
As autoridades francesas prenderam mais de 5 mil menores de idade nos protestos estudantis que tomam o país desde meados de setembro, informou nesta sexta-feira o Ministério da Justiça. Ao todo, mais de 6.800 pessoas foram detidas, e 2.376 respondem a processos judiciais. Quinze adultos e seis adolescentes estão em prisão preventiva. Cerca de 150 escolas permanecem fechadas nesta sexta, e as organizações estudantis e os sindicatos mantêm a convocação para novas manifestações na próxima terça-feira.
Protestos na França: Governo promete contratar mais de 3 mil professores substitutos após reunião com líderes estudantis
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Dezenas de milhares de estudantes do ensino médio, em sua maioria entre 15 e 18 anos, vêm se mobilizando nas últimas semanas para denunciar falhas no sistema educacional, como a falta de professores, a carga horária excessiva e salas de aula deterioradas. Na última terça-feira, por exemplo, as manifestações reuniram mais de 250 mil pessoas, entre estudantes, professores e pais.
Manifestante segura um cartaz com os dizeres “Estudar em condições dignas não é um luxo” diante da polícia durante uma manifestação estudantil em Nancy, no leste da França
JEAN-CHRISTOPHE VERHAEGEN/AFP
Embora a maioria dos atos seja pacífica, os protestos também registram episódios como queima de lixeiras e até de portões de escolas, além de confrontos com a polícia. Segundo balanço divulgado pelo governo na terça, 215 estudantes, 715 policiais e 85 membros do corpo docente ficaram feridos.
Atuação policial
O governo do presidente Emmanuel Macron sustenta que a atuação policial é “proporcional”, enquanto a oposição e organizações de direitos humanos denunciam “repressão policial” contra os estudantes. A Inspeção-Geral da Polícia Nacional (IGPN), órgão que fiscaliza a atuação das forças de segurança, já abriu 18 investigações sobre possíveis abusos.
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Na última quarta-feira, o governo suspendeu o uso de granadas de efeito moral nos protestos, dois dias depois que um adolescente de 15 anos perdeu a mão em Lens, no norte do país.
Outros episódios também estão sob investigação. Em Saint-Ouen-l’Aumône, a noroeste de Paris, um estudante de 14 anos perdeu vários dentes e fraturou a mandíbula com a explosão de uma bomba de gás lacrimogêneo a curtíssima distância, e um policial foi indiciado. Em Belfort, no nordeste do país, promotores abriram uma investigação por tentativa de homicídio depois que um jovem de 17 anos denunciou que um policial “afundou sua cabeça” ao tentar prendê-lo perto de um rio.
Após adolescente perder a mão: França suspende uso de granadas de efeito moral em protestos estudantis
O governo tenta responder às reivindicações enquanto acusa o partido de esquerda radical A França Insubmissa (LFI) de estar por trás da agitação. Nesta semana, Macron convocou uma reunião de emergência com o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, e outros integrantes do governo, e o Executivo recebeu líderes estudantis na quinta-feira para tentar conter a crise. Agora, anunciou a contratação de 3 mil professores substitutos nos próximos dias.
Com AFP