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Mendonça também deve explicações

O Brasil não tem mais dúvidas de que o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado. Há contra ele mais de cinco dezenas de mensagens em que Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master, pede ajuda e conselhos. Justamente a ele, cuja mulher assinou um contrato, editado pelo próprio ministro, de R$ 130 milhões […]

Mendonça também deve explicações


O Brasil não tem mais dúvidas de que o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado. Há contra ele mais de cinco dezenas de mensagens em que Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master, pede ajuda e conselhos. Justamente a ele, cuja mulher assinou um contrato, editado pelo próprio ministro, de R$ 130 milhões para “consultoria estratégica” diante de órgãos públicos fiscalizadores. Ainda não se sabe se Moraes é culpado, mas apenas uma investigação poderá levar a um processo judicial e, eventualmente, a julgamento. Para se defender, ele terá a seu dispor todas as garantias que nosso ordenamento jurídico prevê.
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A análise dos fatos demonstra que o ministro André Mendonça fez o que tinha de fazer. Descobrir oficialmente — e não por meio da imprensa — quem era o interlocutor de Vorcaro. Como pedir a investigação de um colega sem um mínimo de indícios? Era preciso esperar a Polícia Federal (PF) revelar o destinatário das mensagens para, então, levar o caso ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin.
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O que se estranha é a cronologia . Em 6 de março de 2026, Mendonça ao que parece tomou conhecimento de que um perito, em 1° de dezembro de 2025, havia acessado o laudo pericial com dados extraídos do celular de Vorcaro e produzido, três dias depois, os arquivos “Moraes.pdf” e “Toffoli.pdf”. Mandou abrir inquérito e decretou sigilo. Hoje alega que não abriu os arquivos, pois o alvo era o perito, e não esses aquivos.
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Somente em 24 de agosto deste ano, indagou da PF quem eram os interlocutores de Vorcaro citados num relatório anterior. No dia 27, a PF respondeu, revelando a identidade de Moraes. Em 1° de setembro, em plena campanha eleitoral, Mendonça tornou público o relatório e o remeteu a Fachin. A pergunta que fica é: por que Mendonça esperou de março a agosto para perguntar oficialmente o nome daqueles com quem Vorcaro conversava? É evidente que precisava da informação, mas por que não perguntou antes?
Embora só quem vive da impunidade queira falar em nulidades, Mendonça tem de provar que não houve intenção eleitoral nas decisões quanto aos sigilos. A pergunta se torna mais necessária diante do inquérito que apura se o candidato Flávio Bolsonaro cometeu crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas ao pedir R$ 130 milhões para produzir a cinebiografia de seu pai. Mendonça instaurou inquérito sigiloso a respeito em 22 de julho, e a providência só veio à tona em 11 de setembro por decisão de Fachin. Por quê? Notícias recentes revelam que também na PF um racha pode ter criado obstáculos às investigações. Seja qual for o motivo da disparidade de tratamento às duas situações, Mendonça deve satisfações à sociedade.
O STF só tem uma saída para recobrar a credibilidade hoje em xeque: primeiro, autorizar a investigação sobre Moraes e, depois, decidir se Mendonça abusou de seu poder ao esconder um procedimento e divulgar o outro. Se, no decorrer das investigações, e com fundamentação, os nomes de outros ministros surgirem ligados a Vorcaro, que sejam investigados a seu tempo.
O caminho será duro e espinhoso. Mas ou o Supremo decide percorrê-lo com coragem, ou a instância responsável por zelar pelo decoro de seus ministros — o Senado — tomará as providências necessárias. É uma exigência do povo brasileiro e da Constituição.

Mendonça também deve explicações

Autor

BRCOM