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outubro 6, 2026
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O que se sabe sobre o roubo de capa de livro de Salvador Dalí de museu na França

Por · outubro 6, 2026
O que se sabe sobre o roubo de capa de livro de Salvador Dalí de museu na França


Uma peça criada por Salvador Dalí para uma edição especial do Livro do Apocalipse foi roubada durante a madrugada de domingo para segunda-feira do Centro de Arte Contemporânea de Issoire, no centro da França. A capa, feita de bronze e decorada com ouro, pedras preciosas e conchas, pesa 150 quilos e era uma das principais peças em exposição no museu privado. A investigação está a cargo da brigada de pesquisas da Gendarmaria de Clermont-Ferrand.
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O roubo ocorreu entre a noite do último domingo e a manhã de segunda-feira. Informações divulgadas nesta terça-feira indicam que um dos portões principais do centro de arte foi danificado, embora as autoridades ainda não tenham detalhado como os criminosos conseguiram retirar uma peça de 150 quilos do local. O prefeito de Issoire, Bertrand Barraud, afirmou que ainda não era possível confirmar se houve arrombamento.
A peça levada é a capa do Livre de l’Apocalypse, obra encomendada pelo editor de arte francês Joseph Forêt. O projeto começou em 1958 e foi concebido a partir do texto do Apocalipse de São João. A edição reúne grandes pergaminhos ilustrados por sete pintores e escritos por sete autores do século XX, entre eles Jean Cocteau, Jean Giono, Ernst Jünger, Léonard Tsuguharu Foujita, Leonor Fini, Georges Mathieu e Bernard Buffet. Dalí ficou responsável pela elaboração da capa, produzida pela técnica de cera perdida.
A capa não é apenas um elemento decorativo. Ela foi concebida como um estojo monumental para os pergaminhos e é considerada parte integrante da obra. O conjunto completo pesa cerca de 210 quilos, dos quais 150 correspondem à peça criada por Dalí. Segundo o Ministério Público de Clermont-Ferrand, trata-se de uma obra “excepcional e única”.
O livro teve uma trajetória incomum. Entre 1961 e 1972, passou por cerca de 150 exposições em diferentes países. Depois, ficou armazenado na Suíça e acabou vendido a proprietários japoneses. Segundo informações publicadas pela imprensa francesa, os então proprietários chegaram a considerar colocar as diferentes partes da obra em leilão separadamente. Em 2003, porém, o conjunto foi adquirido por Christian Karoutzos, empresário ligado à restauração de obras de arte e responsável pelo centro de arte de Issoire.
Karoutzos havia decidido expor a capa e alguns dos pergaminhos no centro de arte durante o outono europeu. Em entrevistas recentes à imprensa local, ele apresentou a obra como uma peça única. Após o roubo, afirmou que o que foi levado representa o trabalho de uma vida e parte do patrimônio francês. O prefeito de Issoire também classificou o prejuízo como “inestimável” e disse ter conversado com o proprietário, que estava profundamente abalado.
Quanto vale a obra?
O valor de R$ 1,7 milhão citado em reportagens brasileiras corresponde à conversão aproximada de uma avaliação feita na época da criação da obra, e não necessariamente ao seu preço atual de mercado. Naquele momento, o Livro do Apocalipse havia sido avaliado em 2 milhões de francos franceses, o equivalente a cerca de € 305 mil em valores posteriores. Segundo Karoutzos, a cifra fazia do volume o livro mais caro do mundo à época.
O valor atual da peça não foi divulgado pelas autoridades nem pelo proprietário. Por sua singularidade, entretanto, a imprensa francesa tem descrito a obra como de valor incalculável ou de vários milhões de euros. Como a capa roubada é única e faz parte de um conjunto artístico específico, uma eventual avaliação de mercado não pode ser tratada simplesmente como uma atualização da cifra histórica.
Investigação
O caso foi encaminhado à brigada de pesquisas da Gendarmaria de Clermont-Ferrand. Até o momento, não foram divulgadas prisões nem a localização da peça. Também não há informação oficial sobre quem realizou o roubo ou sobre a possível existência de uma rede especializada em furtos de obras de arte.
O furto ocorre em um momento de atenção crescente das autoridades francesas para a segurança de museus e instituições que guardam patrimônio artístico. Nos últimos meses, diferentes estabelecimentos culturais do país foram alvo de invasões e furtos. O episódio mais emblemático foi o roubo de joias históricas do Louvre, em outubro de 2025. Desde então, o Ministério da Cultura francês apresentou um plano com 33 medidas voltadas ao reforço da segurança e à prevenção de crimes contra o patrimônio.
Karoutzos havia decidido expor a capa e alguns dos pergaminhos no centro de arte durante o outono europeu. Em entrevistas recentes à imprensa local, ele apresentou a obra como uma peça única. Após o roubo, afirmou que o que foi levado representa o trabalho de uma vida e parte do patrimônio francês. O prefeito de Issoire também classificou o prejuízo como “inestimável” e disse ter conversado com o proprietário, que estava profundamente abalado.

O que se sabe sobre o roubo de capa de livro de Salvador Dalí de museu na França