A oposição israelense acusou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nesta segunda-feira de se aproveitar do conflito com o Irã para obter vantagem política às vésperas das eleições legislativas do país. Um chefe das Forças Armadas teria afirmado que o governo estaria planejando uma operação contra o país iraniano antes das eleições, de acordo com o Canal 12. Por outro lado, o Irã afirmou que o resultado das eleições israelenses não terá impacto na relação entre os dois países. Israel atacou alvos alvos iranianos em junho de 2025, episódio chamado de Guerra de 12 dias, e iniciou uma guerra contra o país persa ao lado dos Estados Unidos em 28 de fevereiro.
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Nas redes sociais, Netanyahu, que nas últimas semanas afirmou que “derrubar” o governo iraniano era a única forma de eliminar a ameaça representada por Teerã, publicou a imagem de uma nuvem atômica sobre Tel Aviv. Na legenda, ele chamou Irã de uma ameaça existencial e mencionou um risco de um “segundo Holocausto” se ele for derrotado nas eleições. O primeiro-ministro também reiterou seu temor de que Teerã pode tentar interferir no processo eleitoral israelense, citando desta vez “informações dos serviços de inteligência”.
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‘Perdeu a cabeça’; governo x exército
Segundo o Canal 12, um chefe das Forças Armadas, Eyal Zamir, solicitou esclarecimentos ao governo de Netanyahu sobre uma possível operação militar que poderia desencadear um confronto direto com o Irã. De acordo com a emissora, o militar também exigiu garantias jurídicas e autorizações formais dos líderes políticos antes de qualquer ação.
Nos últimos dias, reportagens da imprensa israelense apontam que o premier teria pressionado o presidente americano Donald Trump a iniciar uma nova campanha de bombardeios contra o Irã antes das eleições, aumentando as suspeitas da oposição de que a política externa e a segurança nacional estejam no centro de uma estratégia eleitoral.
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O principal adversário de Netanyahu na disputa eleitoral, Gadi Eisenkot, acusou o premier de colocar interesses pessoais acima da segurança do Estado. Também em uma rede social, o Eisenkot criticou o rival e qualquer tentativa de envolver as Forças Armadas em uma campanha política: “Não tente colocar seus interesses políticos acima da segurança do Estado”, escreveu.
Durante a campanha política, Netanyahu já descreveu o seu oponente como um perigo para o futuro de Israel, alegando que ele permitirá a criação de um Estado palestino — o que o candidato rejeita — e que formará uma coalizão com os partidos árabes israelenses.
Em resposta, um porta-voz do Irã declarou que o resultado das eleições não terá impacto na relação entre os dois países e que “pouco nos importa quem, nestas eleições, assuma a liderança de um regime que só trouxe violência e massacres para nossa região”.
O atual líder da oposição, Yair Lapid, fez críticas duras e afirmou que Netanyahu “perdeu a cabeça. Devemos, imperativamente, mandá-lo de volta para casa”. E o ex-ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, exigiu a abertura de uma investigação por “traição” contra o primeiro-ministro, que, segundo ele, estaria disposto a “sacrificar a vida dos soldados porque teme uma derrota eleitoral”.
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Netanyahu negou a informação divulgada pelo Canal 12 e o atual ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que as suspeitas de divergências entre governo e Exército são “totalmente infundadas e falsas”, e enfatizou que não há qualquer intenção de ataque ao Irã antes das eleições.
Ainda assim, fontes anônimas ouvidas pela emissora expressam preocupação dentro das Forças Armadas de que o primeiro-ministro utiliza “a questão iraniana para obter impulso político”.
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