A Qualcomm, maior fabricante de processadores para smartphones, informou que fechou um acordo com a Amazon para que a empresa se torne cliente de seus chips para data centers. O contrato abrangerá “múltiplas gerações” de produtos e dará à Amazon o direito de adquirir até US$ 4 bilhões em ações da Qualcomm.
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A parceria resultará na criação de chips personalizados para dar suporte à infraestrutura de inteligência artificial da Amazon Web Services (AWS), serviço de nuvem da Amazon, informou a Qualcomm nesta terça-feira, em comunicado. As duas empresas trabalharão em chips destinados a executar serviços de IA e em outros componentes voltados à conexão entre diferentes partes dos computadores.
Nos termos da transação, a Qualcomm concedeu à Amazon um warrant — direito de compra de ações em condições previamente estabelecidas — para adquirir até 25 milhões de ações ao preço de US$ 161,26 cada. As ações previstas no warrant serão liberadas em parcelas vinculadas aos pedidos de chips feitos pela Amazon, que poderão alcançar um valor de US$ 60 bilhões ao longo da próxima década, informou a Qualcomm.
As ações da fabricante de chips chegaram a subir 8,7%, para US$ 183,49, em Nova York, registrando o maior ganho intradiário desde 25 de junho. As ações da Amazon caíram menos de 1%.
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A conquista da Amazon como cliente dá impulso à estratégia da Qualcomm de entrar no lucrativo mercado de componentes para data centers de inteligência artificial. Sob o comando do CEO Cristiano Amon, a empresa tenta reduzir sua dependência do enfraquecido setor de smartphones e acelerar o crescimento em novas áreas, incluindo data centers, automóveis e computadores pessoais.
A Qualcomm segue dois caminhos em sua iniciativa para data centers: vender seus próprios componentes e ajudar grandes clientes a projetar e fabricar os seus próprios. A Amazon já é uma das maiores usuárias de componentes desenvolvidos internamente, com iniciativas próprias nas áreas de processadores, redes e chips de IA.
A Qualcomm já havia anunciado que a Meta, de Mark Zuckerberg, e a saudita Humain serão clientes de seus chips para data centers.
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A enorme expansão da infraestrutura de IA tem sido marcada por diversas parcerias entre empresas que envolvem muito mais do que simples pedidos de chips e computadores. Fabricantes como a Nvidia e a Advanced Micro Devices (AMD) investiram em seus clientes ou ofereceram participações acionárias como parte desses acordos.
As empresas afirmam que essas iniciativas ajudam a acelerar a adoção das tecnologias e criam incentivos para relacionamentos de longo prazo. Críticos, porém, demonstram preocupação de que esses acordos representem uma forma de financiamento circular, com o risco de criar uma demanda artificial.
A Amazon e outros gigantes da computação em nuvem vêm desenvolvendo alternativas próprias às populares unidades de processamento gráfico (GPUs) da Nvidia.
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Lançado em 2020, o acelerador de IA da Amazon, chamado Trainium, conquistou alguns usuários de destaque, entre eles a OpenAI, a Anthropic e a Uber, que acessam o hardware por meio da Amazon Web Services (AWS). O chip já gerou mais de US$ 225 bilhões em compromissos de receita, informou a gigante de comércio eletrônico em abril.
A Amazon há muito tempo utiliza warrants para adquirir participações em seus fornecedores, numa estratégia para capturar uma parcela maior dos benefícios gerados por seus gastos. A empresa já empregou essa estratégia com operadores de companhias aéreas de carga e fabricantes de caminhões e vans de carga que fornecem veículos para sua operação logística.
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