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novembro 6, 2026
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Morte de atriz de 'Barrados no Baile' chama atenção para saúde do coração

Por · novembro 6, 2026
Morte de atriz de 'Barrados no Baile' chama atenção para saúde do coração


A morte da atriz Kimmarie Johnson, conhecida por sua participação na série “Barrados no Baile”, aos 50 anos, chama atenção para um tema que ainda merece mais espaço nas conversas sobre saúde feminina: as doenças cardiovasculares. A artista passou mal em casa, em Los Angeles, no dia 27 de outubro, e foi levada ao hospital Cedars-Sinai, onde recebeu o diagnóstico de uma condição descrita pela família como aneurisma cardíaco. Ela morreu em 4 de novembro. Até então, a causa oficial da morte não havia sido divulgada.
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As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres no mundo. Uma revisão científica publicada no Journal of the American College of Cardiology aponta que essas enfermidades respondem por aproximadamente 35% dos óbitos femininos. Apesar da dimensão do problema, a atenção à saúde do coração ainda pode ficar em segundo plano diante de outras preocupações relacionadas ao bem-estar das mulheres.
O risco cardiovascular não está ligado a um único fator. Pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, sono inadequado e estresse persistente podem contribuir para o desenvolvimento dessas doenças, especialmente quando estão associados. É o que explica a cardiologista Patrícia Hitomi Kuga, que atua nas áreas de arritmias cardíacas e medicina do estilo de vida.
“O estresse provoca respostas fisiológicas, como a liberação de adrenalina e o aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial. Quando essa ativação acontece repetidamente, associada a outros fatores de risco, pode contribuir para o desgaste cardiovascular. Por isso, não devemos avaliar apenas o nível de estresse, mas todo o contexto de saúde daquele paciente”, ressalta a médica.
Por que as mulheres demoram a reconhecer os sintomas?
Um dos desafios da saúde cardiovascular feminina é identificar os sinais de alerta. A dor ou a pressão no peito continua sendo um sintoma importante de infarto tanto em homens quanto em mulheres. No entanto, algumas pacientes também podem apresentar falta de ar, náuseas, suor frio, fadiga intensa e desconforto nas costas ou na mandíbula.
Como nem sempre são associados a um problema cardíaco, esses sintomas podem ser confundidos com questões digestivas, ansiedade ou cansaço, o que pode atrasar a busca por atendimento. Estudos também apontam que mulheres enfrentam barreiras no diagnóstico e no tratamento de determinadas doenças cardiovasculares.
“É perigoso atribuir automaticamente uma dor no peito ao estresse. Algumas pessoas apresentam sintomas menos típicos e acabam adiando a procura por atendimento. Diante de suspeita de infarto, o correto é buscar assistência de emergência imediatamente, porque o tempo faz diferença na preservação do músculo cardíaco”, alerta Patrícia.
Menopausa e mudanças hormonais também merecem atenção
A menopausa é outra fase que merece atenção quando o assunto é saúde cardiovascular. A redução dos níveis de estrogênio está associada a mudanças no metabolismo, na distribuição da gordura corporal e no perfil de colesterol, alterações que podem influenciar o risco de doenças cardíacas. Isso, porém, não significa que mulheres mais jovens estejam livres dessas condições.
Complicações durante a gravidez, como pré-eclâmpsia e diabetes gestacional, além da menopausa precoce e de determinadas doenças autoimunes, também podem estar relacionadas ao aumento do risco cardiovascular ao longo da vida. Por isso, a avaliação preventiva deve levar em conta não apenas os exames de rotina, mas também o histórico clínico e reprodutivo da paciente.
O cardiologista Carlo Bonasso Filho, que atua no Instituto do Coração (InCor-HCFMUSP) e no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, destaca que o acompanhamento precisa considerar as características de cada pessoa, mesmo quando não há sintomas.
“Não existe um pacote de exames que sirva para todos. O acompanhamento precisa considerar as características de cada paciente. Um homem jovem com histórico familiar importante pode precisar de uma avaliação diferente daquela indicada para alguém mais velho e sem os mesmos fatores de risco. O fundamental é não esperar o aparecimento de sintomas para começar a cuidar da saúde”, ressalta.
Como reduzir o risco de doenças cardíacas?
A prevenção envolve hábitos que podem ser incorporados à rotina em diferentes fases da vida. Controlar a pressão arterial, acompanhar os níveis de colesterol e glicemia, praticar atividade física regularmente, evitar o tabagismo e manter uma alimentação equilibrada são algumas das medidas que ajudam a reduzir o risco cardiovascular.
O acompanhamento médico também permite identificar condições silenciosas, como hipertensão e alterações metabólicas, antes que provoquem complicações. Mulheres com histórico familiar de doenças cardíacas precoces ou outros fatores de risco podem precisar de uma avaliação individualizada.
Para Patrícia, é importante não atribuir automaticamente sintomas persistentes ao cansaço ou à rotina intensa. A sobrecarga emocional e profissional pode dificultar a percepção de mudanças no organismo, sobretudo entre mulheres que conciliam responsabilidades no trabalho e em casa.

Morte de atriz de 'Barrados no Baile' chama atenção para saúde do coração