O Ministério da Segurança Nacional da Argentina iniciou, nesta quarta-feira (9), o processo de extradição para o Brasil do argentino Diego Hernán Dirísio, conhecido como “Mestre das Armas”. Preso pela Interpol em fevereiro de 2024, ele é apontado pela Polícia Federal (PF) como o maior traficante de armas da América do Sul.
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Em dezembro de 2023, a Justiça Federal da Bahia recebeu denúncia contra Dirísio por tráfico internacional de armas. Dois meses depois, quando foi preso, ele estava acompanhado da mulher, Julieta Nardi Aranda, que também teve a prisão preventiva decretada.
Segundo a PF, o casal é suspeito de integrar um esquema de importação ilegal de armas para facções criminosas brasileiras. A investigação aponta que, nos três anos anteriores à prisão, o grupo teria introduzido no país cerca de 43 mil fuzis e pistolas e movimentado aproximadamente R$ 1,2 bilhão.
A extradição de Dirísio foi autorizada pela Suprema Corte argentina em junho. De acordo com informações do El País, o Ministério da Segurança anunciou, nesta quarta-feira (10) que ele seria transportado de Buenos Aires para São Paulo sob forte esquema de segurança e, na cidade, entregue às autoridades brasileiras.
“Nós o encontramos, o prendemos e hoje o tiramos do nosso país. Adeus. Ele se foi”, escreveu a ministra da Segurança argentina, Alejandra Monteoliva, nesta quarta-feira.
Entenda o esquema
Dirísio é acusado de traficar armas por meio de sua empresa International Auto Supply (IAS), que tem sede em Assunção, capital paraguaia. De acordo com a investigação, o argentino comprava material bélico — milhares de pistolas, munições e fuzis — de vários fabricantes europeus sediados na Croácia, Turquia, República Tcheca e Eslovênia.
“Ele é o dono da empresa, que coordena todas as ações da empresa, acertou diretamente a venda e revenda sabendo que essas armas teriam que ser desmontadas e destinadas ao crime organizado. Isso ficou demonstrado na investigação e esta foi a maior dificuldade para iniciar a operação”, disse
— Ele é o dono da empresa, que coordena todas as atuações da empresa, fazia as tratativas diretas para a venda e revenda com ciência de que essas armas deveriam ser raspadas e destinadas ao crime organizado. Foram cerca de 43 mil nessa situação, desde 2020 — explicou o delegado Flávio Márcio Albergaria Silva, superintendente da PF na Bahia, em operação contra o grupo em dezembro de 2023.
Após chegarem em Assunção, capital paraguaia, as armas tinham a numeração raspadas e até recebiam logotipos de outras indústrias a fim de despistar os investigadores e eram então repassadas para as principais facções criminosas brasileiras — Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comanda da Capital (PCC). Segundo a PF, desde 2020, 659 fuzis e pistolas entregues pelo grupo aos criminosos foram apreendidas em dez estados brasileiro.
Segundo os investigadores, o esquema comandado por Dirísio envolvia doleiros e empresas de fachada no Paraguai e em Miami, nos Estados Unidos. As investigações apontam que os suspeitos em solo americano atuavam na parte financeira do esquema, realizando o pagamento das armas para os fabricantes no Leste Europeu: Croácia, Turquia, República Tcheca e Eslovênia.
A PF pediu a inclusão de 21 suspeitos na lista vermelha da Interpol, para que sejam extraditados ao Brasil, caso sejam presos. Em dezembro, foram apreendidos centenas de armas e uma grande quantidade de dólares. Além disso também foi determinado o bloqueio de R$ 66 milhões em bens, direitos e valores no Brasil.
'Mestre das Armas': maior traficante de armamentos da América do Sul é extraditado da Argentina para o Brasil
O Ministério da Segurança Nacional da Argentina iniciou, nesta quarta-feira (9), o processo de extradição para o Brasil do argentino Diego Hernán Dirísio, conhecido como “Mestre das Armas”. Preso pela Interpol em fevereiro de 2024, ele é apontado pela Polícia Federal (PF) como o maior traficante de armas da América do Sul. Megaoperação mira máfia […]