Malu Borges chamou atenção dos seguidores ao revelar que precisou passar por uma cirurgia depois de descobrir uma pedra nos rins. Após o procedimento, a influenciadora compartilhou uma atualização sobre seu estado de saúde e trouxe à tona um problema conhecido pela dor intensa que pode provocar. Embora alguns cálculos sejam eliminados espontaneamente, outros podem causar obstrução, infecção e comprometer o funcionamento dos rins, tornando necessária uma intervenção.
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Os cálculos renais se formam quando determinadas substâncias presentes na urina ficam concentradas e dão origem a cristais. A baixa ingestão de líquidos é um dos fatores que podem favorecer o processo, mas não é o único. Alimentação, alterações metabólicas e predisposição individual também podem estar envolvidos.
Malu Borges teve pedra nos rins: quando o problema pode exigir cirurgia?
Reprodução Instagram
Para a nefrologista Andrea Pio de Abreu, entender a origem do problema é importante porque não existe uma causa única para todos os pacientes.
“Os cálculos não têm uma causa única. Baixo volume urinário, alimentação com excesso de sódio, alterações metabólicas e predisposição individual podem contribuir. Quando a urina fica mais concentrada, aumenta a chance de algumas substâncias atingirem concentrações que favorecem a formação de cristais e, consequentemente, dos cálculos”, explica.
Quando a pedra precisa de cirurgia?
Nem todo cálculo renal exige um procedimento. Dependendo do tamanho, da localização e das condições clínicas, algumas pedras conseguem ser eliminadas espontaneamente. Em outras situações, a intervenção urológica pode ser necessária.
Segundo o urologista Lucas Takikawa, a decisão não considera apenas as dimensões do cálculo. A intensidade dos sintomas, a existência de obstrução, sinais de infecção e possíveis alterações no funcionamento dos rins também fazem parte da avaliação.
Quando a pedra bloqueia a passagem da urina, provoca dor persistente ou está associada a complicações, o tratamento precisa ser definido individualmente. Por isso, um cálculo pequeno não deve ser considerado necessariamente inofensivo.
Beber água ajuda, mas não é a única medida
A hidratação está entre as principais recomendações depois de um episódio de cálculo renal. Aumentar o volume de urina ajuda a reduzir a concentração de substâncias que podem participar da formação dos cristais.
Isso, porém, não significa que aumentar o consumo de água seja suficiente em todos os casos. A prevenção depende também da causa e do tipo de cálculo.
“Não existe uma única causa e, consequentemente, não existe uma dieta universal para todo paciente que teve cálculo. As orientações podem variar de acordo com o tipo de pedra, os hábitos alimentares e as alterações metabólicas encontradas. Por isso, retirar vários alimentos da dieta por conta própria, inclusive fontes de cálcio, nem sempre é adequado e, em algumas situações, pode até ser contraproducente”, pondera Andrea.
A investigação pode envolver exames de sangue e urina. Para quem apresenta episódios recorrentes ou tem maior risco de desenvolver novos cálculos, uma avaliação metabólica mais detalhada pode ser indicada. Em casos selecionados, a análise da urina de 24 horas ajuda a identificar alterações relacionadas à formação das pedras.
Quando o cálculo é eliminado espontaneamente ou retirado durante um procedimento, sua composição também pode ser analisada. Essa informação pode contribuir para definir estratégias de prevenção.
A retirada da pedra evita novos episódios?
Não necessariamente. O procedimento pode resolver o cálculo responsável pela dor, pela obstrução ou por outra complicação naquele momento, mas não elimina obrigatoriamente os fatores que favoreceram sua formação.
Urologia e nefrologia podem atuar de maneira complementar nesses casos. O urologista é responsável pela avaliação e pelo tratamento do cálculo, inclusive quando há indicação de procedimento. Já a investigação de alterações metabólicas pode ajudar a identificar fatores associados à recorrência.
“O procedimento trata o problema imediato quando existe indicação. Depois, precisamos pensar em prevenção. Principalmente nos pacientes com cálculos recorrentes, história familiar ou outros fatores de risco, entender por que essas pedras estão se formando permite direcionar melhor as mudanças na alimentação, na hidratação e, quando necessário, o tratamento medicamentoso”, afirma Andrea.
Quais sintomas podem aparecer?
A cólica renal é um dos sinais mais conhecidos. A dor costuma ser intensa e pode começar na região lombar, irradiando para outras áreas. A manifestação, no entanto, varia de acordo com a localização do cálculo e o grau de obstrução.
Também podem ocorrer sangue na urina, náuseas, vômitos, desconforto ao urinar e aumento da frequência urinária. Já a presença de febre em alguém com suspeita de cálculo merece atenção médica, especialmente pela possibilidade de uma infecção associada.
Takikawa reforça que os sintomas, isoladamente, não permitem determinar a gravidade do quadro. A avaliação clínica e os exames de imagem ajudam a localizar a pedra, verificar possíveis obstruções e definir a conduta mais adequada.
O que fazer depois de uma crise?
A passagem de um cálculo pode ser um episódio isolado, mas também pode indicar uma predisposição à formação de novas pedras. Por isso, especialmente diante de recorrência, histórico familiar ou alterações nos exames, investigar os possíveis fatores envolvidos ajuda a orientar os cuidados seguintes.
Em vez de adotar dietas restritivas por conta própria, a prevenção deve levar em consideração as características de cada paciente e, quando possível, a composição do cálculo.
“Nosso objetivo vai além do tratamento do cálculo já formado, que também é importante. Quando há risco de recorrência, precisamos identificar os fatores que favorecem sua formação e atuar sobre eles para tentar reduzir a chance de novos episódios. O médico nefrologista tem um papel importante justamente nessa investigação e na prevenção”, conclui Andrea.
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