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setembro 29, 2026
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Pelo menos 150 colonos israelenses atacam aldeia na Cisjordânia e impedem família palestina de voltar para casa

Por · setembro 29, 2026
Pelo menos 150 colonos israelenses atacam aldeia na Cisjordânia e impedem família palestina de voltar para casa


Cerca de 150 colonos israelenses atacaram na madrugada desta terça-feira a aldeia palestina de Jalud, na Cisjordânia ocupada, enquanto forças israelenses tentavam escoltar uma família palestina de volta para suas casas. Duas residências da família al-Tubasi foram incendiadas, veículos foram queimados e três agentes da Polícia de Fronteira ficaram levemente feridos, informaram o Exército israelense e moradores locais. Em movimento incomum, o episódio levou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a condenar os ataques.
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A família al-Tubasi havia sido obrigada a deixar o local cerca de dois meses antes, após semanas de assédio e ataques de israelenses. Colonos extremistas haviam instalado um posto avançado ilegal próximo à aldeia, ao sul de Nablus, e cercado três casas, duas delas pertencentes aos filhos de Mahmoud e Aida al-Tubasi. A Suprema Corte de Israel determinou neste mês que a família deveria ter permissão para retornar.
À BBC, Mahmoud al-Tubasi, de 60 anos, disse ter recebido uma ligação por volta da meia-noite informando que havia uma coordenação com as Forças Armadas para que sua família voltasse para casa. Disse, ainda, ter recebido uma mensagem de autoridades dizendo que, se quisesse recuperar sua propriedade, teria de ir imediatamente ao local com o Exército e a Polícia de Fronteira de Israel. Ele, a mulher, Aida, de 51 anos, e o filho Wael, de 33, seguiram então para o local, mas, quando chegaram, encontraram uma das casas amplamente danificada.
Imagens compartilhadas com o veículo mostram buracos nas portas, instalações elétricas arrancadas, pisos removidos, janelas quebradas e lixo espalhado. O vaso sanitário também havia sido destruído e parecia conter dejetos humanos. Segundo o jornal israelense Haaretz, o Exército decidiu realizar o retorno sem notificar previamente a polícia ou o Shin Bet, o serviço de segurança interna de Israel.
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‘Extremamente aterrorizante’
Alertas sobre o retorno da família foram publicados em grupos de WhatsApp usados por colonos para coordenar ações. Em poucos minutos, dezenas deles chegaram a Jalud. Segundo al-Tubasi, pelo menos 150 colonos cercaram a área e começaram a atirar pedras contra a família e as forças israelenses. Os soldados tentaram proteger a família usando spray de pimenta, mas não conseguiram controlar os colonos.
— Foi extremamente aterrorizante, além do que as palavras podem descrever. É difícil imaginar a situação — disse ele à BBC. — Minha sensação agora é de felicidade por ter escapado da morte. Eu realmente esperava que eles fossem nos matar. Assim que entramos na casa, que já havia sido completamente destruída, os colonos começaram a atirar pedras. Eram mais de 150, e o Exército não conseguia controlá-los.
Segundo al-Tubasi, as forças de segurança “basicamente formaram uma barreira”, colocaram os integrantes de sua família em um veículo militar blindado e os retiraram do local, mas “não tomaram nenhuma medida contra os colonos”. Enquanto os moradores eram deslocados, os colonos incendiaram o carro e as duas casas da família. Vídeos gravados à distância mostram uma grande quantidade de fumaça nos imóveis.
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As Forças Armadas de Israel afirmaram que “mais de 100 manifestantes israelenses violentos estavam presentes na aldeia, bloqueando estradas, incendiando pneus e atirando pedras contra as forças de segurança”. Três policiais sofreram ferimentos leves e um veículo das forças de segurança foi danificado, disseram, descrevendo a família al-Tubasi como vítima de um “crime de motivação nacionalista” e acrescentando que, “devido à violência, a missão de devolvê-los às suas casas não foi concluída”.
