A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, tentou retornar à Venezuela três vezes em 24 horas, segundo informações divulgadas por sua equipe nesta quarta-feira. As tentativas ocorreram por via aérea e marítima, a partir do Panamá, e foram frustradas. A terceira delas aparece em um manifesto de voo que previa uma viagem da Cidade do Panamá para Curaçao, ilha sob soberania neerlandesa localizada a cerca de 80 quilômetros da costa venezuelana. O episódio ocorre no mesmo dia em que a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Nova York, onde participa da Assembleia Geral das Nações Unidas. A aproximação entre Caracas e Washington contrasta com os obstáculos enfrentados por María Corina para retornar ao país.
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A própria equipe da opositora afirmou que as três tentativas ocorreram desde segunda-feira e que, com elas, já são sete as tentativas de retorno nas últimas semanas.
“NÃO a deixam voltar ao próprio país”, escreveu no X Pedro Urruchurtu, assessor de relações internacionais de María Corina.
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Em outra publicação, Urruchurtu detalhou as sete tentativas de retorno da opositora que foram bloqueadas.
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Três tentativas frustradas
A primeira tentativa ocorreu na segunda-feira, em uma embarcação que partiria do Panamá em direção à Venezuela. Segundo a jornalista Idania Chirinos, que acompanhava María Corina e relatou o episódio ao canal NTN24, a empresa responsável pelo barco cancelou a viagem quando tudo já estava preparado, alegando problemas mecânicos. Para a jornalista, as justificativas foram “estranhas”.
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Na manhã de terça-feira, a opositora tentou novamente, desta vez em um avião com destino a Aruba. De lá, a previsão era continuar a viagem por mar até a Venezuela. A aeronave, porém, não chegou a decolar.
A terceira tentativa ocorreu na tarde de terça-feira, com destino a Curaçao. O nome de María Corina aparece no manifesto da aeronave com um passaporte panamenho, já que seu documento venezuelano não está válido. O voo também acabou não resultando no retorno da opositora.
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O manifesto registra cinco passageiros e um piloto. Entre os passageiros estava Rafael Alejandro Alfonzo Silva, descrito como lobista de María Corina em Washington. Sua consultoria presta assessoria à opositora em questões relacionadas às relações entre EUA e Venezuela. Também estava a bordo Ferdelin Bonilla Bonilla, assessor do ministro das Relações Exteriores do Panamá e diretor da Empresa de Generación Eléctrica (EGESA), estatal panamenha.
Documento panamenho
A presença de María Corina no manifesto com um passaporte panamenho provocou reação entre aliados do chavismo, que interpretaram o documento como uma possível concessão de nacionalidade pelo Panamá e classificaram o episódio como um “escândalo”.
Pessoas familiarizadas com a emissão do documento, ouvidas pelo jornal espanhol El País, porém, afirmam que ele não representa a concessão de cidadania panamenha. O Panamá possui documentos de viagem para refugiados e apátridas e também prevê um passaporte especial, concedido por razões humanitárias, a estrangeiros que atendam a determinados critérios migratórios ou tenham trajetória pública comprovada. O documento não substitui o passaporte do país de origem.
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A opositora está no Panamá desde sua última tentativa conhecida de retornar à Venezuela, após o terremoto duplo que atingiu La Guaira em 24 de junho e deixou mais de 6.500 mortos. Na ocasião, ela embarcou em uma aeronave particular com destino a Curaçao, de onde pretendia seguir para a Venezuela.
Segundo veículos americanos, María Corina tinha inicialmente o aval de Washington. A aeronave já havia decolado do aeroporto de Manassas, na Virgínia, quando ela recebeu a informação de que o governo americano não aprovava mais a operação. As autoridades de Curaçao também receberam uma comunicação nesse sentido.
De acordo com o portal Axios, o sinal verde inicial havia partido de Chris Landau, número dois do Departamento de Estado, que comunicou a decisão às autoridades de Curaçao por meio da embaixadora dos Países Baixos em Washington. A diplomata posteriormente questionou o respaldo e consultou Mike Kozak, secretário de Estado adjunto para a América Latina. Ele teria afirmado que a política americana era não facilitar o retorno da vencedora do Prêmio Nobel da Paz à Venezuela.
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A história se repetiu em uma segunda tentativa, quando a opositora já estava no Panamá. De acordo com a Axios, o então ministro das Relações Exteriores panamenho, Martínez-Acha, escreveu a Landau antes do voo dizendo entender que os EUA fariam os preparativos necessários para o retorno de “essa pessoa” à Venezuela. Landau respondeu que aquela era uma descrição precisa de sua posição.
María Corina, no entanto, acabou impedida de embarcar em um voo da Copa Airlines depois que autoridades de alto escalão em Caracas e Washington manifestaram oposição à viagem.
Relação com Washington
Questionado sobre o episódio, Trump negou ter pedido que María Corina não voltasse à Venezuela. O presidente americano afirmou que ela é “incrível” e que não havia conversado com ela sobre o retorno. Dias antes, o secretário de Estado, Marco Rubio, havia declarado que a opositora tem o direito de retornar ao país “quando quiser”.
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As tentativas recentes ocorrem em meio a uma aproximação entre o governo Trump e o chavismo. Enquanto María Corina permanece fora da Venezuela, Delcy tem avançado nas negociações com Washington e participado de reuniões com autoridades americanas. A dirigente venezuelana também vem assinando acordos bilionários relacionados à exploração de petróleo e, nesta semana, viajou a Nova York para a Assembleia Geral da ONU, onde se reuniu com líderes mundiais.
Fundadora do partido Vente Venezuela, María Corina deixou o país no início de dezembro de 2025, após passar mais de um ano e meio na clandestinidade. Ela viajou secretamente para Oslo, onde recebeu o Nobel da Paz.
Desde então, os rumores sobre seu retorno à Venezuela haviam se intensificado. Nos círculos políticos de Caracas, havia expectativa de que ela reaparecesse no país, e uma das datas consideradas mais prováveis era justamente a participação de Delcy na Assembleia Geral da ONU.
María Corina Machado tenta voltar à Venezuela três vezes em 24 horas enquanto Delcy Rodríguez está na ONU
