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Mesmo após desistência de junção de samba, Vila Isabel mantém premiação de compositores preteridos

A Unidos de Vila Isabel vive dias turbulentos após voltar na decisão de juntar as músicas das chapas de Martinho da Vila e de Paulo César Feital para dar vida ao seu samba do próximo carnaval, que terá o enredo “Torto Arado: Sobre a terra há de viver sempre o mais forte”, inspirado no livro […]

Mesmo após desistência de junção de samba, Vila Isabel mantém premiação de compositores preteridos


A Unidos de Vila Isabel vive dias turbulentos após voltar na decisão de juntar as músicas das chapas de Martinho da Vila e de Paulo César Feital para dar vida ao seu samba do próximo carnaval, que terá o enredo “Torto Arado: Sobre a terra há de viver sempre o mais forte”, inspirado no livro de Itamar Vieira Junior. A união foi anunciada no último sábado, na final de samba da escola; porém, na segunda-feira, a agremiação divulgou uma nova definição: não haverá mais junção e apenas a composição de Martinho e cia. irá para a Avenida. A reviravolta provocou revolta, debandada e dúvidas em relação ao destino dos ex-campeões preteridos do grupo de Feital, mas, ao menos, uma certeza a azul e branca garante: eles continuarão premiados como vencedores.
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A agremiação revelou ao GLOBO que, apesar da retirada do samba de Paulo César, a remuneração oferecida ele e seus amigos na grande final, quando decretados campeões ao lado do grupo de Martinho da Vila, André Diniz e Evandro Bocão, será mantida. “Todas as composições envolvidas irão receber a premiação. Em relação aos valores, essa é uma informação interna da escola, mas, sim, todas serão contempladas”, disse a Vila Isabel em nota.
Entretanto, Feital, líder da composição feita com Gustavinho Oliveira, Thales Nunes, Danilo Garcia, Júlio Alves, Marcelo Martins e Gabriel Simões, disse não ter sido notificado sobre a decisão da escola de manter o prêmio:
— Não tenho informações sobre a premiação, entretanto, como não fomos proclamados campeões, nada devemos receber — afirmou Paulo César.
Separados antes de se unirem
Fontes ouvidas pelo GLOBO disseram que a decisão de não aceitar a junção dos sambas partiu de Martinho da Vila, que é historicamente contra a fusão de composições, por acreditar que, na maioria das vezes, as obras têm estilos diferentes e não combinam. Ele, inclusive, já teria desaprovado a medida em, pelo menos, outras duas ocasiões.
Desta vez, Martinho teria reforçado sua posição ao ser consultado pela escola. Ele até teria liberado o uso de sua composição caso a escola mantivesse a fusão, mas não queria assiná-la. A agremiação, então, voltou atrás e optou apenas por sua obra, antes de sequer gravar os sambas que seriam unidos.
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Marcelo Theobald/19-07-2025
A junção, proclamada em evento com a quadra lotada no último fim de semana, já havia provocado controvérsia. A maior parte do samba seria composta pela letra de Martinho da Vila. Mas o refrão principal viria do samba de Paulo e cia.
Ao desfazer a costura, a escola afirma ter levado em conta a relação de Martinho com a Vila. Destacou que o artista, de 88 anos, é presidente de honra e ostenta seis décadas de história com a azul e branco.
— Foi uma decisão pensada com muito cuidado e, acima de tudo, pautada na Vila Isabel. O Martinho tem uma relação muito especial com a nossa escola — diz o presidente da agremiação, Luiz Guimarães. — Agora, vamos trabalhar junto com os compositores, fazer os ajustes necessários e preparar esse samba para defender a Vila Isabel em 2027.
‘Desilusão’ e alfinetada de Mart’nália
Paulo César Feital admite que recebeu a decisão com tristeza, mas que a respeita:
— Passamos por uma alegria muito grande no dia do anúncio e, hoje (ontem), fomos tomados por uma desilusão. A garotada que faz parceria comigo, na faixa dos trinta e poucos anos, é doente pela Vila Isabel e chegou a chorar. O que venho falando para eles é que levantem o moral, joguem sua alma para dentro dos rios da paixão e naveguem neles. Ano que vem tem mais. A gente não pode fazer nada. Eu não participei de nenhuma reunião; então, não sei o porquê, mas a decisão da escola é suprema, e eu a acato respeitosamente.
A medida gerou revolta entre os compositores agora preteridos. Em protesto, pelo menos três deles, Gustavinho, Simões e Thales, anunciaram que sairão da escola.
“Confesso que fiquei pensando se, diante de tudo que aconteceu e de toda essa humilhação, deveria sentir vergonha ou qualquer coisa parecida. Posso afirmar, com todas as letras: não”, escreveu Gustavinho, ao anunciar o encerramento de seu ciclo como compositor da Vila. “A tristeza fica, porque existe sentimento, história e amor envolvidos. Hoje, também fica para mim uma reflexão: em alguns momentos, parece que Martinho, André Diniz e Evandro Bocão são maiores do que a própria instituição”, completou.
Thales Nunes, que nos últimos sete anos foi diretor geral da ala de compositores da agremiação, também desabafou:
“Nos últimos 13 anos, ininterruptamente, disputo sambas em busca de um sonho que foi esvaziado dolorosamente (…). Estou envergonhado, mas ciente que só fiz meu papel de sonhador. Não pedi para que meu sonho fosse dilacerado. O amor pela instituição será eterno, talvez a dor também”.
Gabriel Simões manifestou indignação:
“Infelizmente, esta covardia foi feita, e estamos pagando o preço com humilhação (…) Seguimos, mas não em Vila Isabel”.
O anúncio de Simões foi mal-visto por Mart’nália, sambista filha de Martinho da Vila, que comentou a publicação alfinetando o compositor mais jovem:
“‘Eu não quero saber. EU só sei que sou Vila Isabel’: Fiz este samba de quadra que só tem refrão quando disputei e perdi contra Bocão, Martinho e geral. Comecei a desfilar com 8 anos, não parei até agora com 61. Nem da pra contar quantas vezes fiquei triste com a escola e subindo e descendo e não largo não! Juventude desiste fácil, né?”.
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BRCOM