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Por que estalar o pescoço virou assunto nas redes? Entenda o que acontece

Um movimento rápido no pescoço, um giro na coluna e, em seguida, um estalo alto. Cenas assim se multiplicaram nas redes sociais e passaram a ser consumidas por muita gente quase como conteúdo relaxante. Em alguns vídeos, o som é tratado como sinal de alívio imediato. Em outros, a manipulação desperta curiosidade e acaba incentivando […]

Por que estalar o pescoço virou assunto nas redes? Entenda o que acontece


Um movimento rápido no pescoço, um giro na coluna e, em seguida, um estalo alto. Cenas assim se multiplicaram nas redes sociais e passaram a ser consumidas por muita gente quase como conteúdo relaxante. Em alguns vídeos, o som é tratado como sinal de alívio imediato. Em outros, a manipulação desperta curiosidade e acaba incentivando tentativas de reproduzir os mesmos movimentos em casa.
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Mas o barulho, por si só, não significa que algo no corpo estava “travado” e voltou ao lugar. E é justamente essa interpretação que merece atenção, principalmente quando a pessoa passa a forçar o pescoço ou a coluna com frequência em busca da sensação provocada pelo estalo.
Segundo o neurocirurgião Leandro M. Macedo, o som pode acontecer naturalmente durante o movimento das articulações e não indica, necessariamente, a existência de um problema.
“O som não significa automaticamente que uma vértebra estava fora do lugar e voltou para a posição correta. O cuidado deve ser maior quando a pessoa força esses movimentos repetidamente, principalmente no pescoço, ou tenta reproduzir sozinha manobras vistas nas redes. Se existe uma dor recorrente, é preciso investigar sua causa”, explica.
Estalar nem sempre significa que algo está errado
Estalos podem surgir durante movimentos cotidianos, sem que haja dor ou qualquer alteração associada. Isso é diferente, porém, de provocar deliberadamente uma manipulação brusca, especialmente sem saber se aquele movimento é adequado para o próprio corpo.
O ortopedista Igor Fiorese Vieira lembra que o desconforto na região pode ter diferentes causas. Por isso, tentar aliviar a dor apenas repetindo um movimento que provoca estalo pode fazer com que a origem do problema fique em segundo plano.
“Dor articular é um sintoma, e não um diagnóstico. Ela pode estar relacionada a diferentes alterações, desde processos inflamatórios até problemas degenerativos, sobrecarga ou lesões estruturais. Por isso, é importante entender quando a dor começou, em que situações aparece e se existem outros sintomas associados”, afirma.
No caso do pescoço, a atenção deve ser ainda maior. O neurocirurgião Wilson Faglioni faz uma distinção entre o estalo que acontece espontaneamente durante um movimento e as manobras bruscas realizadas de forma intencional.
“Não é preciso se assustar porque o pescoço estalou ao se movimentar. A preocupação está nas manobras forçadas e repetitivas, especialmente quando realizadas sem avaliação. Não é porque determinada manipulação aparece em um vídeo que ela é indicada para qualquer pessoa”, alerta.
Por que o estalo pode dar sensação de alívio?
Para algumas pessoas, provocar o estalo se transforma em um hábito, especialmente quando existe desconforto na região. A sensação de melhora que pode surgir depois, no entanto, nem sempre significa que a causa da dor foi resolvida.
“Uma dor que persiste, piora com o movimento ou limita as atividades não deve ser simplesmente ignorada. Nesses casos, uma avaliação especializada pode identificar a causa e orientar o tratamento”, avalia Igor.
Alguns sintomas também pedem atenção redobrada. Dor que se espalha para braços ou pernas, dormência, formigamento persistente, perda de força ou alterações na sensibilidade podem estar relacionados a um comprometimento neurológico.
“Quando aparecem sintomas neurológicos, não devemos simplesmente tentar ‘destravar’ a coluna. É necessário descobrir se existe alguma estrutura nervosa envolvida e qual é a origem do quadro”, completa Leandro.

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Autor

BRCOM