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Menopausa muda a pele: por que alguns procedimentos estéticos ganham espaço nessa fase

A menopausa vem ganhando espaço nas conversas sobre beleza à medida que as mulheres passam a relacionar mudanças como ressecamento, perda de firmeza e alteração da textura da pele às transformações hormonais dessa fase. O movimento também aparece nos consultórios: o relatório “The State of Aesthetics Summer 2026”, da NewBeauty, mostra que os tratamentos estéticos […]

Menopausa muda a pele: por que alguns procedimentos estéticos ganham espaço nessa fase


A menopausa vem ganhando espaço nas conversas sobre beleza à medida que as mulheres passam a relacionar mudanças como ressecamento, perda de firmeza e alteração da textura da pele às transformações hormonais dessa fase. O movimento também aparece nos consultórios: o relatório “The State of Aesthetics Summer 2026”, da NewBeauty, mostra que os tratamentos estéticos voltados a essas queixas estão mudando. Entre os entrevistados, 76,6% demonstraram interesse em procedimentos baseados em energia, como lasers e microagulhamento com radiofrequência, categoria que passou a ocupar um espaço maior nas preferências do público.
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A mudança tem relação com o que acontece com a pele durante a transição menopausal. A queda dos níveis de estrogênio e progesterona interfere em características como espessura, hidratação e produção de colágeno.
“Na menopausa, ocorrem alterações hormonais com diminuição importante de estrogênio e progesterona. A consequência dessa diminuição hormonal na pele é o afinamento de sua espessura e a diminuição das fibras de elastina e colágeno. O resultado é uma pele mais fina, enrugada e flácida”, diz a dermatologista Paola Pomerantzeff.
Entre as queixas mais comuns está a perda do viço. Segundo Paola, os primeiros sinais relacionados à menopausa podem surgir por volta dos 47 anos, embora essa idade varie de mulher para mulher. “As mulheres podem ter a sensação de pele ‘esturricada’ e ‘craquelada'”, afirma.
É nesse cenário que procedimentos realizados em consultório aparecem entre as alternativas buscadas para melhorar a qualidade da pele. A escolha, porém, depende das características de cada paciente e do que se pretende tratar. Entre as possibilidades estão tratamentos injetáveis e procedimentos voltados à hidratação e à renovação cutânea.
O Hydrafacial, por exemplo, é apresentado pela dermatologista Lilian Brasileiro como uma opção voltada à limpeza e à hidratação. “O procedimento promove uma melhora imediata na aparência da pele por meio da tecnologia Vortex-Fusion®, que combina sucção a vácuo e soluções aplicadas pelas ponteiras para remover impurezas e favorecer a hidratação”, explica.
Entre os injetáveis, o skinbooster tem como proposta melhorar a hidratação e estimular a produção de colágeno. O procedimento utiliza pequenas quantidades de ácido hialurônico na derme, com o objetivo de melhorar a elasticidade e a qualidade da pele.
“É um ‘hidratante injetável’ que estimula o colágeno e melhora as linhas sem paralisar a musculatura, diferentemente da toxina botulínica”, detalha Paola. A cirurgiã plástica Beatriz Lassance acrescenta que o produto é aplicado em pequenas quantidades na camada dérmica.
Estímulo de colágeno
Quando a principal preocupação é a perda de sustentação, os chamados bioestimuladores de colágeno aparecem entre as opções utilizadas por especialistas. A proposta é estimular os fibroblastos, células responsáveis pela produção de componentes da matriz extracelular, a produzir novas fibras de colágeno.
“Os bioestimuladores são substâncias capazes de estimular os fibroblastos a produzir fibras de colágeno e elastina em maior quantidade e melhor qualidade. Quando injetados sob a pele, provocam uma inflamação muito controlada, que sinaliza ao organismo a necessidade de reparo”, destaca Beatriz. “Uma cascata de eventos semelhante à cicatrização é desencadeada, levando à formação de colágeno e elastina. É uma forma de compensar parte da perda de colágeno que se torna mais evidente na menopausa”, acrescenta.
Outra possibilidade é o ultrassom microfocado. Segundo Paola, as ondas emitidas pelo equipamento alcançam camadas mais profundas e promovem aquecimento localizado, estímulo que pode favorecer a produção de novas fibras de colágeno.
Também existem abordagens que associam diferentes procedimentos, mas a combinação não deve ser encarada como uma fórmula única. O médico Victor Secomandi cita protocolos que podem reunir biorremodeladores, bioestimuladores, preenchedores e lasers, de acordo com as necessidades de cada paciente.
