A literatura, o samba e a memória da cultura negra se encontram na quinta edição da Festa Literária do Renascença Clube (Flirena), que será realizada de quarta a sexta da próxima semana no tradicional espaço de resistência negra do Rio. Com o tema “A palavra me fez bamba”, o evento homenageia Nei Lopes, escritor, compositor e pesquisador reconhecido por sua contribuição à valorização da história e das culturas afro-brasileiras.
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A abertura, quarta (4), às 17h, será marcada pela roda de samba “Resenha com amigos do Rena”, com clássicos da obra de Nei Lopes. Nos outro dois dias, a programação inclui atividades voltadas a crianças e adolescentes, como narração de histórias, oficinas de colagem, jongo, percussão e xilogravura, aproximando o público das tradições afro-brasileiras por meio da arte e da cultura popular.
O encerramento terá como destaque o encontro “A palavra me fez bamba”, das 19h às 21h, com Nei, Marina Iris e Luiz Antônio Simas, sob mediação de Kemla Baptista. A programação terminará com samba de roda do grupo Samba Dikubata, das 21h às 23h.
— Quando escolhemos o tema deste ano, pensamos na multiplicidade de sentidos e universos que a palavra é capaz de criar. Ela está na roda de samba, nos saberes transmitidos pelos mais velhos e nas histórias que atravessam gerações— afirma o curador, Cleyton Santanna.
Entre as atrações desta edição estão oficinas de artes visuais com Guilherme Kid e Val Pires, do projeto Xilopretura, e de percussão com Jean Fortes. A programação também inclui atividades destinadas a estudantes, dando continuidade à proposta educativa do festival.
A trajetória do homenageado aproxima o conhecimento acadêmico das manifestações populares e das tradições transmitidas entre gerações. No samba e na literatura, Nei Lopes destaca a importância das experiências negras para a construção da identidade cultural do país — uma ligação que orienta a homenagem desta edição.
Nascido em 1942, em Irajá, Nei Braz Lopes deixou a advocacia no início da década de 1970 para se dedicar à música e à literatura. Desde então, construiu uma obra que abrange composição musical, poesia, ficção e pesquisa histórica. É autor de romances, contos, poemas, ensaios, dicionários e da Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana, trabalho de referência sobre a presença e as contribuições africanas na formação da sociedade brasileira.
Para a organizadora do evento, Emanuelle Rosa, a escolha também dialoga com a história do Renascença Clube, fundado em 1951 e reconhecido por seu papel na vida social e cultural da população negra carioca.
— Não poderíamos reunir todas essas dimensões sem homenagear Nei Lopes, um artista e intelectual que traduz essa potência em sua trajetória. Sua obra conecta literatura, música, história e cultura negra brasileira — afirma.
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Nei Lopes é homenageado em festa literária no Clube Renascença
