O bumbum de Virginia Fonseca voltou a despertar comentários nas redes sociais e a colocar em evidência um padrão de beleza que valoriza glúteos volumosos, cintura fina e pernas definidas. Em fotografias e vídeos, a influenciadora aparece com curvas que chamam atenção do público. A repercussão também abre espaço para uma discussão que vai além da aparência de uma celebridade: como as referências difundidas nas redes influenciam a percepção das mulheres sobre o próprio corpo e suas escolhas estéticas?
Bumbum de Virginia Fonseca: quanto custa chegar ao resultado? Especialistas explicam
Virginia Fonseca chama atenção pelo bumbum: o que realmente define o formato?
Não é possível determinar apenas pelas imagens se Virginia realizou procedimentos ou se houve mudanças reais no volume dos glúteos. Ainda assim, a repercussão em torno de sua silhueta ajuda a observar a força de um ideal que associa determinadas proporções à beleza. Para o cirurgião plástico Jorge Seba, um dos cuidados é não tentar reproduzir em outra pessoa características que pertencem a uma anatomia diferente.
“Não existe um desenho ideal que possa ser transferido de uma pessoa para outra. O resultado precisa conversar com a estrutura daquele paciente. Quando começamos a perseguir medidas, formatos ou referências que pertencem a outro corpo, aumenta a chance de criar expectativas incompatíveis com a anatomia individual”, alerta.
A procura por procedimentos de contorno corporal também faz parte desse cenário. Mas o aumento dos glúteos, isoladamente, não garante um resultado proporcional. Segundo o cirurgião plástico Marco Cassol, a avaliação deve levar em conta a relação entre cintura, quadril, coxas e bumbum, já que diferentes regiões participam da aparência do contorno corporal.
“Às vezes, a percepção de projeção do glúteo muda quando trabalhamos regiões ao redor dele. Cintura, flancos, quadril e coxas participam da construção visual do contorno corporal. Por isso, não podemos pensar que aumentar o volume do bumbum seja sempre a única resposta”, explica.
Para a cirurgiã plástica Cristiane Gusmão, a questão não está no tamanho do bumbum de uma celebridade, mas na transformação de uma referência estética em uma espécie de exigência para outras mulheres. Ela ressalta que não há um modelo único a ser seguido e que qualquer decisão precisa considerar as características de cada pessoa.
“Não existe um tamanho de bumbum que seja universalmente bonito ou ideal. Do ponto de vista médico, precisamos considerar as proporções corporais, as características anatômicas de cada paciente e, principalmente, a segurança”, afirma.
Bumbum de Virginia Fonseca levanta debate sobre padrões de beleza
Reprodução Instagram
A percepção dessas proporções também pode ser influenciada pela forma como os corpos são apresentados nas redes sociais. Fotografias e vídeos podem recorrer a recursos que modificam a aparência, como iluminação, pose, ângulo, edição e filtros. A exposição frequente a essas imagens, observa Cristiane, pode levar mulheres a comparar o próprio corpo com representações que não correspondem necessariamente à realidade.
“Muitas imagens são produzidas com iluminação, pose, ângulo, edição e filtros que alteram a percepção das proporções corporais”, observa a cirurgiã.
Diante desse cenário, a decisão de realizar uma intervenção não deve partir apenas de uma imagem ou de um resultado visto na internet. Para Marco Cassol, a avaliação médica precisa anteceder a escolha do procedimento e considerar as necessidades e condições de cada paciente.
“O paciente muitas vezes chega dizendo qual procedimento quer fazer porque viu determinado resultado nas redes. A avaliação médica faz o caminho contrário: primeiro precisamos entender qual é a queixa, analisar a anatomia e só depois discutir se existe indicação e qual abordagem seria adequada. Procedimento não deveria começar pela tendência, mas pelo diagnóstico”, destaca.
Cristiane acrescenta que também cabe ao cirurgião orientar o paciente sobre as possibilidades e os limites de cada intervenção, inclusive quando não há indicação para realizá-la.
“O papel da cirurgia plástica não é simplesmente atender ao desejo de aumentar, mas orientar, estabelecer limites e, quando necessário, contraindicar um procedimento”, pondera.
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No fim, a decisão de mudar o corpo precisa levar em conta mais do que uma referência vista nas redes sociais. Como ressaltam os cirurgiões, cada pessoa tem proporções e características próprias, e nem todo resultado que chama atenção em uma fotografia é adequado para ser reproduzido.
O que explica a repercussão em torno do bumbum de Virginia Fonseca?