“Combinamos tratamentos que atuam em diferentes aspectos, como qualidade da pele, sustentação e estímulo de colágeno. A estratégia depende das características e dos objetivos de cada pessoa”, pontua.
Quando a cirurgia entra em cena
Nem toda queixa relacionada à flacidez pode ser resolvida com procedimentos não cirúrgicos. Em casos de maior excesso de pele e alterações estruturais, as cirurgias faciais continuam entre as possibilidades. As técnicas atuais podem atuar em planos mais profundos, além de tratar a pele.
“O objetivo não é simplesmente tensionar a pele, mas trabalhar diferentes planos anatômicos para melhorar o contorno facial e cervical de maneira mais equilibrada”, comenta Beatriz.
A mudança na percepção sobre o envelhecimento também aparece nos procedimentos corporais. Entre mulheres na menopausa, cirurgias como abdominoplastia, lipoaspiração, lipo HD e lipoenxertia são procuradas não apenas por questões relacionadas à aparência, mas também pela maneira como o corpo se transforma nessa fase.
“A busca acompanha uma mudança importante de mentalidade. O objetivo pode envolver não apenas estética, mas também bem-estar, funcionalidade corporal e reconexão com a própria imagem em uma fase marcada por profundas transformações biológicas”, observa a cirurgiã plástica Heloise Manfrim.
Antes de uma cirurgia de maior porte, porém, o estado clínico da paciente também precisa ser considerado. A ginecologista Ana Paula Fabricio ressalta que as alterações hormonais podem interferir na distribuição de gordura, na elasticidade da pele e na recuperação dos tecidos:
“Preparar o organismo antes da cirurgia é tão importante quanto a própria técnica. A mulher na menopausa passa por mudanças hormonais que podem afetar a qualidade da pele e a recuperação dos tecidos. Ignorar esse contexto no planejamento pode comprometer tanto o resultado quanto o pós-operatório.”
Para o cirurgião plástico Carlos Manfrim, a avaliação conjunta entre diferentes especialidades pode ser importante nesse planejamento. “Quando há indicação, um acompanhamento individualizado permite considerar as alterações hormonais e outros fatores clínicos que podem influenciar a cirurgia e a recuperação”, afirma.
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E a região íntima?
As mudanças da menopausa também podem afetar a região genital. Entre as queixas estão alterações de elasticidade, ressecamento e desconfortos que podem interferir na vida sexual e na autoestima. Procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos são oferecidos para diferentes situações, mas a indicação deve partir de uma avaliação individual.
O ginecologista Igor Padovesi frisa que não existe um padrão estético único para a região. “A anatomia varia muito entre as mulheres. É considerado um problema aquilo que provoca desconforto físico ou emocional, constrangimento ou impacto na autoestima”, explica.
Entre os procedimentos está a ninfoplastia, cirurgia que reduz o excesso de pele dos pequenos lábios. “O objetivo é remover o excesso de tecido dos pequenos lábios, com técnicas que podem utilizar bisturi elétrico ou laser, dependendo da indicação”, diz o médico.
Para quadros relacionados à flacidez ou a alterações da região genital, também existem alternativas não cirúrgicas. A dermatologista Daniella Curi cita o ultrassom microfocado como uma das tecnologias utilizadas para estimular colágeno. Segundo ela, o equipamento pode atuar em diferentes regiões e profundidades, de acordo com as ponteiras empregadas e o objetivo do tratamento.
“Quando utilizado na região vaginal, o ultrassom microfocado pode atingir camadas específicas do canal e estimular a produção de colágeno. Externamente, a indicação pode envolver a flacidez dos grandes lábios ou, com outras ponteiras e parâmetros, o tratamento de gordura localizada”, relata.
E a reposição hormonal?
Embora procedimentos estéticos possam atuar sobre algumas manifestações cutâneas e corporais, eles não substituem o tratamento das alterações hormonais da menopausa. A terapia hormonal, quando indicada, deve ser avaliada individualmente por um médico, considerando histórico clínico, sintomas, riscos e benefícios.
Para Padovesi, abordar apenas as manifestações sem considerar a origem hormonal pode limitar o tratamento de algumas queixas. “Como muitos sintomas têm causas hormonais, é importante avaliar o quadro de forma abrangente. Quando existe indicação para terapia hormonal, ela deve ser prescrita e acompanhada por um médico”, conclui.

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BRCOM