Um marinheiro indiano morreu após um ataque contra o navio mercante Cape Dao, no Estreito de Ormuz — uma das principais rotas para o transporte de petróleo e por onde passa cerca de 20% do consumo mundial da commodity —, nesta quarta-feira. A embarcação, de bandeira de Antígua e Barbuda, foi atingida e pegou fogo, segundo autoridades do Omã e da Índia.
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A Marinha do Omã informou que retirou 27 tripulantes do navio após a ofensiva que “provocou um incêndio e a morte de um membro da tripulação”. O Ministério das Relações Exteriores da Índia confirmou que a vítima era um marinheiro indiano.
O Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, foi fechado assim que a guerra entre os Estados Unidos e o Irã começou, quando Washington e Tel Aviv realizaram um ataque-surpresa ao país persa, em fevereiro deste ano.
Desde o início do conflito, o Mar Vermelho se tornou uma rota alternativa para o transporte de petróleo, mas a tomada do Estreito de Bab el-Mandeb por integrantes do grupo iemenita Houthis, apoiado pelo Irã, dificultou as operações de navegação nessa via.
Rotas de navegação no Estreito de Ormuz
Arte/ O GLOBO
O bloqueio de uma rota vital entre o Canal de Suez, o Mar Vermelho e o Oceano Índico contribuiu para a alta do preço internacional do petróleo nas últimas semanas, em um cenário que já vinha sendo afetado pela situação no Estreito de Ormuz.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta quarta-feira, durante a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Nova York, que seu governo não permitiria que o Estreito de Ormuz fosse usado para realizar agressões contra o país. Em seu discurso, Pezeshkian disse que o Irã “nunca foi o agressor” e “nunca iniciou uma guerra”, além de afirmar que Teerã “sempre demonstrou comprometimento na mesa de negociações” e enfrenta uma “guerra imposta”.
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— Não podemos permitir que alguns tenham livre acesso e defendam seus interesses por essa via de navegação enquanto, ao mesmo tempo, utilizam essa via para nos impor sua agressão — afirmou Pezeshkian.
No dia anterior, o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, e o enviado especial americano Steve Witkoff participaram de uma rodada de conversas mediada pelo Catar. O encontro durou cerca de três horas e foi descrito por Witkoff como “muito produtivo”. Segundo o americano, uma nova reunião deve ocorrer em um “futuro próximo”.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou o contato, mas rejeitou especulações sobre uma possível flexibilização das posições do país para viabilizar um acordo.
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— A interação com a parte americana foi feita por meio de mediação catari — afirmou Esmail Baghaei, porta-voz da chancelaria iraniana. — Essa interação tinha como objetivo transmitir as condições do Irã, incluindo o fim da guerra em todas as suas dimensões, a cessação das agressões americanas, do bloqueio naval e da guerra econômica, a liberação de ativos iranianos, entre outras.
(Com AFP)
Marinheiro indiano morre em ataque contra navio mercante no Estreito de Ormuz
