Peças de teatro e exposições movimentam a programação cultural da Tijuca e do Alto da Boa Vista nos próximos dias, com opções para diferentes idades e públicos e preços a partir de R$ 15 ou até entrada grátis. Confira a programação.
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A porta mágica
“A porta mágica” mistura música, dança, magia e interação com o público na história de Maria
Divulgação/Aline Baptista
No Teatro Municipal Ziembinski, na Tijuca, “A porta mágica” estreia neste sábado e faz temporada até o próximo dia 25, aos sábados e domingos, às 16h. A montagem do Grupo Teatral Aslucianas acompanha Maria, uma menina curiosa que enfrenta os próprios medos para descobrir diferentes formas de se expressar.
A história mistura teatro, música, dança, interação com o público e números de mágica. Ao atravessar portas que a levam a diferentes universos, Maria encontra palavras, sons e cores e usa a imaginação para enxergar o mundo de outra forma.
— O espetáculo é um convite para enxergar o mundo de outra maneira, descobrir novas formas de se expressar e, acima de tudo, acreditar que a magia pode nascer dentro de cada um de nós — afirma Luciana Ezarani, dramaturga e codiretora.
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A peça aborda autoestima, expressão emocional e empoderamento infantil. Antes e durante as sessões, há mediação e um cantinho sensorial, com atividades voltadas à criatividade e à autonomia. Aos sábados, as apresentações têm interpretação em Libras. O ingresso custa R$ 30 (inteira).
Memórias do Jacarezinho
Montagem aborda as relações construídas no Jacarezinho
Divulgação/Leo Lima
No Sesc Tijuca, “Querer ficar, mas ter que partir” fica em cartaz até o próximo dia 11, de quinta a sábado, às 19h; e aos domingos, às 18h. Idealizado por Natália Brambila, o espetáculo parte das memórias do Jacarezinho para abordar migração, trabalho e as transformações do território.
A história também recupera a trajetória da mãe de Natália, Elida, que deixou Minas Gerais aos 14 anos e veio para o Rio em busca de trabalho. No Jacarezinho, conseguiu seu primeiro emprego em uma das fábricas do Complexo Industrial do Jacaré.
A pesquisa aborda o movimento migratório que marcou a região especialmente a partir dos anos 1960, quando o complexo industrial atraía trabalhadores de diferentes partes do país. Ao redor das fábricas, cresceram moradias, comércio e relações comunitárias que ajudaram a formar a identidade do território.
A montagem também trata das mudanças provocadas pelo fechamento das fábricas, pelas crises econômicas e pelo desemprego, além das formas encontradas pelos moradores para reconstruir vínculos e produzir manifestações culturais.
A história da escola de samba Unidos do Jacarezinho, fundada em 1966 por Dona Andressa Moreira da Silva, aparece na montagem, assim como referências a artistas ligados ao território, entre eles Lacraia, MC Serginho e MC Nem do Jacarezinho. MC Serginho participa do espetáculo.
O diretor Reinaldo Junior explica que o palco se transforma em espaço de memória, mas também de imaginação.
— A favela não aparece apenas como cenário ou lugar de carência, mas como território vivo, complexo e criador de mundos — diz ele.
Realizada pela Cia Cria do Beco, a peça reúne jovens artistas negros, universitários e moradores de favelas do Rio, muitos deles também afetados por histórias de migração. Os ingressos variam de R$ 15 a R$ 30, com sessões gratuitas pelo Programa de Comprometimento com a Gratuidade (PCG).
Obras em três dimensões
“Troféu de caça 3”, de Laura Freitas, também está na mostra “Ecos da Oficina”
Divulgação
No Espaço 226, no Alto da Boa Vista, “Ecos da Oficina” reúne cerca de 35 obras de 13 artistas ligados à antiga Oficina 3D da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Com entrada gratuita, a mostra apresenta esculturas, objetos, instalações e assemblages produzidos com materiais como mármore, madeira, plástico, vidro e metais.
A exposição pode ser visitada até o próximo dia 25, às terças e quartas-feiras, das 11h às 17h. Participam Alfredo Antonelli, Agostinho Moreira, Bromélio, Carla Pereira, Júnia Azevedo, Katia Politzer, Laura Freitas, Luna Bastos, Marcelo Monteiro, Marcos Duarte, Marcus Ferrer, Mark Feddersen e Nathalie Nery.
Com texto crítico de Fernanda Pequeno, a exposição reúne pesquisas diferentes que têm em comum a experiência na Oficina 3D e o trabalho com a tridimensionalidade.
— Convidamos artistas com pesquisas bem distintas para mostrar as diferentes formas que encontraram para trabalhar a tridimensionalidade em suas obras. O que os une é a experiência que tiveram na Oficina 3D, idealizada por João Carlos Goldberg dentro do Curso de Escultura da EAV — explica o professor e artista Marcos Duarte.
Criada por Goldberg, a Oficina 3D recebeu gerações de artistas e oferecia maquinário, ferramentas, orientação técnica e acompanhamento em diferentes etapas da criação. Duarte acompanhou o professor durante 11 anos, primeiro como aluno, depois como monitor e professor assistente, e conduziu a oficina até a interrupção das atividades, em dezembro de 2024.
Com o encerramento, a frequentadora Carla Pereira reuniu outros artistas e convidou Duarte para dar continuidade ao trabalho em outro endereço. Assim surgiu o Espaço 226, que reúne ateliês, residências temporárias e oficinas de marcenaria, serralheria e cerâmica.
— Diferentemente da pintura ou do desenho, que são planos, a escultura e a instalação lidam com aspectos como volume, escala, peso, equilíbrio e resistência dos materiais e exigem apoio técnico, locais de trabalho adequados e ferramentas específicas. É isso que buscamos oferecer aqui — explica Duarte.
Além da estrutura, o espaço foi planejado para manter a convivência entre artistas, característica que marcou a antiga oficina.
— Um dos pontos altos da Oficina 3D era a convivência e a troca cotidiana entre os artistas. Essa é a nossa inspiração — afirma Carla.
Gestos e memórias
Também no Sesc Tijuca, Renato Bezerra de Mello apresenta a exposição individual e inédita “Gestos cotidianos”. São 11 conjuntos de trabalhos que, dispostos nas paredes, pendendo do teto ou exibidos em mesas, prateleiras e no chão, materializam os caminhos criativos e de pesquisa do artista pernambucano radicado no Rio.
“Aparas”. Restos de papel vegetal em espiral numa das obras de Renato Bezerra de Mello
Divulgação/Wilton Montenegro
Entre os trabalhos estão pequenos nós em fios de meada, centenas de folhas de papel carbono dupla-face perfuradas em diferentes formas geométricas, bolinhas coloridas criadas pelo lixamento manual de cubinhos de giz de sinuca, esculturas de grafite artesanal, aparas de papel vegetal em espiral e recortes de pastas de um arquivo encontrado pelo artista em uma caçamba de lixo.
Com curadoria de Daniela Name e Jocelino Pessoa, a mostra enfatiza a minúcia do fazer manual e destaca como essa prática incide sobre a autobiografia e a memória, atravessando questões familiares, relações amorosas e episódios vividos pelo artista em sua rotina e no ateliê.
Com entrada franca, a mostra pode ser visitada até 3 de janeiro, de terça a sexta-feira, das 10h às 20h; e sábados e domingos, das 10h às 17h. O Sesc fica na Rua Barão de Mesquita 539.
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