O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a melhor solução para evitar suicídios, vício em apostas e violência familiar é manter a proibição das bets. Padilha participou da audiência convocada pelo ministro Luiz Fux, do STF, para discutir os impactos da medida.
– Com todo o respeito, ouvi um representante de um time de futebol dizer que a briga dele são os clubes, os salários, como manter o time de futebol. A minha briga são as mulheres, 65% delas que têm vergonha de procurar um serviço de saúde, mesmo quando reconhecem que estão viciadas. A minha briga são as pessoas que se suicidam, diante de dados de pesquisas que mostram que as bets aumentam em 15 vezes o risco de suicídio. Esse risco é ainda maior entre as mulheres. A minha briga são os profissionais de saúde que sentem, na ponta das unidades de saúde, ao longo desses anos, um crescimento exponencial de pessoas que procuram os serviços para tratar da ludopatia, da necessidade de cuidado com esse vício. É um tema contemporâneo, novo, que nem mesmo esses profissionais conheceram durante sua formação.
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Segundo Padilha, nenhum país que legalizou as bets conseguiu melhorar os indicadores de saúde relacionados às apostas, mesmo após adotar medidas como restrições à publicidade.
– Fui conhecer a experiência de outros países. Meus colegas ministros de sistemas nacionais de saúde me relataram que, depois de legalizar as apostas, esses países buscaram aprimorar o controle e coibir a publicidade. Nenhum deles, porém, tem dados que mostrem melhora dos indicadores de saúde depois dessas medidas. Estou falando de países que, por exemplo, proibiram a publicidade ao longo do dia ou retiraram a publicidade de determinados espaços. Nenhum deles mostrou melhora nos indicadores.
Padilha apresentou dados sobre a dimensão do problema. Segundo ele, 28 milhões de pessoas apostaram nos últimos 12 meses, das quais 11 milhões apresentam padrões de risco ou comportamento problemático. Além disso, houve aumento de mais de 200% na procura pelo Sistema Único de Saúde (SUS), entre 2018 e 2026, por questões relacionadas à ludopatia associada aos jogos eletrônicos.
Padilha cita risco de suicídio e pressão sobre o SUS para defender proibição das bets
