Uma pintura do artista russo Wassily Kandinsky, saqueada pelos nazistas, foi vendida em um leilão por US$ 42 milhões. A obra, intitulada “A vida colorida”, permaneceu por décadas em um museu alemão antes de ser devolvida à família que a possuía até 1940, o que abriu caminho para uma venda privada.
A obra foi arrematada após cerca de seis minutos de lances na quarta-feira, em Londres, segundo a casa de leilões Christie’s — que estimava um valor entre US$ 24 milhões e US$ 33 milhões. A identidade do comprador não foi revelada.
Especialistas consideram a pintura, de 1907, um marco importante na trajetória de Kandinsky, que passou de pintor figurativo a artista abstrato. A obra retrata uma cena vibrante e onírica, com personagens em trajes coloridos inseridos em uma paisagem fantástica. Em seu site, a Christie’s descreveu a peça como uma paisagem panorâmica que pulsa vida.
Antes de ser arrematada na quarta-feira, durante o leilão noturno de arte dos séculos XX e XXI da Christie’s, a pintura percorreu um longo e complexo caminho até chegar ao mercado.
Antes da Segunda Guerra Mundial, “A vida colorida” fazia parte da coleção de um industrial judeu holandês, Emanuel Lewenstein, proprietário de uma fábrica de máquinas de costura, e de sua esposa, Hedwig Lewenstein Weyermann.
A coleção de arte dos Lewenstein foi vendida em um leilão em Amsterdã, em outubro de 1940, cinco meses após a invasão dos Países Baixos pela Alemanha nazista. Naquela época, o casal Lewenstein já havia falecido, e seus dois filhos sobreviventes tinham fugido da Europa. Historiadores não conseguiram determinar as circunstâncias exatas daquela venda de 1940.
O banco alemão Bayern LB adquiriu a obra em 1972 e a emprestou a um museu em Munique. Ela permaneceu exposta no local por cerca de meio século, até 2023, quando os herdeiros da família Lewenstein entraram com uma ação judicial solicitando a devolução da pintura.
O Bayern LB devolveu a obra aos herdeiros em 2023, após uma recomendação da comissão consultiva do governo alemão, responsável por analisar casos de obras de arte saqueadas pelos nazistas. A comissão afirmou, na ocasião, que seja por meio de vendas ou de confisco as perdas de obras de arte sofridas por pessoas pertencentes a grupos perseguidos nos Países Baixos sob ocupação nazista devem ser consideradas involuntárias, a menos que haja provas claras em contrário.
“Há inúmeros indícios de que se tratou de um caso de apropriação decorrente da perseguição nazista”, declarou a comissão.
A venda realizada na quarta-feira não superou o preço mais alto já pago em um leilão por uma obra de Kandinsky. Em 2023, uma pintura do artista russo foi vendida por cerca de US$ 45 milhões em um leilão da Sotheby’s.
Pintura de Kandinsky saqueada pelos nazistas é vendida por US$ 42 milhões em leilão
