A reunião do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, a respeito do envolvimento de ministros da Corte com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, não deve ter nenhuma consequência prática antes do segundo turno das eleições. Embora a ordem inicial de Fachin, no ofício de 2 de outubro, tenha sido para que a PF apresentasse relatórios sobre as descobertas da investigação das fraudes do Master a respeito dos magistrados, isso não será feito agora.
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Interlocutores do diretor-geral da PF vêm dizendo nos bastidores que, antes de apresentar qualquer relatório envolvendo ministros, ele vai pedir orientações de Fachin sobre como proceder em cada caso e que tipo de documento deve ser apresentado à Corte.
Além de representar um seguro para Andrei, que também tem tido sua atuação questionada dentro e fora da PF por conta de sua relação com Alexandre de Moraes e por ter participado da degustação de uísque e charutos promovida por Vorcaro em Londres, o pedido de orientação a Fachin também é uma forma de ganhar tempo e não gerar nenhuma notícia com potencial de impacto eleitoral antes do segundo turno.
Na semana passada, uma reunião da cúpula da PF com Moraes gerou estresse no Supremo Tribunal Federal e levou ao pedido de Luiz Fux para ter acesso à íntegra do inquérito das fake news.
Além de Andrei Rodrigues, também estavam na reunião o diretor de inteligência, Leandro Almada, o diretor de combate ao Crime Organizado, Dennis Cali, e os delegados Victor Arruda e Guilhermo Catramby.
Entre ministros da ala pró André Mendonça, a reunião foi vista como uma iniciativa de proteção a Alexandre de Moraes frente à pressão sobre ele com o caso Master, especialmente após o resultado das eleições para o Senado.
Mas Fachin, que é o novo relator, negou o acesso sob o argumento de que está analisando os 104 procedimentos sob o guarda-chuva das fake news e decidindo o destino de cada um deles antes de levantar o sigilo.
O inquérito das fake news passou à relatoria de Fachin no dia 9 de setembro. Em um pente-fino, o ministro encontrou 104 procedimentos dentro do processo investigativo, como mostramos no blog. Tratam-se de desdobramentos da apuração principal, que estão sendo avaliados por um juiz auxiliar designado especialmente para o “saneamento” do inquérito, que é como vem sendo chamada a tarefa no como vem sendo chamado esse trabalho no gabinete de Fachin.
O efeito da reunião de Fachin com Andrei Rodrigues sobre o envolvimento de ministros do STF com Vorcaro
