Pular para o conteúdo
outubro 16, 2026
BRcom
Dólar PTAXR$ 5,0820
News

Protestos contra presidente da Colômbia mostram força da esquerda após derrota eleitoral

Por · outubro 15, 2026
Protestos contra presidente da Colômbia mostram força da esquerda após derrota eleitoral


A esquerda colombiana foi às ruas na quarta-feira para protestar contra o presidente Abelardo de la Espriella, em uma demonstração de força que superou as expectativas iniciais, segundo o jornal espanhol El País. As manifestações ocorreram nas principais cidades do país e transcorreram sem grandes incidentes, apesar das ameaças de endurecimento da atuação policial feitas pelo governo.
Contexto: Colômbia é palco de protestos antigoverno um dia após presidente mudar protocolo de resposta a manifestações
Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp
Quer morar fora? Veja guia interativo do GLOBO que reúne informações sobre 36 países
Os atos marcaram o primeiro teste de mobilização da oposição desde que a esquerda perdeu o poder para De la Espriella, político de direita e aliado declarado dos Estados Unidos. A capacidade de convocação do campo progressista era uma incógnita, sobretudo diante do temor de repressão e da lembrança da violência policial registrada durante os protestos de 2021.
Poucas horas antes das manifestações, o presidente aprovou por decreto um novo protocolo que torna mais rigorosa a atuação das autoridades durante os protestos. A medida alimentou o receio de confrontos e de que as advertências do governo afastassem possíveis participantes.
Initial plugin text
Em Bogotá, porém, milhares de pessoas marcharam durante mais de cinco horas. Houve chuva, granizo e períodos de sol, mas, segundo o El País, não foram registrados incidentes relevantes, e a presença de policiais uniformizados ao longo do percurso foi reduzida. Até mesmo manifestantes encapuzados participaram do ato.
Oposição busca reagir
A mobilização ocorreu em um momento de fragilidade para a esquerda, que perdeu a eleição presidencial por uma diferença de cerca de 250 mil votos. Durante a campanha, o ex-presidente Gustavo Petro havia alertado para o risco de uma explosão de protestos sociais caso De la Espriella chegasse à Presidência. Apesar disso, as ruas permaneceram tranquilas nos primeiros meses após a derrota eleitoral.
Entenda: Presidente da Colômbia assina decreto que muda resposta do governo contra protestos na véspera de manifestações no país
O El País ouviu Sergio Pastor, de 19 anos, um dos jovens presos por confrontos com a polícia durante as manifestações em massa de 2021, contra o governo de Iván Duque. Da prisão, ele afirmou que a população não aceitaria um novo período de governo da direita.
— Duramos mais de 50 anos sob uma direita fascista e genocida. As pessoas não vão aceitar isso — disse Pastor ao jornal. — Tudo vai começar no mesmo dia em que esse cara assumir.
Veja também: Em guinada de 180 graus, Colômbia inaugura embaixada em Jerusalém e se aproxima de Israel
Agora, depois da mobilização de quarta-feira, líderes sociais discutem a possibilidade de convocar uma greve nacional em 14 de novembro. A realização do movimento ainda é incerta, mas os discursos durante os protestos apresentaram a manifestação como o “preâmbulo” de novas mobilizações.
Mobilização plural
Um dos aspectos que chamaram a atenção na manifestação foi a ausência de uma liderança única. Iván Cepeda, senador apontado como possível sucessor político de Petro, liderou parte da marcha em Bogotá e foi recebido por apoiadores que gritavam “presidente”. Ele deixou o percurso antes do fim, mas a manifestação continuou.
Petro também apareceu na Praça de Bolívar, no encerramento do trajeto, mas foi embora durante uma forte chuva de granizo sem discursar. Senadores, sindicalistas e representantes de movimentos sociais se revezaram ao microfone.
Ofensiva: Ataque ordenado pelo presidente da Colômbia contra acampamento guerrilheiro deixa quatro mortos
De acordo com o El País, professores, estudantes de universidades públicas, aposentados, funcionários públicos, indígenas e feministas participaram dos atos. Muitos manifestantes vestiam camisetas com a bandeira da Palestina, em oposição à aproximação de De la Espriella com Israel.
A política externa também esteve entre os temas das manifestações. Enquanto os participantes entoavam palavras de ordem contra o presidente americano, Donald Trump, e defendiam a soberania colombiana, o governo celebrava a abertura de sua embaixada em Jerusalém. Cartazes com a frase “A Colômbia não é o quintal de ninguém” expressavam a rejeição à influência estrangeira, em referência ao alinhamento do presidente com Washington.
Mudança: Israel anuncia transferência da embaixada da Colômbia no país para Jerusalém; República Democrática do Congo também irá ‘muito em breve’
Cepeda afirmou que a principal palavra de ordem da mobilização era “todos contra De la Espriella”. O senador atribuiu a variedade de reivindicações ao que considera uma tentativa do governo de atingir diferentes setores da sociedade ao mesmo tempo.
Além das ruas
Para o El País, o principal desafio da esquerda agora é transformar a demonstração de força nas ruas em um contraponto político efetivo ao governo. A administração de Espriella conseguiu afastar ou silenciar parte de setores influentes da economia, dos partidos políticos e da imprensa.
Petro continua exercendo influência sobre a esquerda, mesmo fora da Presidência, mas sua atuação é marcada por escândalos. Cepeda, por sua vez, reivindica o respaldo de uma oposição organizada que, segundo ele, obteve quase 13 milhões de votos.
Leia mais: Governo Trump reduz financiamento militar à América Latina ao menor nível desde 2001, mesmo com avanço de aliados na região
Questionado pelo El País sobre a possibilidade de Petro participar da manifestação de forma independente, o senador rejeitou a hipótese de uma atuação separada do ex-presidente.
— Somos um movimento articulado e único, não somos uma peça solta. Vamos nos reunir em algum momento — afirmou Cepeda.
O encontro entre os dois, no entanto, não aconteceu durante o ato. Para a oposição colombiana, permanece em aberto a questão de como transformar a mobilização nas ruas em uma estratégica política comum.

Protestos contra presidente da Colômbia mostram força da esquerda após derrota eleitoral