— O Exército israelense não informou ninguém — disse uma fonte de alto escalão da segurança ao Haaretz, destacando que havia apenas 12 agentes da Polícia de Fronteira no local. — O Exército israelense falhou feio. É impossível explicar como, em um incidente dessa magnitude, com os olhos do mundo inteiro voltados para nós e com uma decisão da Suprema Corte em vigor, o Exército israelense pode fazer o que quiser sem coordenar com todas as forças relevantes e sem considerar as consequências de um incidente como esse.
‘Fenômeno inaceitável’
Há um mês, Aida al-Tubasi foi atacada por colonos israelenses mascarados e ficou ferida, assim como jornalistas americanos que a entrevistavam em Jalud. A decisão da Suprema Corte, que criticou as autoridades israelenses por não reprimirem a violência de colonos, determinou que a família deveria ser levada de volta para casa em segurança até 20 de setembro, há mais de uma semana. A decisão judicial usou termos duros ao descrever as ações dos colonos israelenses como “um fenômeno completamente inaceitável”.
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Netanyahu, por sua vez, afirmou que condenava “veementemente” os ataques contra as forças de segurança e pediu às autoridades responsáveis pela aplicação da lei que “processem os envolvidos nos tumultos com todo o rigor da lei”. A polícia israelense disse depois ter prendido três pessoas suspeitas de envolvimento nos ataques.
Em discurso na Assembleia Geral da ONU na semana passada, Netanyahu minimizou as preocupações internacionais com a violência de colonos. O premier acusou a imprensa de ignorar ataques contra judeus israelenses e de dar cobertura a “um punhado de delinquentes juvenis que atiram pedras, derrubam oliveiras e, ocasionalmente, provocam alguns incêndios”. Segundo a ONU, porém, os níveis de violência de colonos atingiram neste ano o patamar mais alto já registrado.
Desde 2023, mais de 6,5 mil palestinos foram deslocados devido a ataques de colonos e restrições de acesso na Cisjordânia ocupada. No mesmo período, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) registrou 6.199 ataques de colonos israelenses que provocaram vítimas ou danos materiais. Ao menos 82 palestinos foram mortos por forças israelenses e colonos na Cisjordânia neste ano, além de quatro israelenses. Pelo menos 23 palestinos morreram em episódios relacionados a ataques de colonos.
Jovem palestino inspeciona veículo destruído após ataque de colonos israelenses no vilarejo de al-Mughayyir, na Cisjordânia ocupada
Zain Jaafar/AFP
Impacto humanitário
Ao mesmo tempo, segundo o grupo israelense de direitos humanos Yesh Din, menos de 3% das investigações sobre violência de colonos nos últimos 20 anos resultaram em condenação. Ziv Stahl, diretora da organização, disse à BBC que a falta de uma aplicação eficaz da lei ocorre porque “a violência faz parte de uma política sistemática do governo destinada a expulsar os palestinos da região e ampliar o controle israelense sobre terras na Cisjordânia”.
O governo de Netanyahu supervisionou uma rápida expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, reivindicando direitos bíblicos e legais sobre o território. Alguns ministros afirmaram que pretendem “enterrar a ideia” de que um Estado palestino independente possa ser estabelecido no território, juntamente com Jerusalém Oriental e Gaza. Assentamentos e postos avançados, no entanto, são ilegais segundo o direito internacional.
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Em nota, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) pediu proteção urgente da população civil na Cisjordânia, destacando o “enorme impacto humanitário da violência, incluindo a trágica perda de vidas e os ferimentos graves”. Restrições de movimento na região, disse o órgão, “impedem que pacientes tenham acesso aos serviços de saúde e que as crianças cheguem à escola”, enquanto “pessoas são isoladas de suas casas e meios de subsistência, e famílias e comunidades inteiras ficam submetidas à condições de vida insuportáveis”.
— A violência grave e frequente deve terminar — disse a chefe da delegação do CICV para Israel e Territórios Ocupados, Julien Lerisson. — As autoridades têm a responsabilidade de proteger a população da violência, inclusive quando essa violência é perpetrada por colonos. Isso significa proteger os civis e interromper a expansão de assentamentos.
(Com AFP)

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