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outubro 23, 2026
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Nas faculdades privadas de São Paulo, esquerda e direita se mobilizam em série de atos antes do segundo turno

Por · outubro 23, 2026
Nas faculdades privadas de São Paulo, esquerda e direita se mobilizam em série de atos antes do segundo turno


Política não era dos assuntos mais populares nas faculdades privadas de São Paulo, pelo menos até o primeiro turno das eleições presidenciais. Tão logo saiu o resultado, alunos e centros acadêmicos de esquerda ajudaram a organizar o ato espontâneo que lotou a avenida Paulista, no dia 11, junto da União Nacional do Estudantes (UNE) e das universidades públicas. Nos dias seguintes, outros “sub-atos” pipocaram em instituições privadas da cidade — e despertaram reações no campo oposto, que também passou a organizar manifestações.
Instituições como PUC, Mackenzie, Insper, Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) viram engrossar os grupos organizados de WhatsApp de ambos os lados do espectro político. Nesta quinta-feira (22), foi a vez dos atos da esquerda. A manifestação teve início às 18h30 com a concentração de centenas de pessoas em frente à Uninove, na Barra Funda, que seguiram em caminhada pela Rua Cardoso de Almeida rumo ao TUCA, Teatro da PUC-SP, em Perdizes.
O ato em frente teve início às 20h e foi organizado por alunos da FGV, ESPM, Belas Artes e Faculdade Paulus de Comunicação. Fernando Haddad, Marina Silva, Luana Alves, Sâmia Bomfim, Marilena Chaí e Luna Zarattini foram alguns dos presentes. Os manifestantes carregavam cartazes, faixas e bandeiras pedindo voto a Lula, com frases como “O filho teu não foge à luta”. Os gritos de “ole ole ole olá Lula Lula” e “Eu acredito” também acompanhavam o ato.
— Flávio Bolsonaro gabaritou no Enem do crime, então eu acho que ele não quer um mandato, ele quer um habeas corpus — alegou Haddad, ex-ministro da Fazenda e candidato derrotado ao governo de São Paulo, em uma tirada de educação.
As mobilizações se iniciaram de forma orgânica, conta a diretora de universidades privadas da UNE, Giovanna Pignataro. Nas semanas após o primeiro turno, alunos de diferentes universidades começaram a passar de sala em sala para convidar para os atos. Com a mobilização aquecida, a adesão furou a bolha das universidades da elite e ganhou adeptos em instituições mais acessíveis financeiramente, como a Uninove.
— Foi acendendo a luz para a UNE de que os alunos estariam dispostos a entrar nessa batalha de forma mais incisiva em universidades como a Uninove — diz Pignataro.
O diretório dos estudantes da Uninove passou a se organizar de forma mais incisiva em prol da reeleição de Lula e viu mobilizações em diferentes campi da universidade, como o do Paraíso, na Zona Sul, e o da Barra Funda, na Zona Oeste, de onde partiu a passeata desta quinta.
— A gente começou a mobilização no dia 5, depois da derrota no primeiro turno. Partiu de um Instagram de apoio dos estudantes da Uninove ao Lula. Enfrentamos resistências e críticas pelo posicionamento, em especial de alunos de cursos como medicina — diz Nicolas Cerqueira, estudante das graduações de direito e tecnologia em segurança pública e vice-presidente do diretório dos estudantes da Uninove.
A estudante de direito da FGV, Nina Souto, conta que apesar da faculdade em que ela estuda ser de elite, a mobilização política estava praticamente ausente entre o corpo estudantil até o resultado do segundo turno.
— Nós reativamos um coletivo criado na eleição de 2022, com o objetivo de lutar pela democracia, e entender o nosso papel como estudantes de uma universidade de elite — conta Nina.
Ato bolsonarista
Estudantes de direita das principais universidades particulares de São Paulo se articularam para a realização de um ato em frente ao Insper no dia anterior, em apoio ao candidato Flávio Bolsonaro (PL). A manifestação teve início às 18h com a concentração de centenas de pessoas na rua, com a presença da Polícia Militar limitando a passagem de carros pelo trecho. Mesmo com a confirmação de Lucas Pavanato, Eduarda Campopiano e Pablo Marçal, nenhum deles compareceu ao ato.
O deputado estadual Lucas Bove (PL) esteve presente e promoveu uma videochamada da multidão com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que comemorou a mobilização dos estudantes. Bove ainda incentivou o coletivo a virar votos e os parabenizou por se posicionarem.
– Para ter um futuro digno é preciso ter coragem – disse.
Os manifestantes carregavam cartazes com frases como “recuar petista recuar” e “Faltam 4 dias para aposentar o PT”. Camisetas com estampas de “Anti Petista Brasil Club”, “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos” também estavam presentes, acompanhadas de gritos de apoio à Flávio. A mobilização reuniu estudantes de diferentes instituições particulares em torno do apoio ao candidato.
Inicialmente, o ato estava marcado para ocorrer no campus da PUC, mas foi alterado por “questões de segurança”, como divulgado nas redes sociais da “direita puquiana”.

Nas faculdades privadas de São Paulo, esquerda e direita se mobilizam em série de atos antes do segundo turno