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O STF e o primeiro amor: assim como o namoro que não deu certo, os jovens vão se lembrar desta barafunda política até o fim da vida

Tem o que ganhou dinheiro onde não devia. Tem o que foi sócio de quem não podia. Tem também o que está usando esses dois para eleger o que pegou um dinheiro que não podia e usou onde não devia. A vingança da Barra: depois de perder espaço para Goiás e Balneário Camboriú, o Rio […]

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Tem o que ganhou dinheiro onde não devia. Tem o que foi sócio de quem não podia. Tem também o que está usando esses dois para eleger o que pegou um dinheiro que não podia e usou onde não devia.
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Todo dia, no café da manhã, tento explicar ao meu filho, que anda meio avoado — não preciso dizer mais —, a política nacional. Ele vai votar pela primeira vez. Como pai, não confio na realidade paralela criada pelas redes sociais, pelo WhatsApp e pelos influencers do YouTube. Preciso contar a verdade sobre o que está acontecendo. É a minha obrigação, acho. Mostrar que a realidade é dura, preparar o filho para essa selva que está aí.
Mas é só para isso que sirvo? Não tem nada mais que eu possa dizer neste momento em que ele anda avoado?
Semana que vem começa a primavera e, mais cedo ou mais tarde, esta chuva vai passar. De que me lembro quando tinha a idade dele? Não dos políticos ou do STF.
Lembro-me da minha primeira namorada.
E a situação do país?
Nada. Só dela.
Não esqueci porque não se esquece do primeiro amor. Quem não para às vezes numa esquina qualquer, do nada? Quem, às vezes, não se demora olhando para o espelho? Quem não se lembra, numa quarta-feira qualquer, de algo que aconteceu muitas décadas atrás? Acho até que você, leitor, leitora, está, neste momento, lembrando. Acho também que está com um sorriso no canto da boca. A gente se conhece.
O encontro por acaso, o jeito diferente, o primeiro beijo. A paixão, a vertigem. O amor. Os sonhos a dois, os planos, os muitos planos, a certeza de que iam dar certo. A fita Basf com as músicas dos dois. Os corações na capinha. As mãos dadas no cinema. O “desliga você”, os bilhetes, as primeiras flores: “Moço, quantas rosas dessas eu consigo comprar com dez mil cruzeiros?” A primeira vez que a gente acreditou que ia ser para sempre. As brigas, as pazes, os ciúmes. O êxtase. Os acordes de “Andança” anotados no caderno de geografia. As descobertas, as idas, as voltas, o fim. Nada fica para trás.
Todos se lembram dos primeiros namoros: o cafajeste que conta suas peripécias na mesa do bar. A moça triste que só fala de mágoas e ressentimentos nas redes. Basta baixarem um pouco a guarda que aparecem as histórias que importam. Todas únicas, todas um pouco parecidas.
“Quando a gente tiver um filho, como ele vai se chamar?” A noite inteira pensando em nomes. Eu tinha um futuro e um amor.
Me dou conta de que insisto em explicar esta barafunda política em todo café da manhã, mas o que eu preciso mesmo é dizer: aproveita, porque você vai se lembrar desta primavera até o fim da sua vida. Não deixa nada pra depois, não guarda nenhum sentimento. Confia. Se der ruim, paciência, no futuro você vai achar até graça e escrever sobre isso no jornal. Você ainda não sabe, mas vão passar muitas pessoas na sua estrada, algumas vão te derrubar, outras vão te levantar. Outras vão apenas passar. A primeira namorada vai ficar para sempre, acenando no retrovisor.
Ela usava um casaco da Company. Os seus olhos de um azul quase violeta se encheram de água e ela me disse que não dava mais. Era uma quarta-feira, cinco e meia da tarde, na esquina da São Clemente com a Barão de Lucena.
Vai, filho, aproveita. Passa rápido e, ao mesmo tempo, é pra sempre. Um dia você também estará falando de política e do STF no café da manhã e, do nada, vai se lembrar desta primavera.
A chuva vai passar. Confia.

O STF e o primeiro amor: assim como o namoro que não deu certo, os jovens vão se lembrar desta barafunda política até o fim da vida

Autor

BRCOM