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Nicole Kidman teve gagueira na infância: quando a dificuldade para falar exige atenção?

Nicole Kidman voltou no tempo ao falar sobre uma dificuldade que enfrentou na infância: a gagueira. Aos 59 anos, a atriz contou que os episódios eram mais evidentes entre os 4 e 6 anos. Segundo ela, sabia exatamente o que queria dizer e ficava empolgada para se expressar, mas, quando tentava colocar as ideias em […]

Nicole Kidman teve gagueira na infância: quando a dificuldade para falar exige atenção?


Nicole Kidman voltou no tempo ao falar sobre uma dificuldade que enfrentou na infância: a gagueira. Aos 59 anos, a atriz contou que os episódios eram mais evidentes entre os 4 e 6 anos. Segundo ela, sabia exatamente o que queria dizer e ficava empolgada para se expressar, mas, quando tentava colocar as ideias em palavras, elas demoravam a sair.
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A experiência ainda faz parte de sua vida. Nicole afirma que, ocasionalmente, apresenta breves momentos de gagueira, mas aprendeu a lidar com eles fazendo pausas antes de retomar o raciocínio. O relato chama atenção para uma questão frequente entre pais e responsáveis: como diferenciar as disfluências esperadas durante o desenvolvimento da linguagem de sinais que precisam ser investigados?
A gagueira é uma alteração involuntária da fluência e pode aparecer na forma de repetições de sons ou palavras, prolongamentos e bloqueios. Durante a aquisição da linguagem, é comum que crianças passem por períodos de hesitação e repetição. A frequência desses episódios, a presença de esforço para falar e o impacto emocional, porém, ajudam a indicar quando é necessário buscar avaliação especializada.
Para a neuropsicóloga Roberta Machado, um dos primeiros cuidados é não interpretar a dificuldade como falta de inteligência ou incapacidade de organizar os pensamentos.
“A criança que gagueja geralmente sabe perfeitamente o que deseja dizer. A dificuldade está na fluência com que aquela fala é produzida. Isso é importante porque comentários como ‘pense antes de falar’, ‘fale direito’ ou ‘não fique nervoso’ podem aumentar a pressão sobre uma situação que não é voluntária”, explica.
Mais do que um episódio pontual, segundo a especialista, o comportamento ao longo do tempo merece atenção. Bloqueios frequentes, esforço visível para conseguir se expressar, frustração ou vergonha diante da própria fala são alguns dos sinais que justificam uma investigação. Também é importante observar se a criança começa a evitar determinadas palavras, conversas ou situações em que precise se comunicar.
O papel da escola
O ambiente escolar pode acrescentar desafios. Atividades como leitura em voz alta, apresentações e respostas diante da turma colocam a criança em situações nas quais a reação dos colegas e dos adultos pode interferir diretamente em sua segurança para se expressar.
Para Gabriela Mazaro, diretora escolar e neuropsicopedagoga, professores têm um papel importante nesse processo. Completar frases, demonstrar impaciência ou pedir que o aluno acelere o ritmo pode aumentar a tensão.
“O professor não deve completar as palavras ou frases, demonstrar impaciência ou pedir que a criança fale mais rápido. É importante oferecer tempo para que ela termine, manter o contato e valorizar o conteúdo do que está sendo dito, e não a maneira como a fala saiu”, orienta.
Mudanças de comportamento também podem funcionar como um alerta. Se um aluno que costumava participar passa a evitar apresentações, deixa de levantar a mão, reduz a interação com a turma ou demonstra medo de ser ridicularizado, a questão pode estar ultrapassando a dificuldade de fluência.
Isso não significa, no entanto, afastá-lo automaticamente das situações de comunicação. A estratégia, segundo Gabriela, deve ser criar condições para que ele continue participando sem associar a própria fala a constrangimento.
“O objetivo não é retirar automaticamente a criança de todas as situações de fala, porque isso também pode reforçar a ideia de que ela não consegue participar. Precisamos construir um ambiente em que ela tenha segurança para se comunicar sem medo de ser ridicularizada ou apressada”, pondera.
Como os adultos podem ajudar?
Em casa, a orientação é semelhante: menos cobrança e mais escuta. Corrigir constantemente, terminar frases ou demonstrar pressa pode aumentar a preocupação da criança com a maneira como está falando.
“A criança precisa perceber que as pessoas estão interessadas no que ela tem para dizer, e não em quanto tempo leva para dizer. Ouvir com naturalidade, sem terminar frases ou corrigir a todo momento, ajuda a preservar a confiança e o desejo de se comunicar”, conclui Roberta.

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BRCOM