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outubro 29, 2026
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Presidente da CBF se esquiva de audiência sobre bets no STF e perde força com eleição de Lula

Por · outubro 29, 2026
CBF investiga vazamentos de viagens de Samir Xaud e demite dois


O presidente da CBF, Samir Xaud, não vai comparecer à audiência pública marcada para o dia 3 de novembro, às 10h, no Superior Tribunal Federal, sobre o fim das bets determinado pelo Governo Federal do presidente Lula. A entidade vai enviar um advogado como representante para o encontro convocado pelo Ministro Luis Fux.
A presença de Xaud já era vista como improvável pelos clubes, que veem a CBF comandada por figuras ligadas ao poder em Brasília. Caso o mandatário comparecesse, poderia haver um constrangimento, já que ele foi pessoalmente contrário à reunião com o Ministério do Esporte para debater soluções para o tema, antes da eleição presidencial, e estava alinhado a Flávio Bolsonaro.
Nos bastidores, Samir projetava que com a mudança de governo teria vida própria na CBF e se desvincularia do grupo de Brasília, que tem o vice-presidente da federação do Mato Grosso, Francisco Mendes, filho do Ministro Gilmar Mendes, como figura mais influente. Com o resultado da eleição, o plano de voo solo mingou.
Segundo interlocutores na CBF, Samir estava se baseando na eleição de Bolsonaro para tomar de vez a caneta e pensar em uma possível reeleição. Para isso, precisaria tirar o grupo de Brasília do poder. O que seria mais fácil com Flávio Bolsonaro e a possibilidade de troca de ministros do STF. Agora, o presidente se tornou persona non grata no governo Lula.
No ano passado, Samir Xaud foi alvo de uma operação da Polícia Federal que investigou um suposto esquema de compra de votos em Roraima. Mas a Justiça suspendeu a investigação. Na última eleição, o presidente da CBF foi ativo na campanha por familiares e tem planos de voltar ao estado para retomar a vida política.
O que será debatido em Brasília
O ministro do Superior Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, relator do processo que pede a suspensão da Medida Provisória (MP) que proibiu a operação das casas de aposta no Brasil, convocou clubes que entraram com ações em solidariedade ao setor, como Flamengo, Fluminense, Cruzeiro, Corinthians e São Paulo. Além destes, o Palmeiras deve marcar presença na reunião da próxima semana.
Também foram convocados o procurador-geral da República, associações ligadas ao setor, e também ao comércio e à indústria, além do Ministério da Fazenda, e a CBF. Os autores da ações de inconstitucionalidade são a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). Os clubes que recorreram ao Superior Tribunal Federal vão insistir por um período de transição maior do Governo Federal para implementar o fim das bets se a Medida Provisória não for revogada após o fim da eleição presidencial.
Caso isso não aconteça, os clubes vão solicitar novamente um período de transição maior para se adaptar a qualquer cenário, pois tudo foi muito abrupto e em meio ao período eleitoral. A avaliação das equipes é que a medida foi eleitoreira e que, com a vitória de Lula, o governo ganha mais se as bets forem retomadas no futebol brasileiro.

Presidente da CBF se esquiva de audiência sobre bets no STF e perde força com eleição de Lula