O secretário pessoal de Diego Maradona afirmou, nesta quinta-feira, durante o julgamento sobre a morte do craque argentino em 2020, que alguns dos médicos que o tratavam estavam “se deixando levar pela ‘febre Maradona'” — referindo-se a uma suposta busca por fama em torno do ídolo.
— Eu dizia a todos para não se deixarem levar pela ‘febre Maradona’, porque a realidade dele era outra. Eles estavam se deixando levar. Buscavam os holofotes — declarou Maximiliano Pomargo, assistente de Maradona de 2016 até sua morte.
A testemunha questionou a decisão da psiquiatra Agustina Cosachov e do psicólogo Carlos Díaz — ambos réus no caso — de falar com a imprensa do lado de fora da clínica onde o ex-jogador havia passado por uma neurocirurgia, semanas antes de morrer. Ele também afirmou ter pedido ao neurocirurgião Leopoldo Luque, principal réu, que mantivesse um perfil mais discreto, pois a exposição pública lhe parecia “excessiva”.
O julgamento visa determinar a responsabilidade da equipe médica que cuidou de Maradona durante seu tratamento domiciliar, após a alta do centro médico onde ele havia sido operado. O craque morreu em 25 de novembro de 2020, vítima de parada cardiorrespiratória e edema pulmonar, em uma casa em Tigre, ao norte de Buenos Aires.
A testemunha também descreveu a deterioração física de Maradona nas semanas que antecederam sua morte. Ele afirmou que, em outubro de 2020, o ex-jogador estava em “queda livre”, consumindo grandes quantidades de álcool.
Além de Cosachov, Díaz e Luque, outros quatro profissionais de saúde estão sendo julgados por homicídio com dolo eventual — um conceito jurídico que implica que eles tinham consciência de que suas ações ou omissões poderiam causar a morte de Maradona durante aquele fatídico período de cuidados domiciliares. Todos alegam inocência.
Médicos buscavam fama ao se associar a Maradona, diz testemunha em julgamento sobre morte do ídolo argentino
