O ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou que a “política está difícil para todo mundo” ao justificar o seu nível atual de rejeição nas pesquisas nesta segunda-feira (14), em entrevista ao SP1, da TV Globo. Segundo ele, o nível de cobrança entre o presidente da República e os governadores dos estados não é o mesmo, com a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu adversário direto este ano, passando “abaixo do radar” dos eleitores.
— As rejeições estão muito altas porque a política está muito difícil para todo mundo. Obviamente que quem está no cargo de governador passa abaixo do radar. Prefeito é muito cobrado, presidente é muito cobrado, e os governadores, de uma maneira geral, são pouco cobrados no Brasil, por isso o índice de reeleição é alto — afirmou Haddad, escalado pelo presidente Lula para contrapor o aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL) no estado.
Haddad aparece com uma desvantagem de 15 pontos percentuais na pesquisa Quaest divulgada no dia 7 de setembro — marcou 27% das intenções de voto, contra 42% de Tarcísio, com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. No Datafolha, a diferença é de 49% a 29% em favor do candidato do Republicanos.
No plano presidencial, Lula viu a distância no primeiro turno encurtar para Flávio — 36% a 31%, segundo o levantamento apresentado nesta segunda-feira. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro também apareceu numericamente à frente do petista no 2º turno pela primeira vez desde abril: 42% a 40%.
Na entrevista da TV Globo, Haddad associou a sua participação no pleito a uma visão, como paulista, de que o governo Tarcísio “não está fazendo bem para o estado”, e não propriamente como uma plataforma para Lula conquistar apoio em dobradinha no maior colégio eleitoral do país.
— Estamos no pior momento das finanças públicas do estado no últimos 30 anos, com a educação que já foi primeiro lugar no ensino médio público, em 2015, na 10º posição. A fila do SUS aumentou e houve uma perdade de controle do comando da segurança pública, com várias denúncias envolvendo, inclusive, a cúpula do sistema — alegou o ex-ministro.
Ele também procurou, ao longo da entrevista, transmitir a ideia de que o atual governador “apresenta maquete e diz que cumpriu promessa”, contestando imagens do Trem Intercidades, do novo centro administrativo e do túnel entre Santos e Guarujá na propaganda de TV do oponente, mesmo sem obras em andamento. E prometeu “fazer uma limpa” nos contratos nos seis primeiros meses de governo, caso eleito, incluindo a revisão de cláusulas de concessões e privatizações, como a Sabesp.
‘Fizemos o dever de casa no caso Master’, diz Haddad
A crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) também foi objeto de perguntas. O tema ganhou repercussão, nas duas últimas semanas, a partir da revelação de conversas mantidas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com o ministro Alexandre de Moraes. A Corte decide, em plenário, nesta terça-feira (15), se autoriza a abertura de inquérito contra o magistrado.
Haddad declarou que Vorcaro teria financiado a campanha de Tarcísio e de Jair Bolsonaro, há quatro anos, em referência a doações de R$ 5 milhões do cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel. E que o caso envolve três ex-ministros da gestão anterior, além de uma possível omissão, na sua própria leitura, de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, diante de suspeitas contra o Master.
— Ele foi liquidado e preso na nossa gestão. Nós fizemos o dever de casa de tirar de circulação uma pessoa muito grave — afirmou Haddad.
O petista fez coro, novamente, ao levantamento de todos os sigilos relacionados ao caso para não “sonegar informação do cidadão” antes do primeiro turno das eleições de 2026. E repetiu que nunca se encontrou com Vorcaro nos três anos e meio em que esteve à frente do Ministério da Fazenda.
— Abre tudo, quem tiver que responder, responda, quem tiver que pagar por alguma coisa, pague, independentemente de partido político. A questão ética tem que preceder tudo, ideologia e política. Antes de tudo é a ética na política.
‘Frustrado’ com gestão de Galípolo no BC
Ao final, reclamou publicamente da condução da política monetária do Banco Central, agora comandado por um indicado de Lula, o economista Gabriel Galípolo. Segundo o candidato do PT, depois que o governo decide quem vai presidir o Banco Central, ou até indica ministros do Supremo, eles passam a atuar de forma independente.
— O Banco Central é autônomo, mas não se justifica um juro de 14% para inflação de 4%. Depois que se indica, e a pessoa tem mandato, a pessoa faz da cabeça dela. Quando indica ministro do Supremo, ele faz da cabeça dele. Eu tenho dito, e sou muito honesto nas minhas declarações, que tenho me frustrado com a política monetária. Acho que ela está excessivamente apertada, desnecessariamente.
'Política está muito difícil para todo mundo', diz Haddad em entrevista ao SP1
O ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou que a “política está difícil para todo mundo” ao justificar o seu nível atual de rejeição nas pesquisas nesta segunda-feira (14), em entrevista ao SP1, da TV Globo. Segundo ele, o nível de cobrança entre o presidente da República e […]