O candidato ao governo do Estado do Rio Eduardo Paes (PSD) fez uma caminhada com prefeitos da Baixada Fluminense na manhã desta sexta-feira, no mesmo horário em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promovia um ato de campanha no centro da capital. A surpresa do evento foi a presença da prefeita de Belford Roxo, Mariana Canella (União), do grupo político de Marcio Canella, que até então se mantinha neutro na disputa. No evento, Paes afirmou que torce para que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) defina a situação do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) antes do pleito de domingo.
— Acho importante ter estabilidade na eleição do terceiro maior colégio eleitoral do país, que é o Estado do Rio de Janeiro. É importante que o TSE decida, mas a gente confia na Justiça, e os advogados saberão fazer isso — afirmou o candidato do PSD.
Hoje, o entendimento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) é de que Garotinho está com os direitos políticos suspensos, em razão de uma condenação por improbidade administrativa. O candidato, no entanto, recorreu ao TSE com o argumento de que o prazo da condenação teria começado a contar em 2018, e não no ano passado, quando o caso transitou em julgado — desta forma, o período já teria sido cumprido. Ele espera a decisão do órgão para saber se seus votos serão ou não validados.
Ainda na Baixada, Paes comentou uma publicação feita nesta quinta-feira em suas redes sociais, na qual alegou que um candidato estaria circulando dinheiro em espécie para a compra de votos. Questionado se as acusações se referiam a Douglas Ruas (PL), seu principal rival nesta eleição, o ex-prefeito do Rio se esquivou:
— Quando você não tem elementos, não dá para apresentar uma prova, eu não costumo falar. Por exemplo, eu falo abertamente da fortuna e dos milhões do Douglas Ruas porque tem prova. Ele é milionário muito jovem na política. Mas, quando não tenho prova, eu só alerto. Eu tenho informações muito sólidas, que foram passadas para a Polícia Federal, da quantidade de dinheiro que está rodando nesses dias de fornecedores do Estado preocupados com uma provável vitória nossa. E é para eles ficarem preocupados mesmo, porque vai acabar a mamata. Mas eles estariam distribuindo dinheiro para fazer boca de urna e comprar a eleição. Então eu alertei as autoridades competentes, especialmente a Polícia Federal, que está em cima disso.
Apoio do grupo de Canella
A presença de Mariana no ato de apoio a Paes indica uma proximidade cada vez maior do grupo político do candidato a deputado estadual Márcio Canella com o ex-prefeito do Rio.
Márcio, que chegou a ser anunciado candidato a senador na chapa de Ruas, tinha decidido ficar neutro na disputa ao governo depois que a aliança com os bolsonaristas não foi adiante.
— Tenho certeza de que dia 4 você sairá com essa vitória, e meu voto é seu — afirmou Mariana em seu discurso, sem citar o padrinho Márcio Canella.
Ao todo, Paes reuniu nove dos 13 prefeitos da Baixada no ato de apoio a sua candidatura. Estiveram no evento ainda os prefeitos de Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Magé, São João de Meriti, Queimados, Itaguaí, Seropédica, Japeri e Paracambi.
Paes faz caminhada na Baixada durante ato de Lula no Rio e diz torcer para que caso Garotinho se resolva antes de domingo
